Há 19 anos apostando no empreendedorismo, Giuliano Capeletti decidiu investir em um novo negócio enquanto participava de um programa de aceleração para startups no Instituto Caldeira, hub de inovação de Porto Alegre. Nos últimos 12 anos, o empreendedor voltou seus esforços para negócios focados na sustentabilidade e na tecnologia, com foco principal no mercado nacional e chinês. A proximidade com o país asiático possibilitou trocas culturais e técnicas, permitindo que Giuliano acumulasse experiências e construísse relações comerciais que agora se tornam decisivas para o crescimento da sua atual iniciativa, a Mercado Net Zero.
A startup nasceu após uma imersão de Giuliano no mercado de créditos de carbono, setor que ele conheceu a fundo a partir de um questionamento de um cliente da China. "Um dos meus clientes perguntou como era o mercado de carbono no Brasil. Não sabia responder. Comecei a estudar e vi um mundo de oportunidades", conta. A primeira tentativa, com a startup Leaf For All, acabou dando lugar a um novo modelo de negócio, desenvolvido durante um programa do Instituto Caldeira. Foi ali que nasceu a Mercado Net Zero, que completa um ano de operação com uma equipe de seis pessoas e uma carteira de 40 clientes atendidos entre empresas, eventos e fornecedores.
A proposta da startup é conectar empresas e pessoas a projetos ambientais certificados, permitindo a neutralização de emissões de carbono de forma acessível, segura e transparente. A plataforma oferece um marketplace de créditos de carbono e uma solução white label voltada a grandes empresas, que podem disponibilizar créditos para a sua cadeia de fornecedores. "O mercado internacional já funciona como marketplace. Aqui, estamos tentando tornar esse modelo acessível, com governança e gestão de riscos", explica Giuliano.
A startup também desenvolveu uma ferramenta com Inteligência Artificial chamada Netinho, que ajuda micro e pequenas empresas a preencherem seus inventários de emissões com base no GHG Protocol Brasil. O mascote, representado por um dinossauro, já virou parte da rotina de muitos usuários.
Um dos diferenciais da empresa é justamente esse olhar para toda a cadeia de produção, atendendo não apenas grandes corporações, mas também os pequenos fornecedores que, muitas vezes, são pressionados pelas exigências de sustentabilidade dos seus contratantes. "Hoje, o pequeno tem que se adequar, porque o grande está sendo cobrado pelo mercado internacional. Isso está descendo em cascata. E a gente ajuda a dar suporte nessa jornada", explica o CEO.
Essa abordagem inclusiva também tem reflexos na própria estrutura da empresa. Dois dos integrantes da equipe atual são jovens aprendizes vindos de programas de inclusão social apoiados pelo Caldeira e pela Fundação Tênis. A presença deles, segundo Giuliano, foi decisiva para a recente parceria firmada com a escola de inglês IWill, focada no desenvolvimento da equipe. Isso porque a internacionalização da startup já está em curso.
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Graças à sua rede construída ao longo dos anos com parceiros asiáticos e americanos, Giuliano já articula a entrada da Mercado Net Zero nos mercados chinês e norte-americano. Um dos seus principais aliados é um sino-americano, professor e desenvolvedor de tecnologias, que atualmente contribui na construção do site internacional da empresa e deve entrar como sócio-investidor. "Estamos nos preparando para lançar nossa operação internacional até o final do ano. Esse parceiro vai nos ajudar a entrar nesses dois mercados com força", revela o empreendedor.
A internacionalização, no entanto, vem carregada de desafios. Para além das barreiras operacionais, Giuliano aponta que o fator cultural ainda é um obstáculo relevante. "A maior dificuldade é entender a cultura do outro para conseguir se comunicar de forma eficiente e eficaz. Isso vale para empresas também. Têm muito preconceito ainda. Brasileiro, lá fora, muitas vezes, não têm voz. As ideias são descartadas só por virem de um país latino", critica.
Apesar disso, ele enxerga um movimento interessante surgindo: profissionais brasileiros que ganham bem em empresas estrangeiras têm voltado ao mercado nacional em busca de reconhecimento e participação nas decisões. "Já vi gente aceitando ganhar menos aqui para ter mais espaço para opinar. O brasileiro tem esse diferencial, a criatividade. Resolvemos problemas de forma rápida, muitas vezes mais eficiente do que os outros. Mas lá fora isso nem sempre é valorizado."
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Mesmo jovem, a Mercado Net Zero já colhe frutos do seu modelo de negócio. A startup, além de ganhar tração no Brasil, já se posiciona como ponte entre investidores internacionais e projetos ambientais locais. "É quase um sonho se realizando. Conseguir juntar todo o meu conhecimento em um negócio que emprega pessoas, dá oportunidade, e ainda leva soluções ambientais brasileiras para o mundo é uma realização", afirma Giuliano. Para ele, o crédito de carbono não deve ser visto como um fim, mas como um meio de transformar realidades. "Se a gente puder apoiar o meio ambiente com incentivo econômico e ainda captar dinheiro de fora para isso, melhor ainda. É desenvolvimento, é impacto social, é futuro."

