Porto Alegre,

Anuncie no JC
Assine agora

Publicada em 02 de Setembro de 2026 às 16:19

Vice-presidente do Bradesco vê economia melhor do que o esperado para 2026

Vice-presidente do Bradesco, José Ramos Rocha Neto espera melhora do cenário no RS com safra maior e soja com preço em alta

Vice-presidente do Bradesco, José Ramos Rocha Neto espera melhora do cenário no RS com safra maior e soja com preço em alta

TÂNIA MEINERZ/JC
Compartilhe:
A economia brasileira deve encerrar 2026 com desempenho acima das projeções traçadas pelo Bradesco no início do ano, apesar dos efeitos dos juros elevados sobre a atividade. A avaliação é do vice-presidente-executivo do banco, José Ramos Rocha Neto, que vê o País em um cenário ainda de atenção, mas com perspectivas mais favoráveis para 2027.

A economia brasileira deve encerrar 2026 com desempenho acima das projeções traçadas pelo Bradesco no início do ano, apesar dos efeitos dos juros elevados sobre a atividade. A avaliação é do vice-presidente-executivo do banco, José Ramos Rocha Neto, que vê o País em um cenário ainda de atenção, mas com perspectivas mais favoráveis para 2027.

Em entrevista ao Jornal do Comércio durante evento na Casa do JC na 49ª Expointer, Rocha também defendeu responsabilidade fiscal e controle dos gastos públicos pelo próximo governo, sem aumento da carga tributária. O executivo ainda avaliou o avanço do endividamento das famílias, os impactos da política monetária e apontou uma conjuntura positiva para a economia gaúcha, que, segundo ele, pode estar diante de um "momento de inflexão".
Jornal do Comércio - O PIB cresceu 0,5% no segundo trimestre, mas desacelerou em relação ao início do ano. Isso é a economia sentindo os efeitos dos juros elevados?
José Ramos Rocha Neto - Não tenho dúvida de que esse resultado tem correlação com a taxa de juros. A política monetária terminou fazendo com que a economia desacelerasse. Mas, ao mesmo tempo, temos que olhar também pelo lado positivo: em outros momentos, movimentos de juros levaram o PIB para um cenário negativo, e não é isso que estamos enxergando agora.
JC - No ano passado, o senhor projetava 2026 como um ano de ajustes e um cenário mais favorável a partir de 2027. Essa expectativa se confirmou?
Rocha - Quando fizemos nosso orçamento, projetávamos para este ano um crescimento do PIB talvez na ordem de 0,8% ou 1%. Ou seja, esperávamos um 2026 duro. O ano continua tendo seus desafios, mas acreditamos que vamos encerrar com um PIB acima desse patamar. Então, o cenário está sendo melhor do que esperávamos. Ainda abaixo do que gostaríamos, mas melhor do que esperávamos. E acredito que 2027 será um ano melhor do que 2026. Estamos bastante otimistas.
JC - Como as eleições de 2026 entram nesse cenário econômico? O que o mercado espera do próximo governo?
Rocha - A eleição é um momento de reflexão para a população, que tem no voto o poder de fazer suas escolhas. Estamos bastante otimistas com o que vai acontecer, independentemente de haver continuidade ou troca de governo. Continuamos otimistas com o futuro do Brasil.
JC - E, especificamente na área fiscal, o que o próximo governo precisará fazer?
Rocha - Esperamos bastante responsabilidade com a questão fiscal. Se os gastos saem de controle, isso acaba se refletindo na inflação, que corrói a renda da população. Esperamos responsabilidade, controle dos gastos e boa utilização dos recursos públicos, com mecanismos para que as despesas fiquem enquadradas dentro da arrecadação e sem aumento da carga tributária. A carga tributária está muito pesada no País. Preferencialmente, precisamos reduzi-la para estimular o setor produtivo.
JC - O endividamento e a inadimplência das famílias estão elevados. Isso vem exigindo maior cautela dos bancos na concessão de crédito?
Rocha - Temos que separar o tamanho do endividamento do comprometimento da renda. De fato, o endividamento das famílias está em patamares elevados, mas o comprometimento da renda ainda não atingiu níveis técnicos que consideraríamos de elevado risco. É um ponto de atenção e exige cautela. A inflação compromete parte da renda e existem outros fatores que também influenciaram, como as bets. Por outro lado, temos níveis de emprego bastante positivos, o que mantém a geração de renda e a economia rodando. No crédito imobiliário, por exemplo, os desembolsos neste ano deverão superar os do ano passado. É uma linha de longo prazo e custo mais baixo, que acaba cabendo no comprometimento da renda.
JC - E como o senhor enxerga o momento da economia gaúcha?
Rocha - No Rio Grande do Sul, especificamente, vemos uma conjuntura positiva. A produção de soja, que chegou a um piso de 14 milhões de toneladas, foi de (quase) 19 milhões (de toneladas na safra 2025/2026) e tinha previsão de alcançar 21 milhões neste ano (2026/2027). O preço da saca também saiu de patamares de R$ 80, R$ 90 e R$ 100 para cerca de R$ 160. Para um Estado que sofreu muito nos últimos cinco anos, quem sabe estejamos diante de um momento de inflexão.

Notícias relacionadas