Isadora Jacoby, Adrielly Araújo, Duda Guerra, Giovanna Sommariva

O especial GE nos Bairros de novembro contou a história da Restinga, um dos bairros mais populosos de Porto Alegre

Empreendedores da Restinga demonstram conexão com o bairro e otimismo para o futuro

Isadora Jacoby, Adrielly Araújo, Duda Guerra, Giovanna Sommariva

O especial GE nos Bairros de novembro contou a história da Restinga, um dos bairros mais populosos de Porto Alegre

A Restinga é um local onde as margens das águas são cobertas de vegetação baixa. A região às margens do Arroio do Salso tinha arbustos e figueiras nos sopés dos morros do atual bairro Restinga. Com o desenvolvimento da região onde hoje estão os bairros Menino Deus e Azenha, os moradores das antigas Vilas Theodora, Marítimos, Ilhota e Santa Luzia foram removidos, a partir de 1966, para a então Vila Restinga Velha. O bairro foi se ampliando e grande parte da infraestrutura, assim como cerca 10 mil apartamentos e casas populares, foram realizadas entre os anos 1970 e 1980. A Restinga é, hoje, um bairro autossuficiente, com hospital, polo educacional, fórum da justiça e um comércio muito diversificado.
A Restinga é um local onde as margens das águas são cobertas de vegetação baixa. A região às margens do Arroio do Salso tinha arbustos e figueiras nos sopés dos morros do atual bairro Restinga. Com o desenvolvimento da região onde hoje estão os bairros Menino Deus e Azenha, os moradores das antigas Vilas Theodora, Marítimos, Ilhota e Santa Luzia foram removidos, a partir de 1966, para a então Vila Restinga Velha. O bairro foi se ampliando e grande parte da infraestrutura, assim como cerca 10 mil apartamentos e casas populares, foram realizadas entre os anos 1970 e 1980. A Restinga é, hoje, um bairro autossuficiente, com hospital, polo educacional, fórum da justiça e um comércio muito diversificado.
* Vinícius é professor e Arquivista e apresennta uma série sobre os bairros de Porto Alegre no @cartaotri e no seu Instagram @bahguri.rs
 

