A mistura inusitada de salsicha grelhada e frango resultou no novo negócio, que abriu há cerca de um mês na Cidade Baixa, o Yuc Dog. À frente do empreendimento está Eric Haddad Parker Guterres, designer estratégico de formação, que, aos 37 anos, resolveu apostar no primeiro negócio e realizar uma transição de carreira. O novo espaço, que ocupa a esquina movimentada da avenida José do Patrocínio com a rua da República, aposta em um cardápio enxuto, com duas opções de cachorro-quente: o tradicional, nas versões simples ou dupla, e o vegetariano.
Trazendo a experiência de sua atuação em startups, a ideia do negócio, segundo Eric, era começar de forma enxuta para testar a viabilidade do produto e da operação. “É um passo de cada vez. A gente testa e, se der certo, implementa de fato”, comenta o empreendedor.
Diferente dos cachorros-quentes tradicionais, o preparo da salsicha no novo estabelecimento é grelhado, além de prensado. O lanche leva molho de frango desfiado, maionese da casa, tomate picado e molho de pimenta à parte. “Usamos peito de frango desfiado e fica uma combinação muito boa. O nosso molho secreto é à base de pimenta e fecha perfeitamente com a receita”, explica Eric.
A inspiração da receita vem de Londrina, no norte do Paraná, onde o empreendedor nasceu. Filho de mãe gaúcha e pai paranaense, Eric viveu a infância no estado. “Eu sou rio-grandina, mas morei muitos anos no Paraná”, conta Marta, mãe de Eric. Psicóloga de formação, ela atualmente auxilia o filho no negócio. “Nunca gostei muito do cachorro-quente tradicional daqui, porque prefiro a salsicha tostada”, comenta Marta, que aprovou a versão final do lanche vendido na casa.
A loja de esquina passou por uma reestruturação completa, incluindo a mudança de local da cozinha
FABIOLA CORREA/JC
Antes de chegar à receita definitiva, foram dois anos de planejamento. O start para Eric investir no negócio veio a partir das mudanças no mercado de trabalho. Atuando como UX e UI designer, desenvolvendo aplicativos e produtos digitais, ele percebeu transformações significativas na área. “Com a popularização da Inteligência Artificial, comecei a notar algumas mudanças”, relata. Foi então que decidiu investir em algo próprio.
Antes de definir o lanche, Eric chegou a cogitar abrir uma cafeteria. No entanto, por ser um empreendedor itinerante, entendeu que uma operação mais simples seria mais viável. Com familiares atuando na área da saúde, teve como inspiração o tio, dono de um restaurante. “Ele disse ‘pensa em algo que eu te ajudo’”, relembra. Mesmo tendo curso de barista, a ideia do café ficou para outro momento. “A gestão seria mais complexa, exigiria mais funcionários e a concorrência em Porto Alegre é grande”, avalia.
Os testes iniciais foram realizados no restaurante do tio, com familiares e amigos como público. “Usamos a cozinha, abrimos o salão e deu tudo errado”, brinca Eric, explicando que a intenção era justamente identificar os erros. Após a experiência, os convidados responderam a um questionário. “Um dos principais pontos era a temperatura do lanche, que estava sendo entregue frio”, conta. O problema ocorria porque os pedidos ficavam parados no balcão antes da entrega.
“Uma das atendentes era eu, e descobri que, como atendente de balcão, sou uma ótima psicóloga”, brinca Marta.
Após os ajustes, o negócio foi oficialmente inaugurado no início de dezembro. Desde então, segundo Eric, o público tem respondido positivamente. “A maioria gosta muito. Uma cliente nos mandou mensagem dizendo que foi uma grata surpresa, e esse tem sido o retorno geral”, afirma.
Aposta na CB
A escolha da Cidade Baixa também teve um lado afetivo. “Muita coisa nesse bairro me lembra a minha cidade natal”, diz Marta. “É uma pequena cidade dentro de Porto Alegre. Todo mundo se conhece, se cumprimenta. As pessoas ocupam a rua”, complementa Eric.
Localizado em um ponto movimentado, próximo a estabelecimentos tradicionais como a Joia Sorveteria e o Tango Sabores de Uruguay, o Yuc Dog atende principalmente um público de passagem. “Tem casa de show, teatro, escolas, casas de estudante. Sempre tem gente circulando”, explica o empreendedor.
O nome do negócio também carrega significado afetivo. “Perdi um irmão, o Yuri. Juntei a inicial do nome dele com o final do meu, e assim surgiu o Yuc”, conta.
Formato para o take away
Foram cinco meses de reforma até o espaço ficar pronto. A loja de esquina passou por uma reestruturação completa, incluindo a mudança de local da cozinha. Após as reformas, o restaurante passou a contar com uma janela exclusiva para delivery e take away. O projeto foi desenhado pelo próprio Eric, que mantém os rascunhos expostos em uma das paredes do restaurante.
A proposta pretende fugir do padrão das lancherias tradicionais. O espaço conta com identidade visual própria, mesas compartilhadas, iluminação baixa, folhagens e objetos decorativos. A ideia é transformar o local em um espaço multicultural. “Quero trazer quadros, exposições de arte, fazer algo diferente. Isso vem muito da minha formação e do trabalho com experiência do usuário”, reflete.
No cardápio, o Yuc Simples custa R$ 32,00. O mais pedido é o Yuc Duplo, por R$ 34,00, com os mesmos ingredientes em maior quantidade
JÚLIA FERNANDES/ESPECIAL/JC
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No cardápio, o Yuc Simples custa R$ 32,00. O mais pedido é o Yuc Duplo, por R$ 34,00, com os mesmos ingredientes em maior quantidade. Já o Yuc Vegetariano sai por R$ 36,00 e leva queijo coalho, proteína de soja temperada, maionese da casa, mostarda, tomate picado e molho de pimenta à parte. A porção de batata frita custa R$ 10,00.
Eric projeta o futuro com cautela. “Vamos ver como o negócio se desenvolve antes de pensar em expansão. Muita gente vê a loja decorada e pergunta se somos uma franquia, e eu respondo que somos uma franquia de uma loja só”, brinca.
A nova lancheria está localizada na Rua da República, nº 471, no bairro Cidade Baixa
FABIOLA CORREA/JC
Endereço e horário de funcionamento
A nova lancheria está localizada na Rua da República, nº 471, no bairro Cidade Baixa. O Yuc Dog opera de segunda a quinta, das 18h à meia-noite e sextas e sábados, das 18h à 1h.

