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Publicada em 25 de Julho de 2025 às 16:44

Educação que rompe o ciclo de silêncio

Agenda de agosto do coletivo já está cheia, o que é motivo de comemoração

Agenda de agosto do coletivo já está cheia, o que é motivo de comemoração

BRENO BAUER/JC
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Gabrieli Silva
Gabrieli Silva Repórter
O coletivo não se limita à escola. Suas ações se expandem para mais de 30 instituições de ensino, com apoio da Guarda Municipal. O grupo realiza oficinas conforme os temas solicitados:
O coletivo não se limita à escola. Suas ações se expandem para mais de 30 instituições de ensino, com apoio da Guarda Municipal. O grupo realiza oficinas conforme os temas solicitados:
Garota de Vermelho (menstruação);
Chama Violeta (violência sexual);
Projeto Amarelo: Para Diminuir a Febre de Sentir (saúde mental);
Projeto Verde: Colocar o Coração no Ritmo da Terra (meio ambiente).
A professora Maria Gabriela conta, com brilho nos olhos, que a agenda do grupo para agosto já está cheia. Ela se emociona ao ver as alunas, tão idealizadoras e bem articuladas, apresentando as ações com garra e convicção. Uma das iniciativas do coletivo é o desenvolvimento de um kit de saúde menstrual solidário, com bolsa térmica e absorventes costurados por mulheres da comunidade.
"As meninas fazem um trabalho de empreendedorismo social. Criaram kits de saúde menstrual e adotaram o modelo 'comprou, doou'. A cada venda, um kit é doado para alguém da comunidade. Também vendem doces, papelaria e buscam recursos por emendas parlamentares", conta a professora.
Elas também estão arrecadando recursos para imprimir seus livros — que por enquanto existem em poucas cópias — e se organizam para participar da Feira do Livro deste ano.
Entre os novos projetos em produção estão o Voar juntas, que tem como tema o combate à violência sexual e o Histórias de Menstruação, desenvolvido a partir de entrevistas com mulheres da EJA (Educação de Jovens e Adultos) sobre suas primeiras experiências menstruais.
"Muitas nunca tinham falado sobre isso. Queremos honrá-las, valorizar seus corpos e escrever nossa própria história", explica a aluna Manuella Barcellos, de 12 anos.
Na área ambiental, o coletivo atua em defesa do Parque Saint-Hilaire, vizinho à escola, com ações como denúncias de queimadas, produção de sementes de araçá e um reflorestamento coletivo previsto para agosto. A mobilização também deu origem à Feira Literária Ecológica, onde as estudantes lançaram uma caixa pedagógica intitulada Colocar o Coração no Ritmo da Terra, inspirada nas leituras do ambientalista e filósofo Ailton Krenak. A partir dessas experiências, surgiu ainda a criação de um novo livro em que o personagem principal será um Butiá — atualmente em produção e ainda sem título.
Elas relatam que nem sempre a comunidade compreendeu.
"No início, ouvimos que éramos muito novas para falar desses assuntos. Mas as principais vítimas da violência sexual são meninas de até 13 anos. Se não formos nós, quem vai falar por nós?", questionam.
Hoje, o reconhecimento fala mais alto:
"O coletivo desenvolveu nossa leitura, nossa comunicação e nosso desempenho nas aulas. Mudou nossa vida", afirma Alice Fernandes, de apenas 12 anos.
Ao reinventar o modo de estar na escola, o Coletivo Luísa Marques escreve, costura, planta e sonha junto. E mostra que meninas com livros nas mãos e coragem na fala são capazes de mudar o mundo — começando pelo pátio da escola.
 

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