Há 34 anos na Restinga, Armarinho Gaúcho tem mais de 45 mil itens

O negócio acompanhou o crescimento do bairro e prepara novidades para o futuro

O Armarinho Gaúcho, que se tornou um ponto clássico do bairro Restinga, começou como um pequeno depósito na garagem do vendedor Ronaldo Ramos em 1987. O empreendimento familiar cresceu com a região. O filho de Ronaldo, Jhonata Petersen, de 33 anos, que atualmente toca o negócio com a mãe, Marcia, orgulha-se em dizer que a empresa fez parte da história do bairro.
Atuando desde muito cedo no setor comercial, Ronaldo descobriu uma aptidão para a venda enquanto trabalhava em um pequeno bazar no bairro Cavalhada em Porto Alegre. Sempre interessado pelo empreendedorismo e sabendo da aptidão que tinha, Ronaldo decidiu sair do antigo emprego para abrir um pequeno depósito na garagem de casa. Ele comprava produtos de São Paulo e revendia para botecos e mercadinhos de bairro. "Meu pai começou assim, ele pegava essas coisas mais simples, que têm em qualquer mercadinho, para servir de suprimento para esses bares. Só que o negócio cresceu e ele recebeu a proposta de alugar um prédio na Restinga, que, na época, era um bairro bem desvalorizado, não tinha nem poste de luz direito, e aí ele e minha mãe foram e apostaram tudo nisso", explica Jhonata.
Ronaldo e Marcia começaram a construir o Armarinho Gaúcho na Restinga em 1988, tendo a mesma proposta que o antigo negócio, um ponto de venda e revenda de itens simples para suprir as necessidades dos moradores e dos empreendimentos locais. O casal tem três filhos e todos foram criados no bairro, ajudando na loja e aprendendo desde cedo o valor da comunidade. "Tenho uma lembrança muito forte da minha infância no bairro, a nossa vida era bem simples, nossa cama era feita daqueles engradados, aí colocávamos o colchão por cima. Outra coisa que eu me lembro é do meu pai, que não terminou os estudos. Ele pegava umas fitas cassetes sobre empreendedorismo e ficava assistindo na sala, e a gente ficava ali com ele", comenta Jhonata.
Todos filhos do casal chegaram a trabalhar na empresa. Ronaldo Júnior e Jhonata seguiram os passos do pai e continuaram no mundo do empreendedorismo, já Pamella seguiu para a área da saúde. Jhonata comenta que fica feliz ao ver que o negócio cresceu junto com a Restinga. Para ele, é satisfatório perceber que se tornaram um local tradicional na região. "É muito bonito ver como os moradores abraçaram o negócio, porque foi isso que aconteceu, é legal ver que crescemos na Restinga e ver como o bairro evoluiu e como a empresa que meu pai fundou ajudou nisso, temos orgulho. Minha família sempre foi envolvida com as questões da comunidade, meu pai ficou na presidência da Associação do Comércio e Indústria da Restinga (ACIR) por 10 anos, sempre participamos dos projetos, ajudamos ONGs para melhorar a vida dos moradores", diz.
O Armarinho Gaúcho vende cerca de 45 mil itens e aceita sugestões dos clientes, tanto de produtos quanto de novidades para as redes sociais. "Desde o início, temos um caderninho das novidades, e aí o pessoal chega e nos fala as coisas que estão bombando no Instagram, no TikTok, e a gente vai fazendo. É legal porque a comunidade continua ajudando no crescimento da loja", comenta Jhonatan, que começou a trabalhar no negócio aos 16 anos, e passou por todas as funções. "Meu pai me botou no estoque no início, ele sempre me disse que se eu quero assumir uma posição de líder, preciso passar por todas as funções", diz.
Atualmente, o Armarinho Gaúcho possui duas unidades, uma na Restinga e outra na Hípica, e ambas são tocadas por Jhonata e sua mãe. O empreendedor afirma que a loja no bairro Restinga está passando por mudanças, e que algumas novidades estão sendo desenvolvidas por ele.
"Apesar de não morar mais lá, faço questão de dizer de onde eu vim. Fico feliz de ver o crescimento do bairro. Ainda tem muita coisa para melhorar, mas os moradores ajudam muito nisso e é bom ver que muitos negócios conseguem vingar e se sustentar apenas com o público do bairro, que, acredito, vai crescer ainda mais", afirma.

Escola de futebol da Restinga já formou talentos da dupla Grenal

O negócio surgiu em 2012 e busca impactar crianças e adolescentes através do esporte

