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Publicada em 08 de Dezembro de 2024 às 16:00

Mercado gaúcho despontou como potência no segmento e, depois de ter perdido espaço, volta a aparecer com uma expectativa promissora para os próximos anos em função do aumento de demanda

Mercado gaúcho despontou como potência no segmento e, depois de ter perdido espaço, volta a aparecer com uma expectativa promissora para os próximos anos em função do aumento de demanda

/TÂNIA MEINERZ/JC
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Jefferson Klein
Jefferson Klein Repórter
Depois de estar na vanguarda do setor eólico brasileiro, com a inauguração em 2006 do parque de Osório, os gaúchos viram pouco a pouco seu protagonismo enfraquecer com o avanço dos estados do Nordeste nesse campo. No entanto, para os empreendedores desse segmento, devido a atuais limitações no sistema de transmissão daquela região do País, o Rio Grande do Sul tem uma 'janela' de oportunidade para a geração eólica nos próximos anos.
Depois de estar na vanguarda do setor eólico brasileiro, com a inauguração em 2006 do parque de Osório, os gaúchos viram pouco a pouco seu protagonismo enfraquecer com o avanço dos estados do Nordeste nesse campo. No entanto, para os empreendedores desse segmento, devido a atuais limitações no sistema de transmissão daquela região do País, o Rio Grande do Sul tem uma 'janela' de oportunidade para a geração eólica nos próximos anos.
Para os dirigentes do Sindicato da Indústria de Energias Renováveis do Rio Grande do Sul (Sindienergia-RS), esse período promissor deve se estender por cerca de três anos. A presidente da entidade, Daniela Cardeal, ressalta que atualmente a indústria eólica nordestina está subutilizada. "Mas, alguma hora vai voltar com toda a carga", adianta. Ela enfatiza que é preciso que o governo federal tenha um olhar geral para o setor e frisa que no momento o Rio Grande do Sul possui muitos projetos eólicos com licenciamento ambiental e capacidade de conexão com a rede elétrica. "Abrem-se novos mercados, dentro do Brasil, que é um país continental", aponta a presidente do Sindienergia-RS.
Já o diretor de eólicas do sindicato, Guilherme Sari, assinala que, hoje, a indústria de equipamentos eólicos se concentra no Nordeste, o que é mais um fator que torna os empreendimentos naquela região muito competitivos. Apesar desse cenário, o dirigente defende que deveria ser colocado na balança, na ocasião da comercialização de energia de usinas daquela localidade, o custo de transmissão para deslocar a eletricidade até os centros de carga, que se encontram nas regiões Sul e Sudeste do Brasil. Segundo ele, essa questão ainda não está bem dimensionada.
Porém, Sari considera que o Rio Grande do Sul tem uma expectativa promissora nos próximos anos, porque o País deve crescer e precisará de mais energia por meio de usinas que possam ser implementadas de forma mais célere. "O Estado tem energia, tem margem (de conexão) e bons projetos, esse é o momento de fazer acontecer", sustenta o diretor.
O integrante do Sindienergia-RS também comenta que é importante que o Estado tente atrair fábricas de componentes para os parques eólicos como, por exemplo, uma indústria de torres. No primeiro semestre deste ano, o governo do Rio Grande do Sul firmou um memorando de entendimento com a empresa europeia Nordex justamente para tentar confirmar a instalação de uma fábrica desses equipamentos em solo gaúcho.
Na ocasião, foram listadas três áreas com mais probabilidades para receber a planta de torres eólicas: Campanha (Bagé), Fronteira Oeste e Litoral (Osório ou Santa Vitória do Palmar). O investimento em um empreendimento como esse, que levaria cerca de um ano para ser construído, é estimado entre R$ 30 milhões a R$ 50 milhões.
Em outubro, também para promover o setor eólico local, o governador Eduardo Leite participou da Feira Brazil Windpower 2024, em São Paulo. Na ocasião, ele frisou que, atualmente, as energias renováveis representam mais de 83% da potência elétrica instalada no Rio Grande do Sul, com a energia eólica sendo responsável por 16,2% desse total.
O governador enfatizou ainda o enorme potencial do Estado para o desenvolvimento de projetos de energia eólica, tanto onshore (em terra) quanto offshore (no mar). "O Rio Grande do Sul possui um potencial de geração eólica onshore de 103 mil MW, com ventos acima de 7 metros por segundo a 100 metros de altura, e outros 114 mil MW em áreas offshore", destacou. Para se ter uma ideia da capacidade de crescimento, hoje o Rio Grande do Sul tem 1,9 mil MW em potência eólica instalada.
Leite mencionou ainda que, na ocasião do evento, havia 55 projetos eólicos, que totalizavam 17,2 mil MW, em processo de licenciamento pela Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam). Se todos esses complexos saíssem do papel, os investimentos ultrapassariam o patamar dos R$ 100 bilhões.
 

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