Em 2010, Sandra Bullock, famosa por filmes de comédia, venceu o Oscar de melhor atriz por sua atuação no filme Um Sonho Possível. Na história, um casal rico ajuda um jovem pobre a se tornar uma estrela do futebol americano. Pois, 13 anos depois, o Grêmio de Renato Portaluppi vive o seu sonho (quase) impossível no Campeonato Brasileiro. Faltando seis rodadas para o fim da competição, a equipe gaúcha, que quase deixou o grupo que se classifica a Libertadores da América, bateu o Bahia no sábado, engatou quatro vitórias seguidas e ainda acredita na conquista do título, mesmo que as chances sejam bem pequenas.
Este texto está sendo escrito cerca de meia hora antes de o líder Botafogo entrar em campo contra o desesperado Vasco. Portanto, ao final da rodada, os gaúchos podem ficar a três pontos dos cariocas – em caso de vitória vascaína – ou a seis, em caso de triunfo do time do artilheiro Tiquinho Soares.
Uma derrota do Botafogo no clássico colocaria o tricolor do RS de vez na briga pela taça, ainda que a equipe da estrela solitária permaneça com um jogo a menos no campeonato. Caso esse cenário se estabeleça, a Renato e seus comandados irão jogar a vida e o sonho na noite de quinta-feira (9), quando encaram o Fogão no estádio São Januário. Uma vitória fora de casa deixaria o Tricolor com o mesmo número de pontos do time carioca.
Essa combinação – vitória do Vasco na noite desta segunda-feira e vitória gremista na quinta – não é impossível de ocorrer. São resultados plausíveis. Daí se entende uma certa tensão por parte da torcida do Grêmio, que tenta não acreditar que dá para faturar o título, mas não consegue deixar de imaginar Suárez desfilando no caminhão de Bombeiros pela cidade carregando a taça nas mãos.
O grande obstáculo, porém, veste verde e fala português com um carregado sotaque. O Palmeiras de Abel Ferreira vem de cinco vitórias seguidas, embalou de vez na reta final da competição, já tem o mesmo número de pontos do Botafogo, e conta com a força mental de um grupo acostumado a vencer e que parece estar sedento por atropelar o líder e ser campeão mais uma vez.
Se tivesse que fazê-lo, este jornalista apostaria que o Verdão será o campeão brasileiro deste ano. O momento e o histórico apontam para isso. O futebol, entretanto, é imprevisível. Coisas estranhas e inesperadas acontecem e mudam o rumo da história. Assim, o Grêmio e os gremistas devem continuar céticos a respeito do título, mas sem deixar apagar aquela centelha que, lá no fundo, segue viva e queimando, dizendo que dá, ainda dá, e é preciso acreditar sempre.
O bipolar Inter de Eduardo Coudet
Depois de dois péssimos resultados no Beira-Rio contra os dois últimos colocados na classificação e um jogo fora de casa contra um adversário direto na briga contra o Z-4, a torcida colorada já estava fazendo as contas de quantos pontos o time precisa para não correr sério risco de ser rebaixado. Eis que o time de Eduardo Coudet, surpreende a todos e vence o Cruzeiro com autoridade, no Mineirão, e praticamente chuta para longe de vez o fantasma da Série B.
Essa bipolaridade colorada precisa ser resolvida na próxima temporada se o clube quer quebrar o jejum de títulos importantes. Conquistas exigem regularidade, confiança, e não um sobe e desce constante. Missão para a direção que assumir o clube no próximo ano - seja ela a mesma ou uma nova.