A Certel, que tem sede em Teutônia e atende a 48 municípios, foi a mais atingida das cooperativas gaúchas de energia pela catástrofe climática que assolou o Rio Grande do Sul neste ano. Passados seis meses do acontecimento, algumas obras ainda são necessárias para dar mais confiabilidade e segurança ao fornecimento de energia prestado pelo grupo.
O presidente da Certel, Erineo José Hennemann, explica que falta realizar ações envolvendo linhas de transmissão. “Estamos tirando (as linhas) dos locais em que o risco existe”, afirma o dirigente. Ele detalha que essas estruturas estão funcionando, mas o receio é que, no futuro, possam ocorrer novos deslizamentos e danificá-las. Sendo assim, essas redes elétricas, com tensão de 69 kV, serão transferidas para pontos mais seguros quanto a eventuais fenômenos climáticos.
O presidente da Certel informa que esses trabalhos serão feitos, principalmente, em regiões como as dos municípios de Canudos do Vale e Forquetinha, que ficam no Vale do Taquari. “E outra grande pendência que tem é a travessia (da linha de transmissão) do rio Taquari”, aponta Hennemann. Essa última ação encontra-se em fase de projeto e deverá contemplar a construção de uma linha de 48 metros de altura, que ficará acima das cotas de cheias. Essa obra, calcula o dirigente, deve ser finalizada em maio de 2025.
Além do sistema de transmissão, a Certel enfrentou estragos na hidrelétrica Salto Forqueta (situada entre as cidades de São José do Herval e Putinga). Hennemann espera que essa usina possa ser reenergizada também em maio do próximo ano. O levantamento inicial da Certel era que o investimento necessário para recuperar a infraestrutura da cooperativa atingida pelas chuvas seria na ordem de R$ 70 milhões. No entanto, o presidente da associação aponta que foi possível recuperar vários equipamentos da usina e esse valor deve ter caído para cerca de R$ 50 milhões. Segundo ele, a Certel está buscando recursos em bancos para refazer seus empreendimentos o mais rapidamente possível.
Quanto ao projeto que envolve a instalação daquela que será sua maior usina, a hidrelétrica Bom Retiro (que ficará no rio Taquari e abrangerá os municípios de Bom Retiro do Sul, Lajeado, Estrela e Cruzeiro do Sul), Hennemann diz que a iniciativa ganhou até mais importância dentro do planejamento estratégico da cooperativa após a catástrofe climática. Ele explica que, durante as chuvas, o Vale do Taquari esteve à beira de um colapso energético. Ou seja, uma nova usina seria importante para a segurança elétrica da região.
A hidrelétrica Bom Retiro terá capacidade para abastecer cerca de 100 mil pessoas e uma conexão direta com uma subestação da Certel, em Teutônia. O projeto básico do empreendimento está sendo revisado, pois houve alterações no curso e na profundidade do rio e a expectativa é que a obra seja iniciada em meados de 2025, para em três anos ser concluída. A unidade terá uma potência entre 30 MW a 35 MW e a estimativa de investimento (afetada por condições como a alta do dólar) atualmente passa dos R$ 320 milhões.
A Certel ainda está envolvida, assim como as cooperativas Certaja, Coprel e Cerbranorte, em projeto autorizado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) para pesquisar o comportamento do cliente de baixa tensão (residenciais) com a expectativa da expansão do mercado livre de energia. Hennemann destaca que o cenário do setor elétrico vem passando por várias mudanças, indo no caminho da sua abertura.
Ele recorda que a perspectiva é que entre 2027 e 2028 o consumidor de baixa tensão, assim como fazem os clientes de alta tensão (indústrias e empresas de grande e médio porte) hoje, possa adotar o modelo de livre contratação de energia. “É importante a gente sentir como ele (consumidor) está enxergando isso”, frisa o dirigente.
Hennemann ressalta que, se esse cliente resolver fazer a mudança do ambiente cativo para o livre, ele passará a ser um gestor da conta de luz e poderá tentar encontrar um custo de geração de energia mais barato dentro do mercado. Recentemente, a Certel também recebeu o prêmio Somos Coop – Excelência em Gestão, na categoria Infraestrutura, concedido pelo Sistema Ocergs.