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Publicada em 29 de Agosto de 2024 às 16:51

Bancos e revendas de máquinas mostram cautela com vendas na Expointer

Vendas de máquinas tem marcha mais lenta, mas empresas esperam fazer negócios até sábado

Vendas de máquinas tem marcha mais lenta, mas empresas esperam fazer negócios até sábado

ALINA SOUZA/ESPECIAL/JC
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Claudio Medaglia e Roberta Fofonka
Claudio Medaglia e Roberta Fofonka
As indústrias de máquinas e implementos agrícolas vieram à 47ª Expointer com expectativas de vendas mais conservadoras em relação às edições anteriores. E, no contexto de um ano marcado pela enchente e pela baixa valorização de commodities importantes, além de um passivo de secas que reduziram as colheitas, o volume de negócios fechados ou encaminhados na mostra confirma uma postura de maior cautela por parte do produtor, mas também há negócios acontecendo.
Espelho desse comportamento pode ser verificado no discurso das instituições financeiras que estão com linhas de crédito para financiar negócios na feira e veem o produtor rural gaúcho mais retraído para a captação de crédito. Nesta quinta-feira (29), o clima era de expectativa a respeito da presença do ministro do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Paulo Teixeira. Ao lado do ministro extraordinário da reconstrução do RS, Paulo Pimenta, e do presidente do Sebrae, Décio Lima, ele detalharia as ações do novo Plano Safra para a agricultura familiar no Rio Grande do Sul e medidas de apoio à recuperação dos empreendedores urbanos e rurais atingidos pelas enchentes.
Segundo o presidente do Sicredi Central Sul, Marcio Port, os números captados pela cooperativa nesta Expointer estão 30% abaixo do ano passado (dados computados até a manhã de quarta-feira, 28). “Percebemos esse compasso de espera”, pontuou, em visita à casa do Jornal do Comércio no Parque Estadual de Exposições Assis Brasil.
A Central Sul do Sicredi abarca 38 cooperativas, espalhadas em 340 municípios gaúchos e, no Plano Safra 2032/2024, realizou 172 mil operações, liberando R$ 18,6 bilhões em financiamentos. No Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), o Sicredi financiou 63% do total de contratos realizado no Estado. É a segunda instituição de crédito que mais empresta dinheiro no Rio Grande do Sul.
Já conforme o diretor de Desenvolvimento do Banrisul, Fernando Postal, os clientes estão ativos em busca de crédito. Principalmente para operações de custeio. Estão em alta, segundo ele, financiamentos para a implantação de pivôs de irrigação, de sistemas de energia fotovoltaica e para compra de máquinas.
Em coletiva à imprensa no Parque Estadual de Exposições Assis Brasil, em Esteio, o presidente do Banrisul, Fernando Lemos, disse que o volume de negócios durante a feira está aquecido e deve chegar perto dos R$ 1,2 bilhão registrados em 2023, valor que representou crescimento de 52% em relação ao ano anterior. “Ainda não sabemos se vai superar 2023, mas chegará muito próximo, pois os negócios estão melhores do que se podia imaginar. O importante é que conseguimos viabilizar a Expointer”, disse o executivo.
Quem se surpreendeu positivamente com o comportamento dos produtores foi William Rodrigo de Sousa, coordenador regional de vendas da Jumil Máquinas Agrícolas, com sede em Batatais (SP). A empresa alcançou já na quarta-feira (28) a meta de comercialização de produtos.
“Com base no levantamento pré-evento, imaginávamos que essa não seria uma grande feira para faturar. Mas os negócios estão superando nossas expectativas iniciais. O nosso momento é de expansão na Região Sul”, diz Sousa.
A Jumil tem forte atuação no Centro-Oeste, Norte e Nordeste. Do portfólio da empresa, o destaque dos negócios na Expointer são as plantadeiras de alta tecnologia, com mais de 20 linhas de semeadura. Além das máquinas para plantio de hortaliças.
No estande da Jacto, que produz plantadeiras, pulverizadores, adubadoras e colhedoras de café, a percepção é de que o produtor está indeciso sobre novos investimentos. Isso por conta das incertezas quanto à rentabilidade da soja no mercado nos próximos meses e em 2025 e pala indefinição quanto à renegociação dos financiamentos contratados antes da catástrofe climática no RS.
Sem falar em números, o gerente comercial para a Região Sul, Rafael Brilhante, observa que as vendas neste ano estão “dentro do previsto” e que a feira é mais um ambiente para “reforçar o relacionamento” com os clientes.
Há uma demanda reprimida. O produtor está com o pé atrás, mas estamos fazendo negócios. Há recursos pelo Moderfrota, com taxas de 11,5% ao ano, melhores que as do ano passado, com prazo de sete anos para pagamento”.
Tratores de baixa potência para propriedades que desenvolvem a produção de tabaco estão entre os destaques de vendas da Valtra e da Massey Ferguson, marcas do grupo AGCO, nesta Expointer. A rentabilidade da fumicultura alimenta o entusiasmo dos produtores, que vêm efetuando compras em maior volume do que em anos anteriores, diz o coordenador comercial da Massey, Moisés Oliveira.
A orizicultura é outra atividade que vem sustentando boas expectativas para a venda de máquinas. Com a cultura em alta no mercado e a sinalização de uma intenção de plantar uma área 5,3% maior no Rio Grande do Sul, Oliveira acredita na possibilidade de entabular novas vendas ainda entre esta sexta-feira e o sábado.

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