Com o objetivo de democratizar o acesso ao esporte, o educador físico Flávio Teixeira, 50 anos, ex-árbitro profissional da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), criou a Escola de Futebol GB, projeto voltado para crianças e adolescentes da Restinga.
O negócio surgiu em 2012, quando Flávio foi convidado pelo proprietário das quadras para dar aulas de futebol no local. "Comecei com três crianças. Hoje já temos mais de 150 crianças e adolescentes aqui", destaca o empreendedor, que agora comanda o espaço ao lado da esposa Darlane Teixeira, também educadora física.
A escola, de acordo com o casal, foi uma das primeiras em Porto Alegre a oferecer aulas de futebol para crianças de três anos, modalidade chamada de baby foot. "Recebemos muitas crianças pequenas aqui, até de um ano e meio, eles têm muita energia para gastar, mal começam a andar e os pais já querem trazer aqui", conta Flávio, com um sorriso no rosto. Além dos pequenos, que tem hora marcada no sábado de manhã, crianças de 7 a 9 anos enchem as quadras nas quintas-feiras e nos sábados, e jovens de nove a 17, nas terças e quintas.
O casal ressalta que, apesar de a escola ser particular, atua com valores dentro da realidade da região. "Temos uma relação muito boa com a comunidade, até porque os nossos preços respeitam muito o bairro", acredita Darlane. Para os meninos, o valor varia entre R$ 85,00 e R$ 109,90, dependendo da periodicidade das aulas. Já para as meninas, o valor é fixo de R$ 80,00. "Estamos com esse preço para incentivar as meninas. A divulgação está focada nisso, e estão vindo muitas, que estão nos surpreendendo no jogo", comenta Flávio. "Inclusive, nós já tivemos alunas que passaram pelo Inter e pelo Grêmio", acrescenta Darlane.
Mas, apesar do esforço para manter preços acessíveis, a dupla conta que também oferece bolsas, já que muitos jovens do bairro não têm condições de pagar pelas aulas. "A Restinga quase não tem mais projetos sociais, faz muita falta, tem muita gente carente aqui. Meu WhatsApp toca o dia todo com mãe me perguntando se a escola é de graça. Às vezes, peço para trazer o filho aqui e avaliamos o desempenho, vemos se conseguimos dar uma bolsa", pontua Flávio. "Não conseguimos abraçar todos, nós alugamos as quadras, é um negócio, mas ele é um manteiga derretida, quer trazer todo mundo", admite Darlane, entre risos. Hoje, a escola oferece cerca de 30 bolsas para alunos de baixa renda.
Um dos diferenciais do negócio, de acordo com os sócios, é a preocupação que a escola tem com os estudos dos alunos e alunas. "Fazemos acompanhamento com a escola, os professores recebem os boletins duas vezes por ano e, se as notas estão muito ruins, conversamos com os pais, damos a opção de afastar por um tempo para focar nos estudos, que é o que a maioria acaba fazendo, porque o futebol é a diversão deles, então saem por um tempo mas sempre voltam", afirma Flávio.
A GB conta com quatro professores formados em Educação Física em sua equipe, além de três estagiários e dois ex-atletas que, por terem interesse na área esportiva, ajudam no dia a dia do negócio. "Temos convênio com o Grêmio, e vários alunos vão fazendo os testes dos 8 aos 17 anos, mas aqueles que passam dessa idade e têm vontade de continuar atuando na área, que desejam cursar Educação Física, damos a oportunidade de ajudar aqui e ganhar experiência nas aulas", explica Flávio.
Uma das características principais da escola, segundo Darlane, é ser um espaço familiar, o que ela também acredita fazer parte da essência da Restinga. "As mães vêm junto e assistem os treinos, principalmente as dos menores, vira quase um clube de mães aqui, elas trazem chá, bolo, café", expõe a empreendedora.
Participando de vários campeonatos, a escola foi campeã estadual pelo sub 17 na Copa Sortica em 2021, e teve quatro times classificados para a competição deste ano. "O coração está acelerado aqui, torcendo muito para, em breve, ter mais uma estrelinha na nossa bandeira", admite Darlane.

Na Restinga, casal comanda loja de moda plus size com grade de tamanhos do 48 até o 78

O espaço, segundo os empreendedores, oferece a maior grade de tamanhos da Zona Sul

