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Publicada em 31 de Agosto de 2026 às 13:30

Área plantada com arroz cairá ao menos 3,4% no RS, aponta Irga

49ª Expointer teve coletiva de imprensa do Irga nesta segunda-feira

49ª Expointer teve coletiva de imprensa do Irga nesta segunda-feira

Fernanda Bigio Davoglio/Especial/JC
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Claudio Medaglia
Claudio Medaglia Repórter
A área plantada com arroz irrigado deve encolher pelo terceiro ciclo consecutivo no Rio Grande do Sul. A intenção de semeadura para a safra 2026/27 é de 861,8 mil hectares, queda de 3,4% frente aos 891,9 mil hectares cultivados no ciclo passado, conforme levantamento de intenção de semeadura apresentado pelo Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga) nesta segunda-feira, durante a Expointer.
A área plantada com arroz irrigado deve encolher pelo terceiro ciclo consecutivo no Rio Grande do Sul. A intenção de semeadura para a safra 2026/27 é de 861,8 mil hectares, queda de 3,4% frente aos 891,9 mil hectares cultivados no ciclo passado, conforme levantamento de intenção de semeadura apresentado pelo Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga) nesta segunda-feira, durante a Expointer.
Mas o corte deve ser ainda maior. A projeção inicial já está cerca de 60 mil hectares abaixo da intenção anunciada na primeira estimativa do ciclo anterior, de aproximadamente 920 mil hectares. Ao final, foram plantados 891,9 mil hectares. Agora, dirigentes do Irga avaliam que parte da área projetada também pode não chegar às lavouras.
“Essa área não vai se consolidar, eu tenho certeza disso. Vai ficar um pouco abaixo ou talvez até um tanto abaixo”, afirmou o diretor comercial do Irga, Juandres Antunes. Segundo ele, a redução reflete a crise enfrentada pela cadeia, embora possa contribuir para diminuir a pressão sobre os preços.
A incerteza sobre a área se soma às dificuldades para projetar quanto arroz o Estado conseguirá colher. A diretora técnica do Irga, Flávia Tomita, evitou antecipar uma estimativa de produção diante de variáveis ainda abertas, principalmente as condições de financiamento da lavoura, a época em que a semeadura poderá ser realizada e os efeitos esperados do El Niño.
A preocupação é que a combinação entre crédito restrito e clima adverso comprometa também a produtividade. Parte dos produtores ainda não sabe em que condições conseguirá adquirir fertilizantes, sementes e defensivos. Ao mesmo tempo, a perspectiva de chuvas mais frequentes durante a primavera pode atrasar a implantação das lavouras e empurrar o cultivo para fora da janela considerada ideal.
Tomita explica que o atraso da semeadura reduz progressivamente o potencial produtivo. Em um cenário de El Niño, o excesso de chuvas também pode diminuir a luminosidade disponível para as plantas durante etapas importantes do desenvolvimento. “A chance de a gente ter problema com produtividade é bastante grande”, alertou a diretora técnica.
A disponibilidade de recursos para manter o nível tecnológico das lavouras foi destacada também pelo secretário estadual da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação, Márcio Madalena. Segundo ele, as dificuldades recentes de crédito mostraram o impacto que a menor capacidade de investimento pode provocar na tecnologia empregada pelo produtor.
O presidente da Farsul, Domingos Velho Lopes, acrescentou que a restrição não está limitada às instituições financeiras. Conforme o dirigente, revendas, cooperativas e cerealistas também vêm reduzindo crédito, operações de barter e financiamento para capital de giro. Já o presidente da Federarroz, Denis Dias Nunes, avaliou que a definição da área dependerá das próximas semanas, especialmente do avanço das renegociações de dívidas e da disponibilidade de recursos para o novo ciclo.
A redução projetada alcança todas as seis regiões arrozeiras do Estado. A maior queda proporcional aparece na Planície Costeira Interna, de 5,5%, onde a área passa de 137,5 mil para 129,9 mil hectares. Em números absolutos, a maior retração ocorre na Fronteira Oeste: são cerca de 9,4 mil hectares a menos, de 257 mil para 247,6 mil. A Região Central apresenta a menor variação, de 1,1%, situação atribuída à dificuldade de substituir o arroz por outras culturas em áreas baixas e com problemas de drenagem.
A menor possibilidade de diversificação ajuda, inclusive, a explicar por que a intenção de plantio não caiu mais diante da situação financeira do setor. Outro fator é a presença de produtores arrendatários, especialmente em algumas regiões, que precisam manter a atividade para cumprir compromissos assumidos com os proprietários das terras.
Em sentido diferente do arroz, a soja deve praticamente manter o espaço ocupado nas terras baixas. O Irga projeta 431 mil hectares em 2026/27, contra 436,8 mil hectares no ciclo anterior, redução de apenas 1,3%. O instituto considera a oleaginosa consolidada como sistema de rotação com o arroz irrigado.
A retração do arroz também traz uma perspectiva de menor pressão sobre os preços na próxima colheita. Antunes lembrou que produtores chegaram a comercializar o grão abaixo de R$ 60 por saca neste ano, enquanto estima o custo médio de produção em aproximadamente R$ 80. Com menor oferta, o diretor comercial espera preços menos deprimidos na próxima safra.
O presidente do Irga, Alexandre Velho, relacionou a sequência de redução da área à perda de rentabilidade, aos custos de produção e ao endividamento do setor. Para ele, os números servem de alerta sobre a capacidade de manutenção dos produtores na atividade. Com a própria área ainda sujeita a revisão e riscos adicionais sobre a produtividade, o tamanho da safra 2026/27 permanece em aberto.

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