A atração é o Acampamento Farroupilha, perto da orla do Guaíba, em Porto Alegre. Mas, na borda do Parque da Harmonia (ou Maurício Sirotsky Sobrinho), palco do acampamento, tem uma novidade que passa quase despercebida por quem frequenta a região. A coluna Minuto Varejo traz a informação: começou o repovoamento de árvores e com seleção dominada por espécies nativas.
O
plantio é o segundo capítulo e, talvez, o último, da
polêmica que surgiu em meados de 2023, após a retirada de árvores do parque para a implantação do projeto da concessionária do trecho 1 da orla, a
GAM 3 Parks, que tem contrato de 35 anos. O clarão que ficou na paisagem, entre impactos de terraplenagem e pontos que não tinham mais a vegetação, marcou a polêmica. As 103 árvores que foram removidas não foram transplantadas a outro local.
Houve a definição da compensação que está em andamento.
"Aroeira, jerivá, ipê, salseiro, araçá ..." A lista é comprida e é recitada diretora da GAM3 Parks, Carla Deboni, detalhando o que está povoando as áreas lindeiras e em frente a um dos acessos ao acampamento, mais perto da orla.
"São todas espécies nativas. O plantio compensatório começou em setembro, com 150 unidades na primeira fase. Em outubro e novembro, serão mais 157 árvores. Vamos concluir até março de 2025, após os meses mais quentes, fechando 482 árvores nativas no coração da cidade", descreve Carla.
Plantio combina árvores de dois metros de altura e espécie ornamentais em pontos do parque
PATRÍCIA COMUNELLO/ESPECIAL/JC
Além das variedades nativas, também está sendo plantada vegetação ornamental nativa. Já despontam no parque capim barba de bode, capim dos pampas e bougainvilles.
"São mudas de dois metros (árvores). Na praça central, vai ter exemplares de três a quatro metros de altura, para ter maior imponência maior", explica a diretora. A estimativa da concessionária é que, em cinco anos a 10 anos, vai ter as árvores com bom porte no parque.
Na área central, onde hoje já estão estruturas para o acampamento e que permanecerão, a ideia é gerar sombra. "Somos empreendedores e usuários do parque. Precisamos de sombra e de contato com a natureza", reforça Carla.
Sobre a polêmica instaurada que redundou na compensação, a diretora acredita que acabou gerando uma ação positiva. "Tem de quebrar pratos para ter um novo projeto. Tiramos 103 unidades e serão quase 500 até começo de 2025", projeta a diretora.
"E agora são todas árvores nativas. Antes tinha muitas árvores exóticas e plantadas sem planejamento", observa ela. "Cada local plantado foi pensado e compatibilizado com a posição solar. Todas as questões técnicas foram pensadas árvore por árvore", valoriza a diretora.