Foi pensando em atrair público de fora do bairro, que o casal Luiza Passuello, 60 anos, e Roberto Mazzocco, 57, à frente da Toque Moda Plus Size, voltou seus esforços para as redes sociais. A abordagem divertida do casal, que se veste de Chacrinha e Chacrete e Chaves e Chiquinha para divulgar as peças, fez com que a loja triplicasse o faturamento a partir da pandemia. Hoje, com uma grade que vai do 48 ao 78, o negócio pretende fomentar o empreendedorismo e a cultura do bairro atraindo clientes de outros pontos da cidade.
Luiza, que conta com a ajuda do filho Bruno Passuello, 25, no negócio, lembra que o início da operação, que celebra 15 anos de portas abertas, foi no segmento de cama, mesa e banho. Como o ponto era grande, a empreendedora agregou algumas poucas peças de roupa plus size no comércio, mas logo percebeu que esse seria o seu diferencial. "Trazia roupa até o tamanho 50. Sempre uma cliente pedia um tamanho maior, e assim fui aumentando a grade e diminuindo a roupa de cama, porque vi que não tinha tanta saída. Em uma comunidade, primeiro tu tens que investir na roupa para sair, passear, e a roupa de cama é mais secundária, não girava muito", conta.
Segundo ela, a abordagem do comércio mudou com a chegada de Roberto. "Eu era muito tímida. Mas conheci o Roberto e ele tem outra visão de negócio. Eu tinha uma caixa de som guardada, ele pegou, levou para frente e ficou anunciando a loja", diverte-se Luiza, contando que a pandemia foi um ponto de virada para o negócio. "Quando começou, fizemos um curso de marketing digital para vender no Instagram. Eu tinha muita vergonha, mas entendi que precisava chamar atenção. A ideia do Roberto foi fazer vídeos que mexessem com a memória afetiva das pessoas. Então, nos vestimos de Chiquinha e Chaves, Chacrinha e Chacrete. As clientes comentam. Estabelecemos uma relação com elas e isso fez a loja crescer muito na pandemia, triplicamos o faturamento", revela Luiza sobre a estratégia.
A loja, que opera de segunda a sábado, das 9h30min às 18h, tem peças masculinas e femininas. O casal acredita que um dos diferenciais do negócio é oferecer a venda em casa. "Há pessoas que têm dificuldade de se deslocar e fazemos uma sacola, levamos toda uma grade para experimentarem. E aí criamos uma relação empática com a pessoa levando a loja até ela", percebe Roberto.
A dupla criou a Associação dos Jovens Empreendedores, Empreendedoras e Empresários do Comércio Lojista da Restinga e do Extremo Sul de Porto Alegre com o objetivo de fomentar os negócios da região. Além disso, eles realizam feiras no espaço em frente à loja para conectar artesãos e os movimentos culturais do bairro. "Para ter comércio em um bairro, tu tens que participar da vida da comunidade. Além de apoiar, tu fazes parte: vai na escola de samba, no churrasco da outra empresa. E, desde que eu comecei a interagir mais com o bairro, mudou minha visão de mundo", destaca Luiza. "Cresce-se muito mais dentro do bairro quando faz parte dele. Tu fazes parte de uma família que é a Restinga. Como diz o nosso slogan: Tinga, teu povo te ama. A Restinga respira cultura", complementa.
Um dos desafios, segundo o casal, está na baixa autoestima dos moradores em relação à região. Eles contam que é comum, aos fins de semana, que os moradores façam compras ou frequentem restaurantes em outros pontos da cidade. "Tudo se dá pela formação da Restinga. A primeira higienização social aconteceu quando trouxeram o pessoal da Ilhota e de vários bairros do Centro, para poder expandir, e largaram as pessoas aqui. Eles não tinham como se locomover, não tinha ônibus para o centro, ainda não existiam esses conjuntos habitacionais. A Restinga se formou já com uma autoestima muito baixa", percebe Luiza, destacando que reverter esse cenário é objetivo presente na rotina de quem empreende por lá. "O grande desafio é trazer gente de fora para a Restinga e, mais ainda, convencer muitos moradores de que não precisam sair do bairro. As pessoas têm baixa autoestima, e nós estamos tentando mudar isso para que elas consumam no bairro e para trazer gente de onde for, porque somos muito legais", garante.

Empreendedora comanda ferragem cor-de-rosa na Restinga desde 2017

Objetivo do negócio é seguir mudando a visão que os próprios moradores tinham sobre a região, que era conhecida por ser perigosa

