A fabricante de biocombustíveis Be8 apresentou nesta segunda-feira (31) atualizações do projeto industrial de R$ 1,5 bilhão que está sendo desenvolvido em Passo Fundo. Conforme o presidente da empresa, Erasmo Battistella, cerca de 80% das obras já foram realizadas. A previsão de início das operações de fabricação segue sendo estimada para o próximo mês de março, embora o armazenamento de matérias-primas inicie antes, ao final de 2026.
“Estamos recebendo as últimas grandes peças. Temos equipamentos que chegaram no Porto Paranaguá e que estão em deslocamento também. Estamos comprometidos para já estarmos produzindo em março”, afirmou Battistella. A indústria deverá ser a primeira a produzir glúten vital no Brasil, além de gerar 210 milhões de litros de etanol e de 153,2 milhões de DDGS (Grãos Secos de Destilaria com Solúveis) por ano. Como subproduto, o CO2 será purificado e destinado a fabricantes do setor de bebidas.
A expectativa é de que o projeto favoreça as culturas de inverno gaúchas. Especialmente, o trigo — que pode ter um aumento de 20% na produção para atender à demanda gerada pela usina — e o triticale. Foi, inclusive, desenvolvida uma cultivar de trigo específica para ser utilizada no projeto, a BS Etanol 8. Em parceria com a Biotrigo Genética, ela foi criada especificamente com altos teores de amido e proteína para atender à produção industrial de etanol e DDGS. E já será possível comercializar a atual safra cultivada em território gaúcho.
“Continua a opção de vender para o moinho, para a produção de alimentos. Continua tendo a opção de exportar. Mas, a partir dessa safra, já será possível vender também para a indústria de energia. A fábrica já vai estar pronta para adquirir trigo dessa safra, em outubro e novembro, quando estiver acontecendo a colheita, já vamos estar armazenando. Já temos uma área de quase 50 mil hectares plantada e cultivada em parceria com produtores do Estado”, explica o empresário.
Atualmente, Passo Fundo é a sexta maior economia do Rio Grande do Sul. E a previsão é de que o projeto possa incrementar ainda mais o Produto Interno Bruto (PIB) da cidade, embora as estimativas ainda estejam sendo calculadas.
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É o maior investimento privado da história da Região Norte e da cidade. Vai trazer uma dinâmica de geração de PIB ainda maior. Porque vamos deixar de importar etanol, produzindo o nosso próprio combustível e agregando valor à matéria-prima produzida regionalmente. Vamos ter avanços, trazer muitas tecnologias, da Alemanha, da Itália, da China e dos Estados Unidos que não existiam no Rio Grande do Sul ainda e que estão sendo implantadas por nós. Isso vai disseminar muito conhecimento também”, avalia Battistella.
Projeto de hidrogênio verde também avança
Junto à planta fabril, é esperado o desenvolvimento de um projeto de hidrogênio verde (H2V). “É uma parceria com o Estado, já adquirimos a tecnologia, e é a fábrica que vai produzir. Estamos fechando agora a importação de dois caminhões que vão rodar com esse combustível e, inclusive, ajudar a distribuir o etanol. Nossa expectativa é de que até o final de 2027 tudo esteja pronto, já produzindo. Temos o biocombustível ainda por décadas, mas no futuro o hidrogênio vai ser uma molécula muito utilizada na matriz energética”, destacou o industrial.
O projeto de hidrogênio verde conta com investimento total de R$ 38,7 milhões, sendo R$ 29,7 milhões em subvenção do governo estadual a partir do Badesul e R$ 8,9 milhões de contrapartida da empresa. A expectativa é de produzir a fonte de energia renovável e construir o primeiro posto de abastecimento do País voltado ao transporte de cargas com tecnologia de ponta e utilização do H2V.
Biocombustível patenteado é apresentado ao agronegócio
Além da atualização sobre a fábrica de etanol, glúten vital, CO2 e DDGS, Battistella também levou à feira agrícola o biocombustível patenteado Be8 BeVant, que pode substituir integralmente o diesel convencional sem a necessidade de adaptação em motores e reduzindo as emissões de GEE em 99%. As soluções de descarbonização das operações do agronegócio, como essa, deverão ser uma das apostas da empresa ao longo da Expointer.
“Temos como foco trazer para a feira o trabalho que estamos fazendo e também a importância dos biocombustíveis na matriz energética e no momento climático que estamos passando. Infelizmente, o Rio Grande do Sul é um Estado que tem sofrido na pele os efeitos das mudanças climáticas. O planeta pede socorro. Estamos vivenciando o El Niño que tende a ser um dos mais desafiadores da história. E trazemos a importância da agricultura para o RS na Expointer a partir desses dois grandes projetos que estamos fazendo”, destacou Battistella.