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Publicada em 11 de Setembro de 2024 às 16:34

Instabilidade nos preços de insumos preocupa a indústria de embalagens

Mesmo com adversidades, setor projeta crescimento de 5% neste ano no País

Mesmo com adversidades, setor projeta crescimento de 5% neste ano no País

Trombini Embalagens/Divulgação/JC
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Roberto Hunoff
Roberto Hunoff Jornalista
de Caxias do SulA indústria de embalagens da Serra Gaúcha ainda se ressente dos problemas decorrentes das enchentes de abril e maio, responsáveis pela queda nas vendas e dificuldades para o recebimento de insumos, que têm o centro do País e as importações como principais origens. A maior preocupação está centrada no fornecimento dos insumos, que têm apresentado forte oscilação nos preços, exigindo repasses aos produtos finais.
de Caxias do Sul

A indústria de embalagens da Serra Gaúcha ainda se ressente dos problemas decorrentes das enchentes de abril e maio, responsáveis pela queda nas vendas e dificuldades para o recebimento de insumos, que têm o centro do País e as importações como principais origens. A maior preocupação está centrada no fornecimento dos insumos, que têm apresentado forte oscilação nos preços, exigindo repasses aos produtos finais.
O superintendente de vendas da Trombini, Mauricio Feldman, explica que os principais insumos da empresa são aparas de papelão ondulado, por meio das quais alcançou o patamar de uma das maiores recicladoras do resíduo do Brasil, com média mensal de 28 mil toneladas recicladas e integradas ao processo produtivo. “Os insumos são, em sua maioria, de origem nacional. O cenário atual é de oscilação conforme a demanda, mas após a pandemia observamos a normalização do mercado”, citou.
A Galvanotek, com plantas em Carlos Barbosa e Barão, trabalha majoritariamente com insumos de origem nacional e que apresentam, no momento, grande instabilidade nos preços. De acordo com Jeancarlo Piccinini, coordenador de vendas e logística, a atual situação cambial é desfavorável, afetando a todos, seja de maneira direta ou indireta. “No pós-pandemia podemos dizer que os preços normalizaram. Mas não quer dizer que voltaram aos patamares anteriores. Simplesmente temos agora novos parâmetros que balizaram os preços destes insumos para cima”, observa.

As matérias-primas importadas da Ásia e Europa continuam sendo um desafio para a Plastiline, empresa com sede em Flores da Cunha, em razão das incertezas quanto aos preços futuros. “Já houve um reajuste médio de 12% a 15% dependendo do item, o que nos obrigou a repassar 8% de aumento para o cliente final. A situação preocupa em função dos seguidos ataques que têm ocorrido aos navios no Mar Vermelho”, observa o gestor comercial Álvaro Calazans Prado Jr.

A Plastiline adquire as matérias-primas junto a distribuidoras, que fazem a importação. Tem adquirido em grandes volumes visando melhorar o preço final. “A dificuldade de compra no mercado interno decorre da concentração da produção na Braskem, que não está conseguindo atender a toda demanda do mercado”, assinala.

Mesmo diante deste cenário de incertezas e, ainda se recuperando dos problemas causados pelas enchentes de maio, as empresas vislumbram resultados positivos para o ano. Piccinini tem a expectativa de crescer dois dígitos na comparação com 2023, parte decorrente do grande número de novos produtos que a empresa está lançando. “Para o segundo semestre temos uma perspectiva muito boa com relação ao segmento de varejo, que historicamente tem números muito bons nesse período”, reforça.

Feldman registra que a Trombini acompanha as projeções da Associação Brasileira de Embalagens em Papel. O cenário de crescimento projetado pela instituição é de 5%, que deve se confirmar na empresa. A Plastiline, de acordo com Prado Jr., teve um primeiro semestre abaixo do realizado no ano passado, parte decorrente das enchentes de maio, que provocaram a postergação de entrega de pedidos por clientes que foram seriamente afetados. Ele revela que a recuperação tem sido lenta. 

