Depois de três meses consecutivos acima do teto da meta de inflação perseguida pelo Banco Central, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo - 15 (IPCA-15) voltou, em agosto, no acumulado em 12 meses, para abaixo do limite estabelecido pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).
O indicador mensal foi divulgado nesta quarta-feira (26), pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), registrando em agosto uma deflação de 0,40% ante alta de 0,06% em julho.
Em agosto, o IPCA-15 acumulado em 12 meses ficou em 4,24%, uma desaceleração ante a alta de 4,52% em julho. A meta de inflação no Brasil para 2026 é de 3%, com um intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo, podendo variar entre 1,5% e 4,5%.
Desde janeiro de 2025, em linha com a experiência internacional, a meta passou a se referir à inflação acumulada em 12 meses, apurada mês a mês, também conhecida como "meta contínua". Todo mês, a inflação acumulada em 12 meses é comparada com a meta e seu intervalo de tolerância. Assim, a verificação não fica mais restrita ao mês de dezembro de cada ano.
O indicador, considerado uma prévia da inflação oficial, havia ficado acima do teto da meta em maio (4,64%), junho (4,8%) e julho (4,52%). O último registro dentro do intervalo máximo estabelecido pelo BC havia sido em abril (4,37%). No acumulado de 2026, o IPCA-15 apresentou alta de 3,09% até o mês de agosto, conforme o IBGE.
Marcas
A variação acumulada em 12 meses do IPCA-15 até agosto de 2026 é a menor desde março de 2026, quando o índice acumulado em 12 meses registrou alta de 3,90%.
Na análise mensal, o IPCA-15 de -0,40% em agosto de 2026 foi o menor desde agosto de 2022 (-0,73%).
Influências
O resultado de agosto de 2026 foi influenciado pelas quedas nos grupos Habitação (-1,41% e alívio de 0,22 ponto percentual), Transportes (-1,00% e alívio de 0,20 ponto percentual) e Alimentação e Bebidas (-0,57% e alívio de 0,12 ponto percentual), informou o IBGE.
A queda registrada no mês foi puxada principalmente, entre os itens, pela queda nas contas de luz, devido ao bônus de Itaipu.
Os preços da conta de luz caíram, em média, 6,25% em agosto devido à incorporação do abono nas faturas, informou o instituto. O IBGE ressalta que, em agosto, continua em vigor a bandeira tarifária amarela, que adiciona R$ 1,885 na conta de luz a cada 100 kWh consumidos.