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Publicada em 02 de Outubro de 2026 às 18:13

Ibovespa sobe ao maior nível desde abril com cenário externo e trade eleitoral

Índice superou a faixa dos 192 mil pontos

Índice superou a faixa dos 192 mil pontos

ARTE/JC
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Agências
No último pregão antes do primeiro turno das eleições, os investidores aproveitaram o otimismo com uma possível alternância de poder para se posicionar no mercado de ações, levando o Ibovespa a superar a faixa dos 192 mil pontos (192.114,55 pontos), no maior nível desde 17 de abril, quando atingiu 192.888,96 pontos.
O ambiente mais propenso à tomada de risco no exterior depois de dados do mercado de trabalho mais fracos nos EUA também impulsionou os ativos de mercados emergentes, dando amparo à disparada das grandes ações da bolsa. O giro financeiro no dia foi forte, em R$ 31 bilhões, e o Ibovespa encerrou a semana em alta acumulada de 4,71%. No ano, o avanço é de 19%.
O movimento veio acompanhado de forte volatilidade ao longo do dia. O sócio e especialista da Valor Investimentos, Daniel Teles, destaca que o Ibovespa chegou a subir cerca de 1,8% pela manhã, zerou os ganhos e entrou no campo negativo antes de voltar a avançar durante a tarde. "É um mercado totalmente reativo ao 'trade' eleitoral. O que eu vejo é o mercado confiante com um primeiro turno bem acirrado e aproveitando essa janela para se posicionar antes das eleições", afirma.
A forte alta do Ibovespa veio como resultado dos ganhos de todas as blue chips, com a Petrobras, inclusive, batendo recorde em valor de mercado, na mesma toada do Itaú Unibanco. A Vale e as demais instituições financeiras subiram com força, e o bom humor se alastrou para quase todos os ativos, nos setores de consumo, materiais, imobiliário, utilities e industrial.
A expectativa dos investidores é de que uma eventual chegada de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência represente uma agenda mais fiscalista em relação a Luiz Inácio Lula da Silva (PT), cenário que vem levando os investidores a montar posições pró-ativos domésticos de risco desde o começo de setembro. "O mercado entende que, se Flávio Bolsonaro ganhar, a bolsa tende a andar bem", diz Teles.
No exterior, o principal suporte veio do payroll mais fraco do que o esperado nos Estados Unidos. Uma menor geração de empregos representa potencialmente uma inflação mais fraca. "Isso consequentemente reduz a pressão para novas altas de juros pelo Fed, o que acaba tendo um fator positivo", explica o gestor de portfólio da Aurum Wealth Management, Eduardo Gonçalves.
A economista, sócia e advisor da Blue3 Investimentos, Bruna Centeno, concentra sua leitura do pregão justamente nesse vetor externo. Segundo ela, juros menos pressionados nos Estados Unidos abrem espaço para diversificação pelos estrangeiros em direção a outros mercados, e a liquidez da bolsa brasileira ajuda a atrair esse fluxo, depois de um período de forte concentração de recursos no mercado americano e em empresas de tecnologia. Em Nova York, o EEM, maior ETF ligado a países emergentes, subiu 1,29%, enquanto o EWZ, ligado a ações brasileiras, avançou 2,83%.

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