As bebidas sem açúcar e sem álcool estão conquistando mais espaço nas compras dos brasileiros, mesmo custando mais caro do que as versões tradicionais. Energéticos, refrigerantes, espumantes e cervejas estão entre os destaques desse movimento.
Um levantamento da Neogrid, ecossistema de tecnologia e inteligência de dados, identificou o crescimento dessas categorias nas notas fiscais entre 2024 e 2026. No período, os energéticos zero caloria registraram o maior avanço entre os segmentos analisados, passando de 12,2% para 20,6%. Nos refrigerantes, a participação das versões zero subiu de 18,6% para 22,5%. Já os isotônicos passaram de 0% para 1,2%.
A expansão ocorre mesmo diante da diferença de preços nas prateleiras. Em 2026, os energéticos com restrição de ingredientes custavam, em média, 14,4% a mais por litro do que os tradicionais. Nos refrigerantes, a diferença chegava a 20,5%. Entre os isotônicos, o preço por litro das versões alternativas era 110,4% superior, enquanto nos produtos à base de soja o acréscimo era de 56,3%.
Os valores mais elevados, no entanto, não impediram o aumento dos gastos em algumas categorias. O tíquete médio dos refrigerantes sem adição de sacarose passou de R$ 12,50, em 2024, para R$ 14,06, em 2026, uma alta de 12,5%. Entre os energéticos, o valor avançou de R$ 13,18 para R$ 13,89, crescimento de 5,4%.
Para Antonia Cunha, docente e nutricionista do UniSenac no Campus de Porto Alegre, a procura por essas bebidas está relacionada à tentativa de conciliar escolhas alimentares com o prazer de consumir determinados produtos.
“O crescimento é impulsionado pela busca por substituições mais saudáveis, sem abrir mão do sabor e do prazer de consumir essas bebidas. As principais motivações incluem a redução do consumo de açúcar e calorias, o gerenciamento do peso e o desejo de manter uma vida social, como no caso da cerveja sem álcool, sem os efeitos negativos do álcool ou do excesso de açúcar”, afirma.
Segundo a nutricionista, o principal público consumidor inclui adultos jovens e de meia-idade, praticantes de atividades físicas e pessoas que seguem dietas com restrição de calorias ou carboidratos.
A escolha também pode estar associada à busca por maior controle sobre a rotina, sem que seja necessário abrir mão da vida social. Ainda há parte dos consumidores que atribui valor adicional às características desses produtos e aceita pagar mais por eles.