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Publicada em 23 de Setembro de 2026 às 18:59

Pesquisa nacional aponta aumento de consumo do jornal impresso por executivos

O levantamento foi feito pela agência InPress Porter Novelli e pelo Instituto Brasileiro de Pesquisa e Análise de Dados (Ibpad)

O levantamento foi feito pela agência InPress Porter Novelli e pelo Instituto Brasileiro de Pesquisa e Análise de Dados (Ibpad)

TÂNIA MEINERZ/JC
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Cássio Fonseca
Cássio Fonseca Repórter
A crescente das redes sociais, plataformas de áudio e vídeo e novas tecnologias gera uma avalanche de conteúdos à disposição a qualquer hora e em qualquer lugar. Esse mundo digital convive com mídias tradicionais, como rádios, televisão aberta e jornais impressos.
Nesse contexto, uma pesquisa da agência InPress Porter Novelli e do Instituto Brasileiro de Pesquisa e Análise de Dados (Ibpad), divulgada no fim de agosto e veiculada pelo jornal Valor Econômico com o título "Hábitos de consumo de informação do C-Level no Brasil" mostra como os presidentes, vice-presidentes e diretores das empresas consomem informação atualmente e, apesar da prevalência esperada das mídias online, o impresso se mostrou relevante e com um aumento substancial de preferência nos últimos cinco anos.
Conforme o levantamento, sites e portais de notícias são preferência para 64% dos 107 entrevistados, seguidos de jornais impressos, com 22%, uma alta de 12% em relação à pesquisa anterior, de 2021. A modalidade está à frente de newsletters, podcasts, redes sociais e aplicativos de mensagens. Além disso, 84% dos executivos possuem um jornal favorito.
A pesquisa foi feita em nível nacional e não há recortes regionais. No Rio Grande do Sul, a presidente da Associação Riograndense de Imprensa (ARI), Cláudia Coutinho, destaca que há uma tradição do jornal impresso muito arraigada. "Vemos que as pessoas que fazem a tomada de decisão estão sempre atentas" a esses veículos.
A dirigente também reforça que, apesar de haver uma base consolidada em Porto Alegre, o Interior não fica desassistido, com diários fortes em municípios como Caxias do Sul, Pelotas, Passo Fundo e Santa Maria.
Outro ponto interpretado por Cláudia através dos números levantados é que o impresso, seja ele na versão papel ou digital, traz dados, informações e opiniões que ficam perenes. "Acho que essa é a grande diferença, já que as informações que chegam por áudio e por vídeo, por vezes, escapam. Mas o impresso está ali, é uma fonte de informação e de pesquisa constante", acrescenta.
Além disso, a presidente reforça que, nas redes sociais, há muita disseminação de notícias falsas ou mal produzidas. O cenário, portanto, "abre espaço para a valorização do jornalismo profissional, que é essencial para pessoas que tomam decisões".

Joel Alberto Beckenkamp | Arquivo pessoal/Divulgação/JC
Joel Alberto Beckenkamp Arquivo pessoal/Divulgação/JC
O diretor executivo da Savar, Joel Alberto Beckenkamp, também destaca que o mundo digital traz um tsunami de informações. "Quando eu vou para o jornal impresso, não fico limitado ao que o algoritmo está me dizendo ou quer me propor. Consigo aprofundar as informações que quero e que são interessantes para o meu negócio", afirma. Na rotina, ele costuma folhear dois jornais regionais e dois nacionais quando tem tempo.
"Entendo que, como executivo de uma organização, principalmente como responsável por vidas, se nós não tivermos responsabilidade sobre essas pessoas, ou sobre a condução do negócio, estamos sendo muito fúteis", acrescenta, sobre a busca por estar atualizado sobre as notícias de seu universo.
"Para mim, a relação do digital com o impresso é como um romance e um filme", avalia Beckenkamp. "Se você ler o livro primeiro e depois ver o filme, se decepciona. Primeiro tem que ver o filme para depois se aprofundar no romance", completa.
Esse turbilhão das redes também desvia a atenção, mesmo se o conteúdo for bom. A diretora do Parque Tecnológico da Pucrs (Tecnopuc), Flavia Fiorin, conta que, enquanto lê as notícias pelo celular, qualquer notificação de outro aplicativo ou os próprios anúncios da página são distrações constantes. "Para mim, o consumo de qualidade está atrelado a não interrupção, por isso leio o impresso", diz a diretora do Tecnopuc.
Ela ainda conta que tinha perdido o hábito do papel, mas que a sobrecarga do digital se agravou e a motivou pela mudança, que começou com o jornal da vizinha aos finais de semana até se instaurar na rotina. Hoje, entre uma reunião e outra, por exemplo, Flavia prefere o impresso ao celular para manter o foco e o controle sobre o que estará lendo.
Paralelamente, a diretora entende que as redes foram perdendo credibilidade, inclusive o Linkedin, que é utilizado para fins profissionais.
"Teve um episódio bem específico que foi o dia que parei de usar o LinkedIn. Um veículo nacional de imprensa noticiava a separação de uma atriz. E daquele momento em diante, a rede foi perdendo a credibilidade. O algoritmo não conseguiu entender que, mesmo sendo um periódico, entregar um conteúdo daqueles não fazia sentido", completa Flavia.

Luiz Motta, CEO da Excelsior Alimentos  | Marcos Nagelstein/Divulgação/JC
Luiz Motta, CEO da Excelsior Alimentos Marcos Nagelstein/Divulgação/JC
O CEO da Excelsior Alimentos, Luiz Motta, atrela o consumo do impresso à importância de ler um trabalho com credibilidade. Para ele, o jornal passa uma "confiança fundamental em tempos com excesso de informações".
No dia a dia, ele conta que folheia os jornais no café da manhã ou no escritório. "O hábito da leitura física auxilia para se criar ou manter uma rotina e deixar o celular longe. Além disso, o espaço exato de cada coluna e o fácil manuseio contribuem para uma melhor experiência", finaliza.
 

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