Investimentos são mantidos em produtividade e lançamentos

O superintendente da Trombini, Maurício Feldman, percebe que muitas empresas afetadas em suas operações pelas enchentes retomaram as atividades, demonstrando recuperação do mercado diante dos desafios enfrentados desde maio. “É inegável que as enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul neste ano geraram impactos nas mais diferentes esferas. Por isso, acompanhamos de perto como a resiliência e perseverança do povo gaúcho estão sendo fundamentais para superar esse desafio da reconstrução”, afirma.

A unidade em Farroupilha produz chapas e caixas de papelão ondulado, utilizando aproximadamente 97% de sua capacidade. Já a de Canela produz papel reciclado. O quadro de colaboradores das duas representa 20% entre as sete unidades fabris que a organização possui nos três estados do Sul do Brasil, localizadas também em Fraiburgo (SC) e Curitiba (PR).

De acordo com Feldman, a Trombini figura entre as maiores fabricantes de embalagens de papel e papelão ondulado do Brasil, atendendo todos os estados. Também exporta suas soluções, atualmente de forma majoritária para a América Latina. Salienta que o Rio Grande do Sul tem representatividade importante nas operações da empresa, razão para manter investimentos constantes na estrutura operacional das duas unidades. Para 2024, a programação é de investir R$ 50 milhões.

No momento, os recursos alocados na planta de Farroupilha visam atualizações tecnológicas para permitir maior produtividade e, por decorrência, melhor atendimento às necessidades do mercado. “Realizamos investimentos frequentes na linha de produção, bem como na capacitação técnica dos colaboradores, como forma de melhoria contínua, mantendo o padrão de qualidade e o cumprimento de prazos de entrega”, reforça. A Trombini completa, em 2024, meio século de presença no estado.

A Galvanotek vislumbra o mercado em recuperação no Rio Grande do Sul, mas com situações distintas entre os segmentos consumidores. Ao mesmo tempo em que o consumo se manteve e, até mesmo se elevou em determinados setores, outros apresentam maior dificuldade de retomada. “É um tema complexo, pois existem variáveis por regiões que antes não existiam”, afirma Jeancarlo Piccinini.

Entre as duas unidades, a empresa tem capacidade de produção para transformar mais de 6 mil toneladas de plástico por mês, com quadro de 750 colaboradores. Além de atuar em todo o país, a Galvanotek exporta para 18 países, com ênfase nas américas do Sul e Central e nos Estados Unidos. O executivo revela que, nos últimos anos, a participação do mercado externo aumentou de forma expressiva na receita da empresa.

Sem explicitar valores, destaca que a companhia elabora o planejamento estratégico quinquenal alinhado aos planos de investimentos, que contemplam o lançamento anual de, no mínimo, 20 novos produtos, e ampliação do parque fabril, o que permitirá entrar em novos segmentos de mercado. Ainda cita o aporte em logística reversa e em programas de conscientização da importância do plástico para a sociedade. “É um desafio mostrar para o público que nem todo plástico é igual, que as embalagens que produzimos auxiliam em todo processo de reciclagem e são 100% recicláveis. Também proporcionam praticidade e segurança alimentar para os consumidores, constituindo-se na melhor opção em termos de sustentabilidade”, reitera.

Com fornecimento de embalagens flexíveis para diversos setores, a Plastiline não sofreu danos na sua estrutura fabril em razão das enchentes, mas ficou quase 15 dias sem produção por problemas de entrega de matérias-primas vindas do Centro do país em função dos bloqueios de estradas. A empresa tem produzido de 180 a 200 toneladas mensais, volume compatível com a capacidade do quadro de 70 funcionários. De acordo com Prado Jr., o parque de máquinas tem condições de processar mais, porém falta pessoal. “Não temos, no momento, intenção de aumentar o quadro. O cenário é de incertezas e estamos agindo de forma cautelosa”, revela. Em 2023, a Plastiline, que atua nos três do Sul e parte de São Paulo, investiu na modernização e ampliação do parque de máquinas.

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