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Publicada em 10 de Agosto de 2025 às 18:02

Segurança energética e alimentar é um dos atrativos da solução

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Jefferson Klein
Jefferson Klein Repórter
Olhar para a indústria do carvão de uma forma diferente, além da simples geração de energia, conciliando pontos que são fundamentais como o fornecimento de energia e o agronegócio é uma forma defendida pelo presidente da Associação Brasileira do Carbono Sustentável (ABCS), Fernando Zancan, para garantir o futuro do uso desse mineral. "O grande problema é não ser relevante, então é preciso transformar o segmento em algo relevante para o País", argumenta o dirigente.
Olhar para a indústria do carvão de uma forma diferente, além da simples geração de energia, conciliando pontos que são fundamentais como o fornecimento de energia e o agronegócio é uma forma defendida pelo presidente da Associação Brasileira do Carbono Sustentável (ABCS), Fernando Zancan, para garantir o futuro do uso desse mineral. "O grande problema é não ser relevante, então é preciso transformar o segmento em algo relevante para o País", argumenta o dirigente.
Zancan comenta que, assim como aumenta a segurança energética brasileira, principalmente quando os reservatórios das hidrelétricas estão baixos, a cadeia carbonífera também pode contribuir com a questão alimentar. Ele alerta que qualquer alteração no cenário geopolítico mundial pode atingir duramente o setor do agronegócio nacional e elevar custos. "Ou ficar refém no processo, que é o caso da importação de fertilizantes nitrogenados", aponta o dirigente.
Ele lembra que 17% da ureia (insumo vinculado à produção agrícola) consumida pelo Brasil é proveniente do Irã, que constantemente é ameaçado por conflitos bélicos. O representante da ABCS reforça que o carvão pode contribuir com a produção de fertilizantes de diversas formas, sendo uma delas a que será observada durante a viagem à China, que é através da tecnologia que mitiga e aproveita as emissões de enxofre e CO2 das termelétricas.
Zancan frisa que essa ação é uma alternativa à opção de apenas estocar, embaixo da terra, o dióxido de carbono oriundo das usinas. Ou seja, é uma iniciativa que agrega valor ao processo. Segundo ele, se trata de uma medida na linha da chamada Captura, Utilização e Armazenamento de Carbono (em inglês, Carbon Capture, Utilisation, and Storage - CCUS), um conjunto de tecnologias que visam reduzir as emissões de dióxido de carbono na atmosfera.
O CCUS, de acordo com a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), tem sido considerado uma tecnologia complementar indispensável para atingir as metas de emissões líquidas zero (Net Zero) em 2050, auxiliando no desafio da mudança da matriz energética. Ele pode ser utilizado para compensar emissões não evitadas no desenvolvimento da atividade econômica, em complementação aos esforços de eficiência energética e mitigação de emissões.
Especialmente para o Rio Grande do Sul, o representante da ABCS diz que se trata de uma questão importante, pelo fato de o Estado ser um relevante importador de fertilizantes nitrogenados. Ele recorda que a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) já estuda na Associação Beneficente da Indústria Carbonífera de Santa Catarina (SATC), em Criciúma, a aplicação do bicarbonato de amônia em terras brasileiras.
De acordo com Zancan, um passo futuro dessa proposta é produzir uma espécie de "drágea" desse fertilizante e com isso aprimorar o uso do produto. "Vamos ter que provar para o agricultor que isso é bom, é melhor, mais barato e mais eficiente. Não adianta fazer um produto que o nosso agricultor não vai usar", antecipa o representante da ABCS. Provando-se economicamente viável, o emprego da tecnologia de captura de CO2 no Brasil vai possibilitar reduzir as emissões de gases de efeito estufa de forma muito rápida no parque termelétrico nacional, finaliza Zancan.

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