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Publicada em 23 de Setembro de 2025 às 15:15

Dólar aprofunda queda e Bolsa dispara após Trump acenar para diálogo com Brasil

Mercados agora recalibram expectativas em torno das tensões tarifárias

Mercados agora recalibram expectativas em torno das tensões tarifárias

MARCELLO CASAL JR/AGÊNCIA BRASIL/JC
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Agências
O dólar está em queda firme nesta terça-feira (23) após os discursos dos presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump na Assembleia Geral da ONU (Organização das Nações Unidas), realizados pela manhã. Foi a primeira vez que ambos os líderes ficaram no mesmo ambiente desde que Trump aplicou sanções ao Brasil, em maio, e, após deixar o púlpito, o republicano afirmou que irá se encontrar com Lula na próxima semana.
O dólar está em queda firme nesta terça-feira (23) após os discursos dos presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump na Assembleia Geral da ONU (Organização das Nações Unidas), realizados pela manhã. Foi a primeira vez que ambos os líderes ficaram no mesmo ambiente desde que Trump aplicou sanções ao Brasil, em maio, e, após deixar o púlpito, o republicano afirmou que irá se encontrar com Lula na próxima semana.
Os mercados agora recalibram expectativas em torno das tensões tarifárias, políticas e diplomáticas entre os dois países. Às 13h, a moeda norte-americana recuava 0,88%, cotada a R$ 5,290. Na mínima do dia, chegou a tocar R$ 5,279. Já a Bolsa tinha forte alta de 1,19%, a 146.846 pontos, renovando a máxima histórica intradia.
"Eu só faço negócios com pessoas que eu gosto. E eu gostei dele, e ele de mim. Por pelo menos 30 segundos nós tivemos uma química excelente, isso é um bom sinal", disse o norte-americano, que discursou após o petista. Ele afirmou que ambos os líderes vão se encontrar na próxima semana, em um aceno à desescalada de tensões entre os dois países.
A sinalização deu fôlego para as cotações, levando o dólar à mínima em mais de um ano e a Bolsa a um novo recorde durante o período de negociações.
O discurso de Trump sucedeu o de Lula. O presidente dos Estados Unidos estava em uma sala reservada da ONU e acompanhou todo o discurso do brasileiro, recheado de críticas a ações dos Estados Unidos. O petista entrou na sala ao deixar o púlpito. Trump tomou a iniciativa de falar com ele, porque já estava no local quando o presidente chegou, segundo integrantes do governo.
Trump disse que eles precisavam conversar. Lula afirmou estar aberto a ter conversas, que sempre esteve. O norte-americano então sugeriu que poderia ser na próxima semana a reunião, ao que Lula confirmou.
O discurso de Lula na ONU era esperado por investidores, que, nos últimos dias, demonstraram cautela em torno da possibilidade de novas medidas retaliatórias dos EUA contra a economia brasileira. As sanções aplicadas na segunda-feira atingiram Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes, e não o país, levantando dúvidas sobre uma possível escalada de tensões.
Antes dos discursos, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, endereçou a guerra comercial entre os dois países em entrevista ao ICL Notícias. Para ele, a imposição de sobretaxas sobre produtos brasileiros, em especial commodities, foi um "tiro no pé", uma vez que a medida, "impensada", penaliza o consumidor americano ao encarecer o "café da manhã, o almoço e o jantar".
Haddad chamou a ação americana de "ingerência indevida" e "intromissão descabida", mas que a guerra comercial é uma oportunidade para o Brasil avançar em mudanças estruturais. "É um momento auspicioso, em que podemos fazer o que nunca tivemos coragem de enfrentar", afirmou.
 

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