Gustavo Marchant

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Novidade

Galpão industrial do 4º Distrito vira bar inspirado na prisão de Alcatraz

Com sirene na entrada, drinks autorais e foco em experiência, bar se inspira na famosa penitenciária dos EUA
Portas de ferro, celas numeradas e corredores que lembram um presídio em atividade. No 4º Distrito, um galpão de mais de 1 mil m² abandonou o passado industrial e virou cenário de filme para simular uma experiência que mistura ambiente instagramável, culinária com influências californianas e drinks autorais batizados com gírias carcerárias. É ali que funciona o Alcatraz Bar (@alcatraz.poa), operação inspirada na penitenciária federal de segurança máxima que operou na Baía de São Francisco, nos Estados Unidos, ao longo do século XX e ficou conhecida por abrigar nomes como Al Capone e George “Machine Gun” Kelly.
Portas de ferro, celas numeradas e corredores que lembram um presídio em atividade. No 4º Distrito, um galpão de mais de 1 mil m² abandonou o passado industrial e virou cenário de filme para simular uma experiência que mistura ambiente instagramável, culinária com influências californianas e drinks autorais batizados com gírias carcerárias. É ali que funciona o Alcatraz Bar (@alcatraz.poa), operação inspirada na penitenciária federal de segurança máxima que operou na Baía de São Francisco, nos Estados Unidos, ao longo do século XX e ficou conhecida por abrigar nomes como Al Capone e George “Machine Gun” Kelly.
A experiência começa antes mesmo do primeiro drink. Logo na chegada, o público passa por um breve ritual de ambientação: as luzes se apagam, um neon vermelho toma o espaço, um vídeo curto entra em cena e, na sequência, uma sirene anuncia a liberação da entrada. “A ideia é que a experiência comece já na chegada, mas sem ser cansativa. É jogo rápido”, explica Sandro Macedo, empreendedor com mais de 15 anos de atuação no setor de bares e gastronomia em Porto Alegre.
"Você tem direito a uma ligação" é mais um item da decoração que remete à prisão | Júlia Fernandes/Especial/JC
"Você tem direito a uma ligação" é mais um item da decoração que remete à prisão Júlia Fernandes/Especial/JC
Na estética, concreto aparente, grades, estruturas metálicas e iluminação industrial dominam o ambiente, além de grafites assinados por artistas locais e pontos de neon verde para alcançar a originalidade de Alcatraz. Muitos elementos foram reaproveitados do próprio galpão — que já abrigou a antiga fábrica da Gang — ou garimpados em ferros-velhos. “Presídio não é bonito nem luxuoso. A gente quis manter esse ar mais bruto”, diz Sandro.
Espaço, aliás, não falta. O galpão abriga ativações espalhadas por todo o pub, como as réplicas de placas de identificação de presos, que rapidamente viraram atração. “A galera super pilha. Pede foto segurando a placa, de frente, de lado. Virou parte da experiência”, conta.
Celas simulam os dormitórios de alcatraz, com colchão, pia e vaso sanitário | Júlia Fernandes/Especial/JC
Celas simulam os dormitórios de alcatraz, com colchão, pia e vaso sanitário Júlia Fernandes/Especial/JC

Gestão, público e operação

Paralelamente ao novo projeto, Sandro comanda o Sete Gastropub, no bairro Rio Branco, além de um restaurante dentro da Câmara de Vereadores de Porto Alegre. No currículo, também está o Rock ’N’ Soul, bar icônico da Cidade Baixa que encerrou as atividades durante a pandemia. Agora, no Alcatraz, ele assume sozinho a operação de um projeto que, segundo ele, “exige muito” do ponto de vista de gestão. Ainda assim, faz questão de deixar claro o espírito da casa. “A gente pega o lance do presídio, mas não o sofrimento. A ideia é a brincadeira, o lúdico”, resume.
Com mais de 1 mil m², o espaço comporta até 1 mil pessoas, embora a proposta seja trabalhar com um público bem menor. “Nosso conforto está em torno de 300 pessoas sentadas, para manter atendimento e experiência”, afirma Sandro. Parte do segundo andar, inclusive, ficará fechada neste primeiro momento, sendo ativada apenas em eventos específicos.
Espaço acomoda até 300 pessoas sentadas | Júlia Fernandes/Especial/JC
Espaço acomoda até 300 pessoas sentadas Júlia Fernandes/Especial/JC
A proposta passa longe do modelo tradicional de balada. “Não queremos depender de shows. A ideia é funcionar como um grande pub, com a música como complemento”, explica. A programação deve alternar entre DJs, bandas e apresentações pontuais, sem foco em um gênero específico. O Alcatraz também pretende se firmar como polo de eventos, recebendo feiras, ações culturais, encontros de motos e carros antigos.
O atendimento funciona no modelo “compra e retira”, com caixas tradicionais e vendedores móveis circulando pelo espaço — totens de autoatendimento serão implementados no futuro. Os lanches chegam em bandejas de alumínio, igual a servida para quem caiu no xadrez.
Para Sandro, porém, não basta cenário instagramável. Por se tratar de um negócio nichado em Porto Alegre, ele afirma que a casa pode sofrer variações de público, mas busca estratégias para remediar. “A comida faz a pessoa voltar, desde que seja diferente. Mas o atendimento pesa muito”, afirma. Experiente no setor, ele aposta na valorização da equipe como estratégia central. “Hoje, a mão de obra é difícil, principalmente em cozinha e atendimento. Procuramos humanizar. Se alguém falta porque o filho está doente, eu não desconto. Sou pai, e sei o que isso significa. Quando a pessoa é bem tratada no trabalho, ela veste melhor a camiseta, e quem ganha é o cliente”, explica. A partir de março, inclusive, a equipe passa a usar macacões laranja, nos moldes das prisões americanas.
Com alvará de bar e restaurante, o Alcatraz permite a entrada de menores acompanhados. A única restrição, claro, é para o consumo de bebidas alcoólicas. “Muita gente pergunta se pode vir com criança, e pode. Teve um evento em que uma mãe trouxe a filha adolescente, ela tirou foto na cela e postou ‘minha liberdade provisória’. Achei sensacional”, brinca.
O espaço ainda conta com sinuca e uma réplica de cela inspirada na prisão de Alcatraz, adaptada às proporções do galpão. “Achamos que ninguém ia querer ficar ali dentro, mas a galera curte muito. Já perguntaram até se dava pra reservar a cela pra comer”, lembra Sandro.

