Setor de energia segue caminho da autonomia do consumidor

Mercado livre e geração distribuída continuam em expansão no Brasil

Por Jefferson Klein

Sistemas fotovoltaicos permitem atendimento da demanda própria dos usuários
A independência dos consumidores é algo que vem crescendo dentro do setor elétrico brasileiro. Esse tema tem avançado, especialmente, através da geração distribuída (em que se produz a própria energia, muitas vezes por sistemas solares fotovoltaicos) e pelo mercado livre (ambiente formado por grandes clientes que podem escolher de quem comprar a energia).
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Nesse último caso, o Partner e Head de Desenvolvimento de negócios da 2W (empresa comercializadora de energia) na região Sul, Ciro Neto, argumenta que um conjunto de fatores torna atrativo o mercado livre. Nessa modalidade é possível escolher que tipo de geração será usada e a um preço mais competitivo. “Nós somos dos poucos países que têm, neste momento, uma energia renovável, a um preço barato, e em abundância”, comenta o executivo.
Conforme Neto, as empresas precisam adotar melhores práticas de sustentabilidade e essa questão passa pela contratação de energia limpa, com a redução das emissões de CO2. Esse panorama favorece a migração para o mercado. O dirigente informa que cerca de 3,3 mil novas companhias passaram para o mercado livre de energia apenas no primeiro semestre deste ano no País. O número representa um avanço de 52% em relação ao mesmo período de 2022.
A perspectiva é que os números sejam mais promissores nos próximos anos, com a flexibilização das regras do setor. A possibilidade de migração, hoje restrita a consumidores com demanda contratada acima de 0,5 MW (ou combinação de unidades sob o mesmo CNPJ com esse patamar), será aberta para todos os usuários da alta tensão (empresas que têm transformadores próprios) a partir de janeiro de 2024.
Na área da geração distribuída o cenário também é animador.
O dado mais recente da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar) é que o País acaba de ultrapassar a marca de 35 mil MW de potência instalada da fonte solar fotovoltaica, somando as usinas de grande porte e os sistemas de geração própria de energia em telhados, fachadas e pequenos terrenos, o equivalente a 15,9 % da matriz elétrica nacional. Somente no segmento de geração distribuída, são 24,4 mil MW de potência instalada (suficiente para atender à demanda média de energia de aproximadamente seis estados como o Rio Grande do Sul).
O gerente de Desenvolvimento de Negócios da Livoltek (fabricante de inversores fotovoltaicos), Cristiano Santos, destaca que o assunto energia não é mais algo em que se pensa apenas em curto prazo. O dirigente enfatiza que o interesse pelos sistemas solares se manteve, mesmo com a nova regulamentação (lei 14.300) que começou a vigorar a partir do começo desse ano e alongou o payback (tempo de retorno do investimento) desses equipamentos. “Passou aquele medo que todo mundo estava de fazer o investimento e o mercado começou a rodar novamente”, afirma Santos.

Ele ressalta que a aposta em energia solar, além de ser uma solução de menor impacto ambiental, permite a redução de gastos dos consumidores com a energia. Uma prova de otimismo quanto a esse segmento é o aporte de aproximadamente R$ 70 milhões que a Livoltek fará para instalar uma planta de fabricação de inversores fotovoltaicos, além de carregadores veiculares e string boxes (componentes de proteção), em Manaus (AM). Um dos motivos para o complexo ser erguido naquele município é a possibilidade de contar com benefícios fiscais da Zona Franca. A operação da unidade está prevista para ocorrer no primeiro trimestre de 2024.