O desejo de Vanessa Garcia, 36 anos, em ter o próprio negócio surgiu da necessidade em passar mais tempo com a família. Após anos trabalhando como técnica de enfermagem e enfrentando longas jornadas diárias de trabalho, Vanessa optou por sair da área e notou uma oportunidade de negócio no seu bairro. Em 2017, abriu a Ferragem Outono, localizada na estrada Barro Vermelho, nº 1.149, conhecida por sua fachada e decoração cor-de-rosa.
Já com vontade de deixar a área da saúde, a empreendedora percebeu a grande quantidade de prédios sendo construídos perto da sua casa, e a distância que o local tinha das ferragens mais próximas. Pensando nisso, comprou o terreno de 9 m² de seu vizinho, que acabava de se mudar, e abriu o seu negócio. Com uma fachada toda cor-de-rosa, o negócio trabalha para mudar a visão que moradores tinham sobre o ponto, conhecido pela falta de segurança.
"Era chamado de 'cantão', diziam que era perigoso, então não tinha nada. Pensei que poderia aproveitar para abrir uma ferragem, já que não tinha nenhuma por aqui, e também mudar essa visão", conta Vanessa. Desde então, a empreendedora se empenhou para melhorar a rua, e contou com o apoio dos vizinhos para isso. "Na esquina era um ponto de lixão, nos reunimos e tiramos tudo de lá. Comecei a plantar ali e acabei com o lixo, que foi para o meio do campinho, até que a prefeitura colocou um tonel, ajudou muito", conta a empreendedora, que também doou tinta para a pintura das calçadas. "Mudamos o 'cantão', como era chamado. Hoje, as pessoas não têm mais medo de vir aqui", percebe.
Apesar dos bons frutos que vem colhendo, Vanessa lembra das dificuldades que viveu no início do negócio, principalmente pela mudança na área de atuação. "Não sabia nada sobre construção, pedia para o meu marido me ajudar às vezes, mas, quando estava sozinha e não sabia alguma coisa, muitos clientes falavam 'o que tu queres aí? Não é teu lugar, vai para a cozinha'", recorda, afirmando que sempre mantinha o sorriso no rosto e pedia para os clientes desenharem o que estavam procurando. "Eu sabia qual era o produto, mas não sabia o nome, então eles desenhavam e eu sabia se tinha ou não, fui assim durante um tempo, mas hoje já sei tudo, mais que o meu marido", brinca.
A empreendedora também produz vídeos educativos para o Instagram (@ferragem_outono), com dicas de instalação e manutenção de produtos, e ressalta que aprendeu tudo na prática. "Os fornecedores vinham aqui me oferecer os produtos e eu dizia que até comprava, mas eles precisavam me explicar para que servia, e fui aprendendo assim", compartilha.
Moradora da Restinga durante toda a vida, Vanessa orgulha-se em ver a evolução que o empreendedorismo, em especial o feminino, teve no bairro nos últimos anos. "Antes, as mulheres criavam o negócio e colocavam o marido na frente, com medo de como as pessoas iriam reagir. Mas hoje não mais. Vejo que muitas mulheres estão à frente de negócios por aqui", diz. A empreendedora também é vice-presidente do grupo Empreendedoras Restinga, que busca valorizar e fomentar os negócios do bairro.
Vanessa conta com a ajuda do sobrinho, que também trabalha na loja, mas, para o ano que vem, pretende contratar mais uma pessoa. "Quero dar oportunidade para um adolescente, de preferência uma mulher, ganhar experiência no mercado de trabalho, sem exigência de já ter trabalhado antes", diz. A ferragem opera de segunda-feira a sábado, das 9h ao meio-dia e das 14h às 19h, e aos domingos das 9h30min às 13h.

