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Publicada em 02 de Outubro de 2026 às 18:00

Dólar fecha quase estável, a R$ 5,2165, com cautela antes das eleições

Divisa fechou o dia a R$ 5,21, com leve baixa de 0,07%

Divisa fechou o dia a R$ 5,21, com leve baixa de 0,07%

Arte/JC
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Agências
Após trocas de sinal ao longo desta tarde, com oscilações bem contidas, o dólar encerrou a sessão desta sexta-feira (2) praticamente estável, na casa de R$ 5,21. No último pregão antes do primeiro turno da eleição presidencial, a cautela deu o tom aos negócios no mercado de câmbio e impediu o real de pegar carona na onda global de desvalorização da moeda americana.
Dados fracos do relatório de emprego (payroll) nos EUA reforçaram as apostas de que o Federal Reserve não elevará a taxa básica de juros neste mês, abrindo espaço para a recuperação dos ativos de risco, como bolsas e divisas emergentes. Houve geração de 29 mil vagas em setembro, bem abaixo da mediana das Projeções Broadcast, de 85 mil.
O real ensaiou uma onda de apreciação após a divulgação do payroll e desceu até a casa de R$ 5,20, com mínima de R$ 5,2006. Mas se descolou do ambiente externo ainda pela manhã e ultrapassou R$ 5,23 no início da tarde (máxima de R$ 5,2320), com ajustes de posições, segundo operadores.
Depois de rondar a estabilidade nas últimas horas da sessão, em meio à arrancada do Ibovespa, o dólar à vista terminou o dia a R$ 5,2165 (-0,07%). A moeda americana acumula alta de 0,67% frente ao real na semana. Pares da divisa brasileira, como peso mexicano, peso chileno e rand sul-africano, perderam mais de 2% no período. Enquanto o dólar à vista mostrou instabilidade, o contrato do dólar futuro para dezembro operou em baixa moderada ao longo da tarde.
Para o estrategista-chefe da Monte Bravo, Rai Chicoli, a falta de fôlego do real pode ser atribuída a uma postura mais cautelosa antes da eleição, sobretudo quando se leva em conta que a moeda brasileira teve um desempenho superior ao de seus principais pares nas últimas semanas - seja pela melhora dos termos de troca, com o barril do petróleo acima de US$ 100, seja por apostas em torno da corrida presidencial.
"Quem tinha que se posicionar para o primeiro turno já se posicionou. Não vai mudar na véspera da eleição", afirma Chicoli, ressaltando que as pesquisas mais recentes de intenção de voto trouxeram apenas alterações marginais, que não mudam as expectativas para o desfecho do primeiro turno. "Talvez o movimento da bolsa hoje [sexta-feira] seja mais do investidor local e não haja fluxo estrangeiro para ajudar o real."
Sondagem do Datafolha, divulgada na quinta (1º), trouxe o presidente Luiz Inácio Lula da Silva com 42% das intenções de voto no primeiro turno, contra 38% de Flávio Bolsonaro - quadro de empate técnico. Na simulação de segundo turno, o petista tem 48%, três pontos porcentuais acima do candidato do PL, que marca 45%. Ambos estão empatados dentro da margem de erro.
A Capital Economics ressalta que a perspectiva é de uma disputa bem acirrada, sem que haja um vencedor no primeiro turno, embora a casa de apostas Polymarket mostre Flávio com um ligeiro favoritismo. "Um forte desempenho de Flávio no domingo impulsionaria o real e as ações, talvez em 3% ou 4% (com base nas eleições de 2018 e 2022), e poderia levar a novas quedas nos rendimentos dos títulos em moeda local", afirma a consultoria, em nota.
O estrategista Álvaro Vivanco, do Wells Fargo, mantém uma postura mais "neutra em relação ao resultado da eleição em si", mas vê uma oportunidade de aumentar as posições em real, que ainda mostra um "valuation muito atrativo", caso a taxa de câmbio caminhe para R$ 5,30. "Por outro lado, esperamos que o patamar de R$ 4,75 seja testado em caso de vitória de Bolsonaro", afirma Vivanco.

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