Cardápio inspirado na Califórnia

O cardápio segue uma linha pensada para consumo rápido e compartilhado, com forte influência da comida de rua californiana. Entre as entradas, chama atenção o Matsunaga Meat, porção de iscas de alcatra picadas servidas com queijo coalho tostado, sunomono e farofa.
No bar, a escolha dos fornecedores segue um posicionamento claro: priorizar marcas locais, especialmente após os impactos da enchente no setor cervejeiro gaúcho. “Vieram várias marcas grandes falar conosco, mas a gente optou por fechar com a cerveja Imigração. Teve uma quebradeira enorme no polo cervejeiro depois da enchente, então fazia sentido fortalecer quem é daqui”, explica Sandro.
O Alcatraz Bar também se tornou o primeiro bar do Rio Grande do Sul a receber investimento da Jim Beam, marca norte-americana de bourbon que assina a parceria master do projeto. Na coquetelaria, a base segue local: a cachaça utilizada é a Palmieri, produzida de forma orgânica em Ivoti.
Os chamados prison drinks, vendidos a R$ 40,00, chamam atenção tanto pelos nomes quanto pelas receitas. Entre as opções do cardápio estão a Cadeira Elétrica, que leva Jim Beam Cherry, tequila prata, xarope de agave, suco de limão e Red Bull de nectarina; o Banho de Sol, feito com vodka, Campari, suco de laranja, xarope de abacaxi e suco de limão; e a Visita Íntima, que combina gin, purê de morango, limão siciliano e espumante brut. Completam a carta a Solitária, com Jim Beam Apple, cachaça de bananinha, limão e água tônica; o Interrogatório, que mistura tequila prata, xarope de caramelo, limão e suco de abacaxi; e o Semiaberto, que leva rum prata, xarope de melancia, hortelã, limão e água com gás.
Entre os diferenciais da casa está o Clube do Whisky, que transforma o consumo da bebida em uma experiência personalizada. O cliente guarda sua própria garrafa em um compartimento individual fechado com cadeado. “Ele tem a própria chave. Chega, abre, pega a garrafa, consome. Se não terminar, guarda e volta outro dia”, explica Sandro.
Clube do Whisky é uma iniciativa que busca fidelizar o cliente | Júlia Fernandes/Especial/JC
Clube do Whisky é uma iniciativa que busca fidelizar o cliente Júlia Fernandes/Especial/JC
O investimento no projeto gira em torno de R$ 1 milhão, valor que precisou ser revisto após a enchente atingir o imóvel durante a obra. Mesmo assim, o empreendedor aposta no potencial do bairro. “A gente acredita muito no 4º Distrito e na força de propostas diferentes em Porto Alegre”, afirma.

Endereço e horário de funcionamento do Alcatraz

O Alcatraz Bar fica na rua Almirante Barroso, nº 255, no 4º Distrito, em Porto Alegre, e abertura oficial está prevista para março. Até lá, o espaço promove eventos em formato soft opening ao longo do verão, usados para ajustes operacionais. “Esses testes servem justamente para entender fluxo, atendimento e fazer correções antes da abertura definitiva”, explica Sandro. Nesta semana, o Alcatraz Bar, que opera a partir das 17h, receberá diferentes atrações: na sexta-feira (16), a banda Chaise Brothers, com abertura do DJ Paulo Dias; no sábado (17), o grupo de samba e MPB Volto pra te Ver; e no domingo (18), a programação fica por conta do cantor Maik Salgado. 
Celas simulam os dormitórios de alcatraz, com colchão, pia e vaso sanitário | Júlia Fernandes/Especial/JC
Celas simulam os dormitórios de alcatraz, com colchão, pia e vaso sanitário Júlia Fernandes/Especial/JC