O início da sessão desta sexta-feira (14) para o Ibovespa é cauteloso, em meio à desvalorização dos índices de ações internacionais. O recuo do principal indicador da B3 é bem menos intenso do que o visto no exterior, tanto que tenta retomar a marca dos 157 mil pontos da máxima de abertura, após ceder para o nível dos 156 mil pontos na mínima da sessão.
O que ajuda a conter a queda do Ibovespa é a valorização de quase 1,60% nas cotações futuras do petróleo, que estimula os papéis da Petrobras. Já Vale e outras ações do setor metálico caem, em meio a sinais de fraqueza econômica chinesa e ao noticiário sobre a BHP, que foi condenada pelo desastre em Mariana (MG), em 2015, apesar da alta de 0,23% do minério de ferro em Dalian.
No exterior, incertezas acerca da divulgação atrasada de indicadores da economia dos Estados Unidos após o fim da paralisação da máquina pública federal colocam em dúvida o rumo dos juros pelo Federal Reserve (Fed), dada questionamentos nos mercados sobre as condições da economia do país. Por isso, ficam no foco discursos de autoridades monetárias dos EUA, bem como da Europa, em dia de agenda de indicadores esvaziada aqui e no exterior.
No pré-mercado de Nova York, os índices acionários caem, com destaque ao recuo de 1,70% do Nasdaq futuro, em meio a temores de bolha em empresas de tecnologia, bem como devido a preocupações com a divulgação atrasada de indicadores dos EUA. "Seguimos acreditando não haver bolhas de Inteligência Artificial devido aos investimentos que têm sido anunciados pelo setor", diz Alvaro Bandeira, coordenador de Economia da Apimec Brasil.
Após 15 altas consecutivas, processo que foi interrompido a partir de quarta-feira, Bandeira diz que o Ibovespa pode passar por correção técnica nesta sexta-feira, mas a alta do petróleo e do minério pode inibir.
No Brasil, investidores avaliam a entrevista do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e a reunião do governo brasileiro com o americano sobre tarifas, que pode ter uma resposta na semana que vem. Em entrevista exclusiva, Haddad diz não enxergar na questão fiscal a causa de a taxa básica de juros permanecer em 15% ao ano. "Estou louco para ver uma ata do Banco Central dizendo que eu estou fazendo um esforço fiscal relevante, como fez o FMI. Mas vai chegar meu dia", afirmou.
Ontem, o Ibovespa fechou em baixa de 0,30%, aos 157.162,43 pontos, com ganho acumulado semanal de 2,01%, após 3,02% na passada. Na safra de balanços, a Cemig informou lucro líquido de R$ 796,7 milhões de julho a setembro, queda de 75,7% ante igual etapa de 2024. A ação da empresa mineira caía 3,54% às 10h43min.
O Ibovespa caía 0,10%, aos 157.001,32 pontos, ante recuo de 0,32%, a mínima em 156.655,68 pontos, depois de máxima de abertura em 157.162,43 pontos, com variação zero. Vale caía 0,99% e Petrobras subia entre 0,62% (PN) e 0,42% (ON). Apesar do viés de alta nos juros futuros, algumas ações mais sensíveis ao ciclo econômico subiam, caso de Magazine Luiza (2,98%), na liderança das altas.