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Patricia Knebel

Patricia Knebel

Publicada em 19 de Outubro de 2026 às 14:22

Eurobotics impulsiona robótica como serviço para indústrias

Marcos Marcon, Pedro Sehbe, Bruna Pavan, Said Nasser e Cristian Pavan, da Eurobotics

Marcos Marcon, Pedro Sehbe, Bruna Pavan, Said Nasser e Cristian Pavan, da Eurobotics

Eurobotics/Divulgação/JC
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Não é sobre vender robô, é sobre vender resultado. A empresa gaúcha Eurobotics, divisão de robótica e IA Física do Grupo Eurostec, avança na proposta de levar para a indústria robôs autônomos para o ambiente industrial, mas com um modelo de negócios mais efetivo para as companhias.

Ao invés de simplesmente fornecer para os clientes os semi-humanoides e os humanoides, a proposta é atuar muito próxima, ajudando-os a extrair valor real da solução. Para isso, uma das apostas é no modelo de ‘robotics as a service’, ou na robótica como serviço, em que a indústria faz uma assinatura mensal e passa a contar com o serviço.

A Eurobotics estará a partir dessa terça-feira (20) na Mercopar, que acontece em Caxias do Sul, e também foi convidada a participar de um tour guiado do Sebrae-RS para apresentar o robô industrial de inspeção a grupos de empresários.

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“O que o nosso cliente contrata é o processo de negócio, com a disponibilidade operacional e rastreabilidade. O robô é o meio para chegar lá. Desenhamos a operação para que o equipamento possa ser trocado, atualizado ou complementado sem que o cliente perca o que já construiu com ele”, explica Said Nasser, cofundador e Chief Technology Officer (CTO) da Eurobotics. Também existe a opção da compra do equipamento.

O executivo, que tem mais de 20 anos de experiência no mercado de alta tecnologia, comenta que os projetos de robótica geralmente nascem e morrem rapidamente em função da complexidade dos equipamentos e do pouco apoio especializado no dia a dia. A robótica estruturada, como braço robótico de solda de uma montadora, por exemplo, é relativamente fácil de manter porque é baseada em controles e equipamentos que fazem sempre a mesma função, protegidos em um ambiente interno.

“Quando falamos do robô autônomo, é diferente. São equipamentos que precisam conviver com pessoas e uma série de variáveis de um ambiente externo. Se não tiver uma equipe especializada, a empresa tende a comprar o robô e esquecer com o tempo, pela dificuldade de usar”, aponta, acrescentando que a Eurobotics chega ao mercado, justamente, para oferecer ao cliente o resultado que o equipamento robótico é capaz de gerar.

Para isso, a empresa criou uma plataforma própria que faz a gestão de todo o processo. Cada robô conectado a ela funciona como um nó intercambiável da frota. A plataforma coordena frotas heterogêneas, compostas por robôs de fabricantes e funções diferentes, sob uma única camada de orquestração, e roda em um datacenter na borda, na localidade do cliente.

O cofundador e Chief Revenue Officer (CRO) da Eurobotics, Pedro Horn Sehbe, conta que, há cerca de nove meses a empresa iniciou o trabalho com foco na robótica autônoma para indústria pesada.

“A Eurostec entrou como sócia e, aproveitando toda estrutura e capilaridade da empresa, desenvolvemos uma rede de assistência técnica em 27 estados, além das filiais. Isso nos dá a capacidade de oferecer equipamentos de robótica e também atendimento profissional de um equipamento cada vez mais critico para a operação dos clientes”, explica. Segundo ele, uma das barreiras da implantação da robótica no Brasil hoje em dia é, justamente, a assistência técnica.

O ano de 2026 está sendo de desenho do modelo de negócios, entendimento da tecnologia pela equipe de engenharia e de imersões no mercado chinês, de onde a empresa está importando os robôs autônomos.

Foram três missões ao país esse ano, 46 empresas visitadas e três certificadas para fornecer os robôs – na mais recente viagem, sete engenheiros da Eurobotics e da Eurostec fizeram uma imersão nos três principais fornecedores, entendendo todos os processos.

“O mundo ocidental olha para a robótica com foco em robôs sofisticados e caros. A China olha para equipamentos mais baratos e com software mais sofisticado e aberto”, explica Nasser. Bruna Pavan e Cristian Pavan são fundadores da Eurostec e cofundadores da Eurobotics ao lado de Nasser e Sehbe.

A Eurobotics atua com quatro linhas de aplicação. Uma delas é a da inspeção com robôs quadrúpedes, de quatro patas, que percorrem rotas em subestações, plantas industriais, áreas de utilidades e galerias, com conectividade 5G e posicionamento de alta precisão.

Os robôs carregam câmeras visuais e térmicas, sensores de gás e imageadores acústicos. Quando um sensor identifica concentração anormal de gás, por exemplo, o robô se desloca seguindo a concentração até que o imageador acústico localize o ponto de vazamento e registre a imagem para a equipe de manutenção.

Uma das maiores vantagens do uso desses dispositivos está na redução do risco de acidentes e paradas não programadas. “As indústrias costumam enfrentar desafios na inspeção de ativos críticos trabalho que, muitas vezes, envolve uma atuação perigosa para os seres humanos”, explica Sehbe.

É o caso de uma subestação elétrica, que nada mais é do que uma grande área de equipamentos de altíssima voltagem, com risco de uma pessoa ser eletrocutada ou, na área alimentícia, com as plantas de amônia. “A robótica pode levar a indústria a um nível de produtividade mais alta e também fazer com que a inspeção chegue a lugares que o humano não pode mais estar”, acrescenta o executivo.

Na solda robotizada, células e cobots de solda para operações de soldagem repetitiva na indústria metalmecânica, com programação orientada à peça e à aplicação do cliente. A terceira área é a da limpeza autônoma, que envolve, por exemplo, os robôs mais simples  que varrem, lavam e secam pisos de forma autônoma e programada. Já na intralogística, robôs móveis autônomos fazem a movimentação de materiais entre recebimento, estoque, produção e expedição, integrados aos sistemas de gestão do armazém e da fábrica.

A fase da empresa gaúcha agora é de implantação da solução nos early adopters, aqueles clientes que costumam ser os primeiros a adotar as novas tecnologias, e que já entenderam o potencial da robótica na inspeção industrial.

“Em 2027, a meta é ganhar escala nos clientes industriais grandes que vão passar de dezenas de equipamentos para centenas, e também trabalhar para que nosso mecanismo de machine learning e conhecimento agregado da realidade dos clientes comece a gerar mais inteligência para nossa operação”, projeta Sehbe.

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