Empreendedor aposta em bar com boliche em novo shopping da Restinga

A proposta é trazer um ambiente de entretenimento para a região

"Quando se fala de negócio, se fala de oportunidade, e eu vi nesse empreendimento a oportunidade de trazer algo diferente para a Restinga", afirma Francinei Bonatto, proprietário do bar e restaurante Amuleto, que abriu em outubro no novo shopping do bairro. O empresário, que já possui experiência no ramo por tocar um negócio no Moinhos de Vento e outro em Viamão, encontrou na Restinga a possibilidade de prosperar em mais um empreendimento.
A ideia de abrir um restaurante no bairro surgiu depois de uma análise comercial e conversas com os moradores. "Notei essa necessidade, de ter um local para as pessoas se encontrarem, não só pela questão do almoço, que do ponto de vista de negócios é mais complicado, mas também pelo entretenimento, que acaba dando um retorno melhor, consequentemente", explica o empreendedor. Outro ponto que facilitou a escolha do negócio foi a localização e a segurança do Center Kan. "Tomei a decisão de fazer algo realmente diferenciado, tomando cuidado para que as pessoas não vejam como algo inacessível do ponto de vista do preço e do local", diz Francinei, que espera que o negócio ajude a trazer público para a região.
Com a proposta de ser um ambiente de encontro e entretenimento, o restaurante, que opera no horário de almoço, funcionará como bar à noite, tendo uma pista de boliche e um cardápio com petiscos e drinks. "A Restinga é bem parecida com Viamão. Tem um reconhecimento por parte dos moradores que acessam, muitas pessoas nos falam que faltava um lugar desse tipo, o próprio boliche, até por isso que optei por colocar a pista aqui", comenta o empreendedor, garantindo que a maioria dos clientes são moradores do bairro.
Sobre os outros negócios da região, o proprietário comemora a boa receptividade e acredita que novos negócios ajudam a fortalecer o comércio local. "Penso que os novos empreendimentos daqui vão qualificar bastante a região", diz. O Amuleto não leva esse nome só por ser um projeto especial para o empreendedor, mas também por surgir de uma maneira bem inusitada para Francinei.
"Quando eu comecei a tratar sobre abrir o negócio nesse ponto, fui conhecer um pessoal de Alvorada que tem boliche por lá. Um dia, fui até lá de noite para conhecer a operação. Na hora de ir embora, eu estava comentando com a minha noiva que o negócio poderia dar certo, mas que eu não tinha dinheiro para investir. Na mesma noite, um ônibus bateu na minha camionete, e aí eu vi que meu problema estava resolvido, porque se desse perda total, eu usava o dinheiro para fazer o negócio, e foi o que aconteceu", explica o empreendedor, que agora leva essa situação como uma lição de que a operação estava realmente destinada a acontecer.
O investimento no negócio foi de R$ 300 mil e a previsão de retorno é de dois anos. Atualmente, o restaurante funciona de segunda a sexta-feira, das 11h30min às 14h30min e nos fins de semana das 11h30min às 15h. Francinei tem boas expectativas para a Restinga. Para ele, o lugar tende a crescer ainda mais com os novos investimentos em infraestrutura na região.

Pai e filha consolidam floricultura presente na Restinga há 30 anos

Além das plantas, a Dois Irmãos vende os acessórios e insumos necessários para o plantio das plantas

A Floricultura Dois Irmãos foi fundada em 1991 por Linomar Costa, pai da atual proprietária da operação, Kelly Costa, 39. O espaço, que tem cerca de um hectare, conta com uma loja e uma estufa e fica localizado na avenida Ignes Fagundes, nº 161, no bairro Restinga.
Formada em administração, a empreendedora aprendeu a arte de cuidar das plantas com o pai desde criança. "Meu pai trabalhou na floricultura até 2009, quando decidiu se mudar para um sítio em Viamão, porque não queria mais trabalhar com o público. Então o espaço ficou fechado, porque na época eu trabalhava e estudava fora do bairro, mas sempre tive aquela vontade de empreender. Um dia, parei e olhei esse espaço fechado, se deteriorando, e decidi reabrir", conta.
Em 2012, Kelly fez uma reinauguração do espaço e percebeu a volta dos mesmos clientes dos pais. "Não me vejo trabalhando de outra forma. Se eu sair daqui, for embora, vou continuar trabalhando com flores", acredita a empreendedora.
Trabalhando sozinha, Kelly sabe de cor todas as etapas do negócio. "As pessoas até querem cuidar de plantas, mas não querem estar suadas, sujas de terra. Nessa área, nunca fiz cursos. Tudo que eu sei, foi vendo meus pais fazendo e ajudando. Hoje, procuro bastante informação na internet ou com o meu pai, ele sabe muito sobre plantas", orgulha-se.
Morando do lado da operação, ela conta que estar tão perto do trabalho é um ponto positivo. "Tenho tempo para cuidar dos meus pets, que eu adoto da rua, e é uma delícia, tem sempre muitos passarinhos. Claro que nós temos dificuldades como todo empreendedor. Não existe uma base de dinheiro a receber por mês, tem tempo que é muito ruim. No nosso caso, depende muito do clima, se é muito chuvoso, quem vai comprar planta no frio? Elas não crescem, é mais difícil de cuidar. E nos 40°C em janeiro e fevereiro? Está todo mundo na praia. É um trabalho que precisa se programar, fazer reservas", afirma.
Linomar ainda trabalha com plantas em seu sítio em Viamão e, com ajuda do marido de Kelly, ele cuida das maiores que estão disponíveis na floricultura. "Aqui no bairro, nós, empreendedores, temos uma troca muito grande. Acredito que a renda precisa girar aqui dentro. Estamos num lugar muito distante do centro e não tem por que sair para comprar se nós temos tudo aqui. 95% dos meu clientes são do bairro e a floricultura não é tão conhecida. Pelo menos uma vez por semana vem alguém dizendo que nunca tinha vindo aqui, isso acontece porque muitas pessoas trabalham e vivem fora da Restinga", explica.
De acordo com Kelly, a maior parte dos seus clientes são pessoas da terceira idade, que gostam de ir até lá não só pelas plantas, mas também para conversar. O espaço funciona de segunda a sábado, das 9h às 12h e das 13h30min às 18h.
"Essa troca é muito boa. O que mais compram aqui na Restinga são pés de árvores frutíferas e plantinhas com flores. Os preços delas variam de R$ 2,00 até R$ 850,00", aponta. Estão disponíveis na loja, além de plantinhas de todos os tipos, como palmeiras e suculentas, adubos variados, vasos de polietileno, de plástico, de barro e até autoirrigantes e produtos antipragas. "Sempre explico para os clientes que as plantas são alimentadas com adubo diariamente, elas precisam disso", ensina.

