Campo embarrado, chuva torrencial, time voltando de um mês parado, jogador vomitando em campo, goleiro questionado se consagrando, treinador vestido de ninja na beira do campo, vitória com gol de centroavante clássico. Em resumo: uma típica noite de Copa Libertadores da América.
A vitória do Grêmio diante dos chilenos do Huachipato, na noite de terça-feira (5), pelo quinto jogo da fase de grupos do torneio continental, garantiu a classificação tricolor para as oitavas de final da competição e reforçou a imagem gremista como um clube afeito à pelejas deste tipo.
Senão vejamos.
Quem diria que um time que começou o campeonato com duas derrotas seguidas estaria classificado para a fase seguinte com um jogo de antecipação e ainda podendo ser líder do grupo?
Quem diria que esse time conseguiria isso após ficar um mês parado, com jogadores com água pela cintura ajudando pessoas ilhadas pelas enchentes e com toda a sua estrutura - estádio, materiais, campos de treinamento – inutilizados por tempo indeterminado?
Quem diria que a classificação viria com duas vitórias fora de casa, uma na Argentina com um jogador a menos e os guris – aqueles mesmo que caminhavam no meio da inundação – fazendo a diferença, e a outra em condições inóspitas para jogar futebol, com a redenção de dois jogadores deveras criticados – Rodrigo Ely e Marchesin – e gol do centroavante que foi a terceira ou quarta opção da direção?
Pois o Grêmio parece ter sido forjado para situações como essas, para as adversidades, para o improvável. E assim é essa vaga nas oitavas de final da Libertadores, improvável diante das circunstâncias que se apresentaram no meio do caminho.
Dentro de campo, o time não fez uma atuação primorosa – e como fazê-lo com aquelas condições de jogo? Sofreu e se não fosse a atuação de seu goleiro não teria vencido o duelo. Mas é disso que se fazem histórias que serão lembradas muitos e muitos anos depois.
Difícil saber até onde o time de Renato Portaluppi poderá ir nessa Libertadores. Pode cair na próxima fase, pode avançar e ganhar musculatura para se credenciar a algo maior. Não se sabe. O que é sabido, porém, é que essa já é uma daquelas Libertadores que serão lembradas pela torcida gremista, uma Libertadores escrita no barro em típicas noites de Copa.
Um erro bizarro que obriga o Inter a vencer para seguir na Sul-Americana
O Inter foi muito, mas muito superior ao Real Tomayapo na noite desta terça-feira, pela quinta rodada da fase de grupos da Copa Sul-Americana, e faltou apenas um gol para o Colorado poder jogar pelo empate contra os equatorianos do Delfin, na última rodada, para avançar à fase de playoffs.
Esse gol deveria ter vindo pelos pés de Maurício, aos 21 do segundo tempo, mas a arbitragem consultou o VAR e marcou um esdrúxulo impedimento na origem do lance. Aos 40, foi de Alário, em cobrança de pênalti, a chance de fazer mais um, mas o centroavante perdeu.
Agora, o Inter joga pela vitória, no sábado, às 21h30min, no Alfredo Jaconi, para seguir no torneio. Com o estádio lotado, a tarefa não parece ser muito inglória, mas é preciso manter o foco.