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Publicada em 02 de Setembro de 2026 às 15:04

Indefinição sobre renegociação das dívidas rurais freia tomada de crédito

Criar condições para que produtores retomem crédito com segurança desafia cenário

Criar condições para que produtores retomem crédito com segurança desafia cenário

Wenderson Araujo/CNA Agro/Divulgação/JC
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Ana Esteves
Especial para o JC

A insegurança dos produtores rurais em relação à renegociação das dívidas e à operacionalização das medidas anunciadas pelo governo federal está freando a movimentação de crédito e a comercialização na Expointer 2026. Os primeiros cinco dias da mostra foram considerados fracos e a expectativa é de uma definição sobre a renegociação das dívidas ocorra ainda durante a feira, permitindo que os produtores retomem as decisões com maior previsibilidade.
Ana Esteves
Especial para o JC
A insegurança dos produtores rurais em relação à renegociação das dívidas e à operacionalização das medidas anunciadas pelo governo federal está freando a movimentação de crédito e a comercialização na Expointer 2026. Os primeiros cinco dias da mostra foram considerados fracos e a expectativa é de uma definição sobre a renegociação das dívidas ocorra ainda durante a feira, permitindo que os produtores retomem as decisões com maior previsibilidade.

LEIA MAIS : Renegociação de dívidas rurais avança nos bancos

“Espero que nos próximos dias chegue uma conclusão definitiva para que os produtores possam saber exatamente aquilo que podem obter ou não obter”, disse o presidente do Banrisul, Fernando Lemos.
O executivo acrescentou que a indefinição também afeta o Plano Safra, que estaria com a execução praticamente paralisada diante das dúvidas dos produtores sobre como proceder. “É preciso que o governo federal dê uma definição imediatamente para que os produtores saibam o que eles podem fazer e as instituições financeiras possam começar a operar”, afirmou.
O desafio, segundo ele, é criar condições para que os produtores retomem os investimentos e o crédito com maior segurança. “Os produtores estão cautelosos com razão”, disse.
Além das incertezas financeiras, Lemos aponta outro fator que contribui para a prudência nas decisões de investimento: a rápida evolução tecnológica no campo. Na avaliação dele, o avanço da Inteligência Artificial deverá provocar mudanças importantes nas máquinas e nos sistemas utilizados na produção rural, o que pode fazer com que produtores adiem a compra de equipamentos. “Há uma mudança de tecnologia que está vindo aí que não é recomendável sair comprando máquina agora. A inteligência artificial vai modificar tudo”, afirmou.
Como os investimentos em máquinas são elevados, a avaliação é de que o produtor deve acompanhar as novidades antes de comprometer recursos. Nesse cenário, Lemos avalia que a Expointer vem assumindo cada vez mais um papel de feira de conhecimento e prospecção, além da tradicional função de espaço para negócios. 
O Banrisul não estabeleceu uma meta específica de crédito para a Expointer, mas chega à feira com recursos e operações preparados para atender os produtores. Segundo ele, cerca de R$ 4,5 bilhões estão relacionados a operações enquadráveis nas medidas de renegociação, enquanto a carteira de custeio que precisa ser renovada supera R$ 4 bilhões. Somados, os dois montantes representam aproximadamente R$ 8,5 bilhões, sem considerar os financiamentos para investimentos em máquinas e equipamentos, que, na avaliação do executivo, deverão ser menores neste momento. Lemos afirmou que o banco já deixou as operações de crédito pré-aprovadas e aguarda apenas a definição das condições e os procedimentos para colocá-las em operação.
“Estamos preparados. Todos os nossos créditos estão pré-aprovados, está tudo pronto. Só falta a parte operacional”, afirmou.
Mesmo diante do cenário adverso, o Banco do Brasil mantém a projeção de superar R$ 1 bilhão em intenções de financiamentos para esta edição da Expointer. “Estamos trabalhando para alcançar esse objetivo e melhorar a conversão de intenções em negócios”, afirma o superintendente Varejo do BB no Rio Grande do Sul, Ricardo Sehn.
Entre as linhas mais procuradas até o momento está o Move Agrícola para médios e grandes produtores em máquinas e implementos, e a agricultura familiar com o Pronaf Mais Alimentos, também em máquinas e implementos, que têm apresentado procura superior ao ano passado. O executivo informa que o cenário de endividamento e de incerteza faz com que o Banco do Brasil atue de forma personalizada, com alternativas para renegociações, seja pela MP 1.376 ou, quando cliente é não elegível, outras alternativas de renegociação com recursos próprios. “Mas também temos uma parcela significativa de clientes que tem procurado novos investimentos”, aponta.

