Uma nova varejista estrangeira desembarca no fim de semana no Brasil mostrando força. A estreia da H&M, de mesma nacionalidade da C&A, vem com um recado: vai brigar por mercado onde rivalizam a gaúcha Lojas Renner, a própria C&A, Zara (com quem já rivaliza em outros mercados, como o norte-americano) e Riachuelo.
Por que a H&M, de Hennes & Mauritz, chega com força? Primeiro, a porta de entrada será neste fim de semana em um dos shopping centers mais badalados do Brasil, o Iguatemi São Paulo, na vizinhança de concorrentes no complexo na capital paulista. Segundo motivo, a rede investiu pesado em campanha de marketing, usando ícones da música e cultura como Gilberto Gil e Anitta para badalar a entrada e criar identidade e proximidade.
Quatro lojas estão confirmadas. Depois do Iguatemi, virão as filiais dos shoppings Anália Franco, Morumbi e Parque D. Pedro (Campinas). A coluna Minuto Varejo questionou a marca se vai ter unidades e quando no Rio Grande do Sul, e a resposta é que o foco é estar em mais pontos no Brasil.
"Estamos muito empolgados em finalmente abrir nossas portas no Brasil", comentou, em nota, Joaquim Pereira, gerente de vendas da H&M Brasil. A rede já tem lojas no Chile, Peru, Uruguai e Colômbia. Em nota, a H&M, um dos maiores grupos de moda do mundo, fala que tem coleção especial para as brasileiras e ainda com preços mais competitivos.
O coordenador de varejo do Sebrae-RS, Fabiano Zortéa, cita que a rede sueca vai vender a maior parte das coleções trazidas de fora. "É como eles já fazem globalmente", situa Zortéa, que aposta em nacionalização em categorias como jeans e calçados, mas paulatinamente.
"Rede está sempre entre as três maiores varejistas de moda do mundo", avisa Zortéa
TÂNIA MEINERZ/JC
"O foco deles não é ser motor de produção local. A marca vai trazer o modelo de operação internacional direto para o consumidor brasileiro. É concorrência forte chegando. A rede está sempre entre as três maiores varejistas de moda do mundo", avisa o coordenador do Sebrae-RS.
"A H&M é mestre do fast fashion, consegue colocar uma nova coleção nas araras em poucas semanas. Isso pressiona marcas brasileiras a acelerar seus ciclos, sair da zona de conforto e investir pesado em cadeia produtiva ágil", acrescenta o especialista. "Ela vai forçar o varejo nacional a melhorar o design. A régua sobe", acredita Zortéa.
Além disso, um detalhe decisivo na corrida do mundo fashion varejista: "A rede também entrega moda com cara de passarela a preço acessível. Isso obriga marcas como Renner, C&A e Riachuelo a serem mais ousadas nas coleções e mais afiadas na leitura de tendências".
Zortéa lembra ainda: "O brasileiro já aprendeu com a Shein (chinesa) a querer moda boa, bonita e barata. Agora vai aprender com a H&M a querer tudo isso."