Empreendedora fideliza clientes em salão da Restinga há 15 anos

Há um ano em novo ponto, o espaço oferece diversos serviços relacionados à estética

É na tranquila rua David Chermann, nº 4.966, que funciona o Spazio Virginia Vieira, salão de beleza que leva o nome da empreendedora, que trabalha para resgatar a autoestima das moradoras da Restinga. Operando desde 2007, Virginia diz que, mais que ajudar na parte estética, o objetivo do negócio é retomar o apreço da vizinhança pela região. "Essa é a nossa missão no empreendedorismo, prestigiar o nosso bairro, tentar não sair, porque nós temos tudo aqui. Tentamos passar isso para o pessoal que trabalha na comunidade", destaca.
A trajetória no empreendedorismo surgiu a partir do gosto pela estética. Virgínia, que trabalhava na parte administrativa do Jornal do Comércio no fim dos anos 1990, decidiu, em 2001, dedicar-se a uma antiga paixão. "Sempre gostei muito de mexer com cabelo. Dançava em CTG, então penteava as meninas. Em 2001, fiz um curso no Senac e depois fui trabalhar em um salão, onde fiquei por seis anos e até abrir o meu empreendimento. Comecei na área de cabelo, mas aprendi a fazer pé e mão, fui aprendendo de tudo um pouco para poder ter um lucro melhor", lembra.
Há um ano em um novo ponto, a empreendedora conta que o período da pandemia foi desafiador e ocasionou a mudança de endereço. "Virou uma bola de neve, tivemos que começar tudo de novo, praticamente do zero. Tinha meu estabelecimento em outro lugar e tive que trocar porque foi aumentando o aluguel. As pessoas voltaram aos poucos por medo da doença e também por dinheiro. Mas hoje estamos trabalhando bastante e está dando para respirar de novo", conta Virginia.
A empreendedora encontrou na fidelidade da clientela o norte para seguir operando. "Tem pessoa que me acompanha há quase 20 anos", celebra. Para ela, empreender na Restinga é sinônimo de acolhimento. No entanto, Virginia afirma que não são todos os moradores que pensam desta forma.
"Hoje, não tem necessidade de sair da Restinga, tem tudo que precisa aqui dentro. Nós tentamos conscientizar as pessoas, fazer o melhor para as pessoas saberem que não precisam sair daqui para ter qualidade", diz. Virginia. "Empreender na Restinga é maravilhoso, as pessoas estão sempre nos apoiando, sempre prestigiando", afirma.
Isadora Jacoby

Isadora Jacoby - editora do GeraçãoE

Isadora Jacoby

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Adrielly Araújo

Adrielly Araújo - estagiária do GeraçãoE

Adrielly Araújo

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Duda Guerra

Duda Guerra - estagiária do GeraçãoE

Duda Guerra

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Giovanna Sommariva

Giovanna Sommariva - repórter do GeraçãoE

Giovanna Sommariva

Giovanna Sommariva - repórter do GeraçãoE

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