Procura por contratações foi pequena nos primeiros dias da feira

O presidente da Central Sicredi Sul/Sudeste, Márcio Port, diz que nos primeiros dias de feira a procura diretamente no parque foi pequena. “Percebemos um público menor circulando na feira, mas sabemos que o produtor deixa para vir para Expointer nos últimos dias. Ainda não temos um levantamento das contratações durante a mostra”, diz.
O Sicredi liberou R$ 5,6 bilhões no primeiro mês do Plano Safra 2026/2027, 6% a mais do que o montante liberado no mesmo período do ano passado, quando foram concedidos R$ 5,3 bilhões. No total foram R$ 22 bilhões em crédito rural no Rio Grande do Sul durante o Plano Safra 2025/26, encerrado em 30 de junho, o que manteve a liderança na concessão de recursos para o setor no Estado. O volume corresponde a 34% de todo o crédito rural liberado pela instituição no território gaúcho e representa, pelo segundo ano consecutivo, a maior participação entre as instituições financeiras. Em todo o País, o Sicredi liberou R$ 69 bilhões no ciclo.
Para o diretor vice-presidente do Bradesco, José Ramos Rocha Neto, o agronegócio gaúcho começa a dar sinais de recuperação, com a valorização da soja e da pecuária, cenário que pode favorecer a retomada dos investimentos, inclusive na renovação de máquinas e implementos agrícolas. No entanto, o executivo defende cautela e condições de crédito compatíveis com a realidade dos produtores. “Ninguém vai pagar uma conta de cinco anos em um ano”, afirmou, ao comentar as renegociações de dívidas rurais.
O diretor também destacou o impacto da taxa de juros sobre um setor dependente de financiamento. Apesar do cenário ainda restritivo, vê sinais positivos com a perspectiva de redução dos juros. Para ele, 2027 poderá representar um ano melhor para o Estado. “Esse momento pode estar sendo agora”, avaliou, reforçando que o Bradesco pretende permanecer próximo dos agricultores gaúchos.
O BRDE anunciou a aprovação de R$ 35 milhões em financiamentos durante a Expointer 2026. Os recursos serão destinados às empresas Alisul Alimentos, de São Leopoldo, e Brita Ouro Preto, de Santa Cruz do Sul, com projetos voltados à modernização, inovação e sustentabilidade. “Operações demonstram a confiança do setor empresarial no potencial do Estado para novos investimentos”, afirmou o secretário de Desenvolvimento Econômico, Leandro Evaldt.
Do total, R$ 25 milhões serão destinados à Alisul para a modernização da planta industrial de produção de rações animais. O projeto inclui um novo centro de distribuição, com automação da logística por meio de robôs móveis, além da instalação de uma caldeira movida a cavaco de madeira e biocombustíveis, reduzindo o uso de combustíveis fósseis. Os outros R$ 10 milhões serão destinados à mineradora Brita Ouro Preto para a modernização do parque industrial em Santa Cruz do Sul. O projeto permitirá a produção de remineralizador de solo, conhecido como pó de rocha, utilizado na agricultura para reposição de nutrientes e melhoria das condições do solo.
A instituição também celebrou a aprovação de uma linha de financiamento no valor de R$ 30 milhões para a Cooperativa Tritícola Espumoso Ltda (Cotriel) e o primeiro financiamento do programa CrediTur RS, que contemplou o hotel fazenda Acqua Lokos, localizado em Capão da Canoa, no Litoral Norte, que acessou a R$ 500 mil para manutenção de suas atividades.

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