O crescente envelhecimento da população mundial, somado a um também observado declínio da fecundidade, mobiliza mercados em busca de soluções específicas para atender ao crescente contingente de idosos. Nesse contexto, as residências seniores são uma das tendências diante dessa nova realidade, calcada no conceito Agetech, que reúne soluções pensadas para o público que compreende a faixa da terceira idade.
Instituições de Larga Permanência (ILPI), acomodações direcionadas ao público sênior, tiveram um crescimento vertiginoso no final da década de 1980. Entre 1987 e 1997, seguiu-se a alta dos empreendimentos. Contudo, devido à estabilidade desse mercado então recém-consolidado, a demanda caiu. Agora, com a relação já constante entre maior expectativa de vida e menor taxa de fecundidade, novos horizontes são dispostos para o segmento idoso da população.
Segundo pesquisa elaborada pela Caio Calfat Real State Consulting e pela Brain Inteligência Estratégica, de uma amostra de 453 entrevistados com idade média de 51 anos, 50% apresentaram preocupação quando ao declínio de saúde no envelhecimento, e 26% estariam preocupados em ficar dependentes de filhos ou cuidadores. Já 33% estariam dispostos a trocar de imóvel.
"As casas geriátricas atualmente focam em pessoas que já têm algum grau de dependência, diferente dos residenciais sênior, que visam também um público que busca muito além de um cuidado específico, mas a qualidade de vida e a convivência”, discorreu o CEO da ABF Developments, Eduardo Fonseca, responsável pelo lançamento de alguns empreendimentos do segmento.
As instalações contam com equipamentos e áreas para um público que, não sendo estritamente dependente, busca comodidade. Serviços e estruturas como com piscina térmica, academia com personal, sala de jogos, sala de fisioterapia e elevador maca integram esses empreendimentos, com base em estudos. Por conta de seus diferenciais, os residências seniores requerem um maior investimento de seu público-alvo. "Os dados do Censo, somados aos revelados em pesquisa dão ainda mais certeza de que o mercado sênior só tem a crescer no Brasil”, frisou Geison Tremea, Executivo da Unimed.
A maior parte desse mercado é concentrada nas regiões Sul-Sudeste: 27% das residências em São Paulo, 13% em Minas Gerais e 12% no Rio Grande do Sul.
Apenas em Porto Alegre, 15% da população têm mais de 60 anos. Mas, ainda que haja a demanda e 80% desses tipos de leito estejam ocupados, o valor médio de um leito individual de residência sênior na Capital é de R$ 10,8 mil, realidade diferente de uma fatia da população que, em sua maioria, não possui renda superior a esse valor.
Fonseca reitera que, com um mercado amadurecido, será altamente provável que haja preços mais acessíveis para essas acomodações em um futuro próximo.
Em Porto Alegre, a primeira residência sênior já em funcionamento é a Vintage Senior Residence, no bairro Petrópolis. Para março de 2024, estão previstas ainda obras e comercialização da unidade Magno Menino Deus, com projeto lançado ainda no primeiro semestre deste ano, sendo essa fruto de parceria da ABF Developments e da RS Empreendimentos, holding da Unimed.