"Foco em vendedores que criam moda." A senha foi dada pelo principal executivo da plataforma chinesa Shein no Brasil, Felipe Feistler, ao confirmar que até dezembro serão incluídos designers, fabricantes e até mesmo varejos do Rio Grande do Sul no marketplace da gigante. O alcance da operação é irresistível: fluxo de 50 milhões de usuários por mês no Brasil.
"A gente faz muita parceria com marcas", reforça o diretor para o Brasil, um recado para marcas autorais, que têm muitos exemplos na área da moda gaúcha. A Shein abriu nesta quarta-feira (17) sua primeira loja temporária (pop-up) em Porto Alegre, que vai funcionar até domingo (21) no Bourbon Wallig, um dos shopping centers do Grupo Zaffari, localizado na Zona Norte de Porto Alegre.
Feistler também reforça que a operação busca design para ampliar as opções de características das regiões brasileiras. Hoje são 30 mil vendedores na plataforma, com comissão de 16% para a Shein. O marketplace está hoje disponível apenas para São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Paraná e Santa Catarina.
"Queremos ter a moda gaúcha para todo o Brasil", avisa o executivo. Mas o comércio pode ir além. Na pop-up mesmo, uma das marcas à venda, a Cajuni, foi criada por desenvolvedores do Brasil e é levada a dezenas de países. A plataforma não revela se a confecção é nacional.
Feistler disse que a Shein quer ter criadores de moda do Rio Grande do Sul no marketplace
TÂNIA MEINERZ/JC
Feistler diz ainda que o mercado brasileiro tem a maior proporção de vendedores locais frente a outros lugares do mundo onde a plataforma opera. A Shein comercializa produtos em 200 países. Detalhe: a marca foi criada para vender fora da China, ou seja, os chineses não têm acesso e nem são atingidos pelo canal digital.
O diretor também falou que a demanda logística cresce muito, hoje a plataforma concentra hub em centro logístico de 250 mil metros quadrados em Guarulhos. Uma 12ª loja temporária vai ser instalada ainda este ano. Mas a marca faz suspense e deve informar bem próximo da data da abertura, como foi na instalação no shopping do Zaffari.
A pop-up porto-alegrense foi mega restrita no acesso ao público. Foram liberados apenas 3 mil ingressos por dia. A oferta em diferentes lotes e dias esgotava em 10 minutos ou menos após ser aberta, segundo a companhia. O ponto físico integra estratégia da gigante para testar coleções, literalmente, a receptividade entre consumidores. Um dos trunfos da marca é conseguir rapidamente lançamentos e com muita diversidade para venda no on-line.
Clientes que conseguiram ingressos puderam conferir fisicamente os produtos do digital
PATRIÍCIA COMUNELLO/ESPECIAL/JC
Mas o ponto físico não estará acessível a todo mundo. Apenas quem conseguiu reservar ingressos vai poder ter a experiência de consumir numa autêntica loja física da chinesa. O foco da gigante é no digital. O estoque tem 12,5 mil peças, para dar conta da demanda e reposição. A experiência de outras pop-ups indica que 70% do inventário são vendidos.
Loja física permanente ainda não entrou no radar da Shein, mas o diretor no Brasil deixou uma janelinha aberta. "A resposta é que não tem planos de ter loja física permanente, mas, no futuro, pode mudar alguma coisa".