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Publicada em 03 de Novembro de 2026 às 20:48

Bebidas zero ganham espaço no mercado, apesar dos preços mais altos

Mudança nos hábitos de consumo amplia procura por alternativas nas gôndolas

Mudança nos hábitos de consumo amplia procura por alternativas nas gôndolas

Fernanda Bigio Davoglio/Especial/JC
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As bebidas sem açúcar e sem álcool estão conquistando mais espaço nas compras dos brasileiros, mesmo custando mais caro do que as versões tradicionais. Energéticos, refrigerantes, espumantes e cervejas estão entre os destaques desse movimento.

Um levantamento da Neogrid, ecossistema de tecnologia e inteligência de dados, identificou o crescimento dessas categorias nas notas fiscais entre 2024 e 2026. No período, os energéticos zero caloria registraram o maior avanço entre os segmentos analisados, passando de 12,2% para 20,6%. Nos refrigerantes, a participação das versões zero subiu de 18,6% para 22,5%. Já os isotônicos passaram de 0% para 1,2%.
A expansão ocorre mesmo diante da diferença de preços nas prateleiras. Em 2026, os energéticos com restrição de ingredientes custavam, em média, 14,4% a mais por litro do que os tradicionais. Nos refrigerantes, a diferença chegava a 20,5%. Entre os isotônicos, o preço por litro das versões alternativas era 110,4% superior, enquanto nos produtos à base de soja o acréscimo era de 56,3%.
Os valores mais elevados, no entanto, não impediram o aumento dos gastos em algumas categorias. O tíquete médio dos refrigerantes sem adição de sacarose passou de R$ 12,50, em 2024, para R$ 14,06, em 2026, uma alta de 12,5%. Entre os energéticos, o valor avançou de R$ 13,18 para R$ 13,89, crescimento de 5,4%.
Para Antonia Cunha, docente e nutricionista do UniSenac no Campus de Porto Alegre, a procura por essas bebidas está relacionada à tentativa de conciliar escolhas alimentares com o prazer de consumir determinados produtos.
“O crescimento é impulsionado pela busca por substituições mais saudáveis, sem abrir mão do sabor e do prazer de consumir essas bebidas. As principais motivações incluem a redução do consumo de açúcar e calorias, o gerenciamento do peso e o desejo de manter uma vida social, como no caso da cerveja sem álcool, sem os efeitos negativos do álcool ou do excesso de açúcar”, afirma.
Segundo a nutricionista, o principal público consumidor inclui adultos jovens e de meia-idade, praticantes de atividades físicas e pessoas que seguem dietas com restrição de calorias ou carboidratos.
A escolha também pode estar associada à busca por maior controle sobre a rotina, sem que seja necessário abrir mão da vida social. Ainda há parte dos consumidores que atribui valor adicional às características desses produtos e aceita pagar mais por eles.

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