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Publicada em 04 de Junho de 2025 às 16:51

Entidades brasileiras manifestam preocupação com aumento das tarifas sobre o aço e alumínio dos EUA

Demanda interna dos EUA não será suprida, dizem representantes

Demanda interna dos EUA não será suprida, dizem representantes

Cesar AGUILAR/AFP/JC
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Agências
A medida do governo norte-americada que aumenta as tarifas sobre o aço e alumínio brasileiros teve reação das entidades ligadas ao setor no país. Representando empresários do aço e do alumínio manifestaram-se com preocupação quanto ao decreto que entrou em vigor nesta quarta-feira (4), fixando as taxas a 50%, o dobro dos 25% determinados desde março.
A medida do governo norte-americada que aumenta as tarifas sobre o aço e alumínio brasileiros teve reação das entidades ligadas ao setor no país. Representando empresários do aço e do alumínio manifestaram-se com preocupação quanto ao decreto que entrou em vigor nesta quarta-feira (4), fixando as taxas a 50%, o dobro dos 25% determinados desde março.
Em nota, Instituto Aço Brasil, que representa empresas produtoras, ressalta que elevação da tarifa agrava o já delicado cenário global do setor, caracterizado pelo excesso de capacidade na ordem de 620 milhões de toneladas. A medida intensificaria as práticas protecionistas, além de comprometer a estabilidade do comércio internacional de aço.
De acordo com a entidade, em 2024, os Estados Unidos importaram 5,6 milhões de toneladas de placas de aço, sendo 3,4 milhões de toneladas provenientes do Brasil. Na avaliação do instituto, a medida é prejudicial tanto para as indústrias norte-americanas quanto para o Brsail, uma vez que, fica comprovado, a demanda por insumos não será suprida internamente. O Instituto alerta para a importância de posicionamento pelo governo federal. “Ressaltamos a importância da atuação do governo brasileiro, por intermédio dos Ministérios das Relações Exteriores (MRE) e do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), visando o reestabelecimento do acordo bilateral estabelecido em 2018, que permitia a exportação de aço brasileiro aos EUA dentro de cotas, sem a aplicação de tarifas adicionais. Reafirmamos a disposição da indústria brasileira do aço em contribuir para a construção de um ambiente de comércio internacional pautado por regras claras, previsibilidade e respeito mútuo”, diz a nota. Por fim, a entidade diz estar confiante que, com diálogo e cooperação entre os governos, será possível encontrar soluções que fortaleçam as relações e beneficiem as cadeias produtivas tanto do Brasil, quanto dos Estados Unidos.
O ex-secretário de Comércio Exterior (2007-2011), Welber Barral, avaliou o anúncio, lembrando que a tarifa será repassada para o preço. Presidente do vai haver repasse. Conselheiro da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e presidente do Instituto Brasileiro de Comércio Exterior e Investimentos, Barral ressalta que os EUA terão que continuar importando, por não serem autossuficientes. “"Essa elevação unilateral, além de desobedecer as regras internacionais, vai ter um impacto negativo e provavelmente vai receber muita pressão da indústria americana", disse, ao caracterizar a tarifa de 50% “praticamente proibitiva”.

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