O maior complexo automotivo do Rio Grande do Sul esteve parado por completo durante pelo menor 10 meses entre 2020 e o começo de 2022. Primeiro, com as medidas de proteção contra a Covid-19. Depois, como consequência da escassez de peças, sobretudo semicondutores, no mercado internacional com o começo da retomada após a pandemia. O resultado de tantos percalços na produção do Complexo da GM reflete-se agora nos números do PIB de Gravataí de 2021. Entre as 10 maiores economias do Estado, foi a que apresentou maior queda no índice e na classificação no ranking, com uma perda real de R$ 379,3 milhões de PIB.
"É resultado direto de como a pandemia abateu-se sobre a GM. Temos muitos players industriais em Gravataí, mas nada se compara ao complexo automotivo, que responde por 44% do nosso PIB. Quando olhamos para 2021, na prática, a fábrica só operou, e não foi a pleno, durante três meses. O fornecimento de semicondutores só foi normalizado no final de 2022", explica o secretário municipal da Fazenda de Gravataí, Davi Severgnini.
Uma realidade que, no próximo levantamento do PIB, acredita o secretário, já mostrará um quadro de recuperação na classificação do município e, em 2025, de recuperação plena das contas municipais.
"No próximo levantamento, Gravataí voltará a figurar como a quarta maior economia do Estado", assegura.
"No próximo levantamento, Gravataí voltará a figurar como a quarta maior economia do Estado", assegura.
Leia também: Gravataí espera fabricação de carros elétricos na GM
São os números da produção e venda da GM que dão solidez a essa observação. Em 2019, antes da pandemia, por exemplo, a montadora teve valores de venda bruta de R$ 13,8 bilhões a partir de Gravataí. Em 2020, com os primeiros efeitos da pandemia, baixou para R$ 10,7 bilhões e, em 2021, para apenas R$ 6,8 bilhões. No ano passado, a recuperação já foi acima do que era observado antes da crise provocada pela Covid, chegando a R$ 15,6 bilhões e, neste ano, ainda não finalizado, os números apontam para R$ 16,4 bilhões.
Nas contas do município
É claro que os números negativos de 2020 e 2021 são diretamente sentidos no retorno de ICMS do município. Houve perda, neste ano, de R$ 50 milhões de ICMS. A divisão do bolo para o retorno do imposto ao município, que é o VAF, por exemplo, leva em conta os valores arrecadados dois anos antes. E aí, Gravataí contabilizou R$ 900 milhões em 2021, ou apenas um terço do que teve em 2019.
"Em 2024, ainda teremos um ICMS deprimido, sem crescimento real, enquanto o restante do Estado apresentou este crescimento. Internamente, fizemos o dever de casa, com retornos de ITBI e ISS, por exemplo, 18% acima do que tínhamos em 2018. Mas, claro, não compensam por completo as perdas do ICMS", aponta o secretário.
O giro da chave para a retomada plena nas contas públicas, estima Davi Severgnini, será em 2025, quando, aí sim o VAF considerado terá as vendas de 2023 da GM na conta. Mas há dúvidas no horizonte para manter o crescimento previsto para os próximos anos.
Um dos fatores de preocupação foi a prorrogação, no texto da Reforma Tributária, dos incentivos ao polo automotivo do Nordeste até 2032. A estimativa é de que este incentivo resulta em até 11% na diferença do preço final do carro em relação ao produzido no Rio Grande do Sul.
Em outra ponta, há expectativa de que Gravataí esteja entre as plantas industriais escolhidas pela montadora para passar a produzir, a partir de 2027, os novos veículos híbridos, no caminho para os elétricos.
"Temos em Gravataí uma das plantas mais modernas da montadora. Acreditamos que seja um diferencial. Trazer para cá a produção dos carros do futuro representará não só manutenção deste setor fundamental na nossa economia, como novos investimentos para a adaptação da fábrica", avalia Severgnini.