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Publicada em 15 de Setembro de 2026 às 16:48

Durigan diz que Brasil não pode continuar com a maior taxa de juros do mundo

O ministro defende ajustes sem sacrificar papel do Estado

O ministro defende ajustes sem sacrificar papel do Estado

Tomaz Silva/Agência Brasil/Divulgação/JC
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Agências
Mesmo reconhecendo que o quadro fiscal influencia a taxa de juros, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse que o Brasil não pode continuar com a maior taxa do mundo. A declaração foi dada em entrevista à revista piauí, concedida no dia 26 de agosto e divulgada nesta terça-feira (15) dia em que o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central começou a primeira etapa da reunião que vai decidir sobre a Selic.
Pesquisa Projeções Broadcast publicada na sexta-feira (11) indica que a ampla maioria das instituições do mercado financeiro projeta um novo corte de 0,25 ponto porcentual na taxa Selic neste encontro, de 14,00% ao ano para 13,75%. Entre 78 casas consultadas, 75 apostam nesse cenário; enquanto outras três instituições estimam manutenção da taxa no nível atual.
"O debate não pode se limitar à ideia de que os juros estão altos apenas porque o governo gasta muito. Reconheço que o quadro fiscal influencia a taxa, mas ele não explica tudo. Se ficarmos presos a esse argumento, só teremos juros baixos quando o Estado definhar, o que não é viável", sustentou Durigan à revista. "Precisamos encontrar um equilíbrio que preserve o papel do Estado e permita a redução dos juros. O Brasil não pode continuar com a maior taxa de juros do mundo."
Ele citou como exemplo o México, que, segundo ele, tem grau de investimento, não possui uma situação orçamentária muito melhor que a brasileira e, ainda assim, pratica juros bem menores, de 6,5%.
Para o titular da Fazenda, o patamar dos juros brasileiros se deve a várias razões. Ele argumentou que no Brasil a negociação de títulos públicos fica mais concentrada em poucos bancos. Segundo ele, também há um componente histórico e cultural: o brasileiro se acostumou aos juros altos e valoriza a remuneração elevada oferecida por aplicações como CDB, renda fixa, poupança e títulos do Tesouro, enquanto em outros países, esses investimentos costumam render bem menos.
Além disso, ele argumentou que muitos produtos financeiros brasileiros estão vinculados a taxas elevadas, enquanto o mercado de capitais e a bolsa permanecem concentrados, com poucas opções e acesso pouco democratizado ao crédito. Durigan também citou a falta de credibilidade fiscal de longo prazo, com dúvidas sobre a capacidade do País de manter o orçamento equilibrado, evitar aventuras econômicas e estabilizar a dívida nos próximos anos.
Na entrevista, Durigan ainda comentou as reações ruins do mercado financeiro a um eventual novo governo Lula (PT). "Na prática, os resultados entregues pelo presidente são muito diferentes dos temores anunciados", defendeu. "Em seus oito anos de governo - Lula 1 e Lula 2 -, ele gerou superávit, acumulou reservas internacionais, manteve a inflação sob controle e promoveu um crescimento expressivo, com participação de todos. O mercado financeiro lucrou muito, e o agronegócio também cresceu."
E completou: "Sob a perspectiva da Fazenda, fizemos e aprovamos muita coisa no Congresso. Digo ao próprio mercado que eu gostaria de ter realizado um ajuste mais rápido, mas somos democratas e negociamos cada medida com o Congresso, com enorme dificuldade. Ainda assim, fizemos um ajuste equivalente a 2% do PIB no orçamento. Vamos repetir esse esforço. Será fácil? Claro que não. Mas vamos fazer novamente".
Questionado sobre a reação de Lula às críticas do mercado e do empresariado, Durigan respondeu que o presidente costuma responder que não se pode entrar nesse jogo de ressentimento. O ministro ainda afirmou que não se pode ignorar a força do mercado para desvalorizar a moeda e os ativos brasileiros, como os títulos do Tesouro e as ações de empresas como Petrobras, Banco do Brasil e Vale.

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