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Publicada em 27 de Agosto de 2026 às 18:06

Dólar sobe a R$ 5,16 em dia negativo para divisas emergentes

Alta foi de 0,20%, acumulando valorização de 1,81% em agosto

Alta foi de 0,20%, acumulando valorização de 1,81% em agosto

Arte/JC
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Agências
Após oscilar ao redor da estabilidade nas primeiras horas do pregão, o dólar se firmou em alta frente ao real no fim da manhã, acompanhando o avanço da moeda americana em relação a divisas emergentes, em especial latino-americanas.
 
Operadores não identificaram um gatilho específico para a dinâmica global do mercado de câmbio, mas ponderam que o ambiente é de cautela na véspera de discurso do presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano), Kevin Warsh, no Simpósio de Jackson Hole - um evento que pode mexer com as apostas em torno da política monetária americana.
 
 
Com máxima de R$ 5,1756, no início da tarde, o dólar à vista terminou o dia em alta de 0,20%, a R$ 5,1620, passando a acumular ganhos de 0,33% na semana. A moeda norte-americana exibe valorização de 1,81% em agosto, após baixa de 1,79% em julho. No ano, as perdas são de 5,96%.
 
O especialista em câmbio Nicolas Gomes, da Manchester Investimentos, avalia que a persistência da inflação nos EUA, ao lado da postura da nova liderança do Fed, eleva as incertezas sobre o rumo dos juros. "Isso mina um pouco as moedas de países emergentes. As atenções estão todas voltadas ao Simpósio de Jackson Hole", afirma Gomes.
 
As taxas dos Treasuries subiram nesta quinta-feira em meio ao avanço dos preços do petróleo, que interrompeu uma sequência de três pregões de queda. Além do impasse nas negociações para a reabertura total do Estreito de Ormuz, há recrudescimento do conflito entre Rússia e Ucrânia.
 
O contrato do Brent para novembro fechou em alta de 1,82%, a US$ 88,52. Termômetro do comportamento do dólar em relação a uma cesta de seis moedas fortes, o índice DXY andou de lado à tarde, por volta dos 99,150 pontos.
 
A especialista Viviane de Las Casas, da Valor Investments, pondera que, embora ainda amparado no curto prazo pelo "carry elevado" e pela entrada de recursos pelo comércio exterior, o real pode sofrer com a combinação de eventual alta de juros nos EUA com cortes adicionais da taxa Selic.
 
"O diferencial de juros pode fechar simultaneamente pelos dois lados, diminuindo uma das principais proteções do real", afirma a especialista, acrescentando que há riscos de picos de volatilidade em razão da corrida presidencial. "O resultado é um equilíbrio mais frágil."
 
Pela manhã, o Banco Central realizou o chamado "casadão" - operação simultânea de venda de dólares à vista com oferta de 20 mil contratos (US$ 1 bilhão) em swaps cambiais reversos, que equivalem à compra de dólar futuro. A oferta no spot foi totalmente absorvida, com aceitação de 12 propostas. Isso sugere que o BC não mirou uma demanda específica.
 
"O BC provavelmente quis prover liquidez porque o fluxo está ruim. Optou pelo 'casadão' para dar continuidade à redução do estoque de swap cambial", afirma o diretor de Tesouraria do Travelex Bank, Marcos Weigt, ressaltando que o cupom cambial (juro em dólar no Brasil) permanece comportado, sugerindo que o BC pode ter atuado "preventivamente", dado o aumento da saída de recursos no fim do mês.
 
Para o tesoureiro, a taxa de câmbio já embute, nos níveis atuais, chances majoritárias de, pelo menos, uma elevação dos juros pelo Fed neste ano. Os riscos são de que dados de atividade e inflação nos EUA surpreendam para cima, levando o mercado a trabalhar com um aperto monetário maior ao longo de 2027.
 
"A eleição presidencial deve ter uma influência maior sobre o real daqui para frente", afirma Weigt.
O Ibovespa tocou máximas no fim do pregão desta quinta-feira, na faixa dos 175 mil pontos, mas oscilou de forma tímida (+0,31%, aos 175.135,41 pontos), em dia marcado pelo compasso de espera dos investidores por catalisadores que justifiquem o aumento de exposição a ativos de risco. Na avaliação de operadores e analistas, o mercado segue cauteloso, sem abrir mão de posições defensivas.

"A bolsa tinha um pregão pior no começo do dia, fundamentalmente por conta de Petrobras, que passou a subir forte por conta dos preços do petróleo", afirma Bruno Perri, economista-chefe e sócio-fundador da Forum Investimentos. "Outras empresas de commodities também passaram a subir, então a gente vê hoje altas na Vale, na Gerdau. E, fundamentalmente, são esses papéis que dão sustentação ao índice."

No caso da Petrobras, os investidores também acompanharam a decisão da Justiça do Distrito Federal de suspender o imposto de exportação de petróleo. As ações da estatal negociadas na B3 foram na mesma direção dos ADRs listados em Nova York.

Como uma das empresas mais valiosas do mundo, a Nvidia ajudou a levar recursos dos alocadores para Nova York, em um movimento de "rotação" das carteiras. A ação da companhia disparou no pregão americano de hoje, em alta de 9%, mesmo desempenho do BDR da companhia negociado na B3.

"Nvidia, com o resultado financeiro muito bom e superando as expectativas, sem dúvida está puxando os recursos para o setor de tecnologia", afirma Rodrigo Alvarenga, sócio da One. "O mercado esperava uma desaceleração mais forte da receita e não foi o que aconteceu. Ainda vamos ver muitos recursos sendo direcionados para IA."

A despeito do movimento favorável da bolsa nas sessões mais recentes, os investidores seguem de olho nos desdobramentos no cenário internacional, em que os sinais dúbios de trégua nos conflitos entre EUA e Irã seguem impulsionando os preços do petróleo e o risco inflacionário nas economias globais.

A isso se somam as crescentes preocupações na frente fiscal brasileira, com a campanha eleitoral já em curso e poucas indicações pragmáticas de como conduzir a agenda fiscal brasileira a partir do ano que vem.

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