Porto Alegre,

Anuncie no JC
Assine agora

Publicada em 02 de Setembro de 2026 às 17:39

Prazo dado pela Justiça quanto à licença Candiota 3 se aproxima do fim e Ibama pede complemento de dados

Termelétrica utiliza como combustível o carvão mineral

Termelétrica utiliza como combustível o carvão mineral

Tatiana Gappmayer/Divulgação/JC
Compartilhe:
Jornal do Comércio
Em maio, a Juíza Federal Substituta Rafaela Santos Martins da Rosa, da 9ª Vara Federal de Porto Alegre, determinou ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) que até 5 de novembro fosse apresentada a decisão final sobre a renovação ou não da licença de operação da termelétrica gaúcha a carvão Candiota 3, vencida oficialmente em abril. A pouco mais de 60 dias para encerrar o prazo, o órgão ambiental apresentou um parecer apontando que o estudo de emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE) encaminhado pela usina para ir adiante com o licenciamento precisa ser complementado, pois não aprofundou “a avaliação dos impactos e sua relação com os compromissos climáticos brasileiros”.
Além disso, o documento reforça que não foram estabelecidos cenários, metas ou estratégias estruturadas de redução das emissões. Ainda conforme com o Ibama, deverão ser apresentados os instrumentos e programas indicados, incluindo medidas destinadas à diminuição e neutralização progressiva das emissões, à avaliação e gestão dos riscos e vulnerabilidades climáticas do empreendimento e de sua área de influência e ao acompanhamento e divulgação do desempenho climático da termelétrica.
O prazo estipulado para uma conclusão sobre a licença ambiental de operação da térmica localizada no município de Candiota é decorrente de uma ação civil pública (ACP) movida pelo Instituto Internacional Arayara. O gerente de Transição Energética da entidade, John Fernando de Farias Wurdig, recorda que a última licença da termelétrica foi emitida em 2016. Para o ambientalista, desde aquela época já deveriam ter sido incorporados componentes climáticos na questão.
Wurdig acrescenta que, além das emissões de gases que provocam o efeito estufa, a usina demanda muita água em sua operação. “A Agência Nacional de Águas já colocou que a partir de 2030, 2040, a região da Campanha, de Candiota, entrará em um cenário de vulnerabilidade crítica quanto à escassez hídrica”, alerta o integrante do Arayara. Ele salienta que é importante que a sociedade local perceba os problemas na oferta de água e na saúde da população que a atividade carbonífera acaba gerando.
O gerente de Transição Energética enfatiza também que o próprio parecer do Ibama ressalta que, no parque de geração termelétrica brasileira, Candiota 3 é a quarta maior emissora de Gases de Efeito Estufa em termos absolutos e possui a segunda maior taxa de emissões (1.380 tCO2eq/GWh), de acordo com o inventário do Instituto de Energia e Meio Ambiente (Iema - 2025). Nesse levantamento, a unidade ficou em penúltimo lugar entre 55 usinas movidas a combustível fóssil em termos de eficiência energética, com apenas 26%.
Em nota, a Âmbar, empresa que administra a termelétrica gaúcha, informa que “irá complementar, conforme solicitado pelo órgão ambiental, as informações relativas aos impactos da operação da Usina Candiota 3 Fase C. A usina opera em conformidade com a legislação vigente, dentro dos parâmetros estabelecidos pelos órgãos competentes, e sua licença de operação permanece em vigor, sem comprometimento à segurança energética do Sistema Interligado Nacional”.
 

Notícias relacionadas