O Litoral Norte gaúcho tem se mostrado uma potência econômica que não pode ser ignorada. Nos últimos anos, o crescimento populacional fez com que os setores de serviço, construção, educação e saúde, por exemplo, registrassem maior demanda.
Imobiliárias assistiram a uma mudança de cenário repentina, sobretudo em 2020 e 2021, período da pandemia da Covid-19. Desde então, a procura por moradia fixa fora dos centros urbanos vem crescendo, especialmente as que oferecem espaços de lazer.
Além dos aposentados, que já faziam esse movimento de migração, na última década famílias mais jovens começaram a trocar o endereço urbano pela praia. De acordo com o Censo Demográfico de 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), algumas das 23 cidades que compõem a região registraram mais de 50% de aumento na população.
Esse movimento migratório foi, mais uma vez, sentido durante as enchentes históricas de maio no Rio Grande do Sul. Muitas das pessoas que rumaram ao litoral para fugir das águas, decidiram fixar residência. Para acolher esses moradores, as cidades vêm passando por mudanças para que demandas nas áreas de saúde e educação, por exemplo, não extrapolem a capacidade local.
São demandas em diferentes frentes que requerem a modificação da estrutura dos municípios. Alguns, inclusive, estão revisando ou já revisaram seus Planos Diretores e de saneamento básico, abrindo caminho para uma mudança no cenário urbanístico a médio e longo prazo.
Diante disso, o setor de construção civil busca aproveitar o aquecimento do mercado. Conforme o Sindicato das Indústrias da Construção Civil do Estado (Sinduscon-RS), é do Litoral Norte o posto de segundo maior mercado imobiliário gaúcho, ao passar de R$ 3 bilhões em Valor Geral de Vendas no acumulado dos seis primeiros meses de 2024, ficando atrás apenas de Porto Alegre e Região Metropolitana.
Para este segundo semestre e para 2025, o sindicato projeta um crescimento médio de 10% como um todo. Por isso, tanto o setor de construção civil, quanto o seu dependente direto, o imobiliário, estão otimistas sobre suas performances para os próximos anos.
Paralelamente, não se pode desviar a atenção da questão ambiental. O boom de novos empreendimentos imobiliários deve ser sempre acompanhado por incremento na infraestrutura de saneamento. O futuro do Litoral Norte gaúcho depende que os novos projetos se guiem pela sustentabilidade.