O faturamento de jornais e revistas no mundo cresceu 1,83% em 2024, totalizando US$ 128 bilhões, segundo o relatório "Tendências da Imprensa Mundial", da Associação Mundial de Jornais e Publishers (Wan-Ifra).
O crescimento foi puxado pela alta em fontes alternativas de receita, já que o negócio principal dos veículos, publicidade e circulação, encolheu. Renda com eventos, e-commerce e licenciamentos fechou em alta de 5% em relação a 2023.
Na contramão, o negócio principal dos veículos de comunicação - circulação e publicidade - caiu 2,2% em 2024, totalizando US$ 80 bilhões.
O relatório ouviu executivos de 242 jornais e revistas de 85 países entre julho e setembro do ano passado. "À medida que a transformação digital avança, os veículos enfrentam o desafio duplo, de queda nas fontes tradicionais de receita, em particular faturamento de publicidade impressa e circulação, juntamente com a necessidade de crescimento contínuo em geração de receita do digital e de fontes alternativas", diz o relatório.
O documento confirma a tendência de encolhimento da mídia impressa. O faturamento com a circulação e publicidade da versão impressa vem caindo desde 2021 como porcentagem do total, mas ainda responde pela maior parte da receita, 45% do total em 2024.
Já a receita com a versão digital das publicações está em alta há ao menos três anos. No entanto, não é suficiente para compensar a queda do impresso, uma vez que responde por apenas 31% da receita total das empresas.
Em busca de aumento na receita digital, tanto a Reuters quanto a CNN introduziram paywalls no ano passado - o site da agência era gratuito desde 1995 e atraía de 45 a 50 milhões visitantes únicos por mês.
Outras publicações estrearam novos níveis de assinatura. A revista The Economist lançou um modelo de assinatura para seu conteúdo de áudio, o Economist Podcasts+. Com ele, os assinantes têm acesso a todos os seus podcasts, bem como a um número limitado de artigos gratuitos a cada mês e a vários boletins informativos.
O The New York Times tornou seu arquivo de podcasts exclusivo para assinantes. Ao anunciar a mudança, Ben Cotton, diretor de assinaturas do jornal, disse que o "jornalismo em áudio conecta o The Times com milhões de pessoas todos os dias."
Veículos de mídia vêm apostando cada vez mais em fontes alternativas de receita, que agora respondem por 23,8% do total. Entre as principais estão eventos, doações, serviços, programas de adesão e parcerias com plataformas. A importância dessas parcerias caiu em 2024, segundo os executivos ouvidos.
"As razões incluem a diminuição do tráfego de referência (direcionado das plataformas), especialmente do X e do Facebook, como resultado da decisão das empresas de que notícias não seriam prioridade, além da redução de outras formas de apoio jornalístico."
Apesar das incertezas, os executivos de mídia ouvidos pela Wan-Ifra mostraram-se otimistas: 61% dos entrevistados afirmaram que esperam melhora nos próximos 12 meses, e 64% nos próximos três anos. Entre os fatores que levam o setor a estar otimista está a crescente diversificação de receitas e avanços tecnológicos.
"Em um momento em que a confiança no jornalismo é, na melhor das hipóteses, morna; com a incerteza pairando sobre o cenário geopolítico global, o tráfego e os lucros de muitos editores (ainda) à mercê dos caprichos de algumas poucas empresas poderosas... os editores parecem otimistas quanto ao caminho a seguir", escreve Dean Roper, Diretor de Insights da Wan-Ifra.
INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL
Os veículos de mídia estão empregando ferramentas de inteligência artificial de forma crescente, principalmente para criar sumários , versões em áudio das matérias, além de paywall dinâmico e chatbots.
Já o relacionamento dos veículos de mídia com as empresas de IA tem passado por turbulências.
A agência de notícias indiana ANI processou a OpenAI por supostamente usar seu conteúdo sem permissão. No início de 2024, oito grandes jornais dos EUA, entre eles Chicago Tribune, Orlando Sentinel e The Denver Post, processaram a Microsoft e a OpenAI por usarem seus artigos sem permissão ou pagamento. O The New York Times havia processado a empresa no fim de 2023.
A agência de notícias indiana ANI processou a OpenAI por supostamente usar seu conteúdo sem permissão. No início de 2024, oito grandes jornais dos EUA, entre eles Chicago Tribune, Orlando Sentinel e The Denver Post, processaram a Microsoft e a OpenAI por usarem seus artigos sem permissão ou pagamento. O The New York Times havia processado a empresa no fim de 2023.
Ao mesmo tempo, alguns veículos de notícias assinaram acordos de licenciamento e treinamento com empresas de IA. O relatório aponta que a Axel Springer e a Microsoft anunciaram uma parceria ampliada no início deste ano, abrangendo publicidade, IA, conteúdo e computação em nuvem. Reuters, Axel Springer, Hearst Magazines, USA TODAY Network e Financial Times foram parceiros de conteúdo para o Copilot Daily, um resumo matinal de notícias em áudio, integrado ao produto Co-Pilot da Microsoft.
Folhapress