O economista-chefe global da Pátria Investimentos, Luís Fernando Lopes, avaliou, na manhã desta sexta-feira (3), em Porto Alegre, cenários de futuro para o Brasil. Ele demonstra otimismo para 2026 e 2027, independentemente das eleições, projetando redução na taxa básica de juros da economia (Selic).
Lopes faz uma análise mais cautelosa para a queda da Selic em caso de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em outubro de 2026, e avalia que o corte será mais rápido na taxa de juros em caso de vitória da oposição, com um aquecimento do mercado.
O economista fez uma análise da conjuntura do Brasil nas duas perspectivas. "Temos dois cenários aqui. Mais do mesmo significa a reeleição do presidente Lula, quando teremos juros um pouco menores no Brasil. Isso vai ajudar a melhorar ainda mais o mercado de renda variável e imóveis. Se o presidente Lula não for eleito, é um cenário no qual o juro cai mais rápido. Melhora o mercado porque, tradicionalmente no Brasil, os governos que têm a agenda social mais ambiciosa deixam a agenda econômica para trás", analisa.
Luís Fernando Lopes é economista chefe da global do Pátria Investimentos
Nathan Lemos/JC
Quando se inverte isso, diz Lopes, não se destrói a agenda social, mas o efeito da economia é mais forte. "Então, a gente está moderadamente otimista, porque se é mais do mesmo, deve continuar melhorando, e se o candidato da oposição ganha, volta a agenda de reformas econômicas, muito provavelmente centradas na questão fiscal", compara.
Ainda conforme Lopes, que optou por expor uma "visão mais construtiva", como foi dito em sua apresentação, trata-se de "um cenário curiosamente positivo, para muito positivo, a despeito do cenário global não ser bom”, presume.
O evento ocorreu na cafeteria Oh Brüder, no bairro Passo d’Areia, e foi promovido pela Liberta Wealth e Feijó Lopes Advogados. Outro fator citado foi a desaceleração do crescimento da economia mundial, que ocorre há uma década e meia.
"Nessa globalização fraturada, as economias começam a ter desempenhos muito diferentes, dependendo da região que ocupam. Antigamente se os Estados Unidos cresciam, todo mundo crescia. Agora é tudo diferente. Nessa situação atual, no caso do Brasil, a gente consegue, mesmo com conflitos comerciais com os Estados Unidos, diversificar com China, com a Europa, com o Oriente Médio. É uma economia que tem muito mais dependência do mercado interno do que o mercado externo", analisa.
A moeda brasileira, destaca Lopes, valorizou 16% em relação ao dólar devido à percepção de que muito do risco geopolítico que existe no resto do mundo, no Oriente Médio, na Europa, Sudeste da Ásia, não existe na América Latina. "O maior parceiro comercial do Brasil não é os Estados Unidos. É, na verdade, a China, seguida pela Europa", enfatiza o economista, que mora há 15 anos em Londres.