O preço do quilo do tomate italiano nas Centrais de Abastecimento do Rio Grande do Sul (Ceasa-RS) alcançou a cotação máxima de R$ 12,00 e de R$ 12,50, no caso do tipo longa vida. Em outubro do ano passado, os mesmos produtos custavam, na máxima, R$ 5,00 e R$ 3,75, uma alta de 140% e 230%, respectivamente. A elevação significativa nos preços vem sendo justificada pelo inverno rigoroso no Rio Grande do Sul e as chuvas ocasionadas pelo fenômeno El Niño que atrasou o plantio no Estado.
Conforme o engenheiro agrônomo e coordenador técnico estadual de olericultura na Emater-RS, Gervásio Paulus, as chuvas acima da média, os dias ventosos, o frio prolongado e a pouca luminosidade - fenômenos comuns no inverno gaúcho - sensibilizaram e impossibilitaram o plantio do tomate no Estado.
A hortaliça, tão comum na cozinha diária dos gaúchos, precisa de calor e incidência solar para florescer e amadurecer, e a falta desses elementos impede a germinação e o desenvolvimento do fruto. E para não perder a produção, os horticultores atrasaram os plantios. Os tomates consumidos nesta época do ano deveriam ser produzidos em julho, mas tiveram cerca de um mês de atraso na colheita, segundo a Emater-RS. Com uma baixa produção regional, o Rio Grande do Sul agora passa a depender de outros estados para abastecer seus mercados, fruteiras e restaurantes.
Apuração da Ceasa-RS para o Jornal do Comércio mostra que 50% do tomate italiano vendido no Estado vem do Espírito Santo, e 31,25% de São Paulo. Já o longa vida, 44% é capixaba, 31% paulista e 12% goiano. “A Ceasa tem dois tipos de comercialização. Tem o galpão do produtor, que é onde os produtores vendem, e tem as empresas atacadistas. Hoje, o mercado do tomate está ocorrendo nessas empresas atacadistas, o produtor é significativamente irrelevante. Se dependêssemos só dos nossos produtores nessa época do ano, não teríamos tomate no mercado”, explica Léo Omar Marques, também engenheiro agrônomo e gerente técnico da Ceasa-RS. No momento, além da baixa produção gaúcha, os demais estados passam por entressafra, o que também diminui a oferta.
Com dependência no mercado externo, outros fatores acabam influenciando o valor que chega ao consumidor final. Apesar do preço elevado no Sul, a alta do tomate é observada em todo o País, e, somado ao frete, a conta só aumenta. A Associação Gaúcha de Supermercados (Agas) aponta que a elevação tem sido observada em todo o Estado. E defende que, apesar do consumidor atento aos preços, a venda tem caído nas últimas semanas. “Os supermercados sempre buscam alternativas para garantir competitividade. Hoje, o consumidor está mais atento do que nunca e a concorrência é muito forte, portanto, os maiores interessados em garantir um preço competitivo somos nós, supermercadistas. Mas a oferta do tomate caiu devido ao clima, e o preço acabou subindo”, esclarece o presidente da Associação, Lindonor Peruzzo Júnior.
Marques, da Ceasa-RS, e Paulus, da Emater-RS, concordam com uma previsão de queda nos preços: deve acontecer na primeira semana de novembro. Conforme as entidades, pela perecibilidade do fruto, os preços não se sustentam em alta por muito. As temperaturas em elevação nesta época do ano devem contribuir para a normalização da oferta e do preço no mercado.