Maior fabricante nacional de aço, a Gerdau está fazendo a sua parte na recuperação do Rio Grande do Sul pós-enchente de maio. À primeira vista, pode-se pensar que o auxílio prestado se resumiria ao fornecimento do aço produzido pela empresa gaúcha para ações de reconstrução. No entanto, o envolvimento da Gerdau com a recuperação do Rio Grande do Sul vai muito além disso.
Para financiar projetos que visam reconstruir o Estado, a companhia promoveu a criação de fundos de arrecadação, como é o caso do Regenera RS. "O objetivo do projeto não é competir com outros tipos de arrecadação, até porque, neste caso, as doações são feitas pelas próprias empresas participantes", explica o diretor da Gerdau, Paulo Boneff.
A Dínamo, companhia contratada para ser gestora do Regenera RS, disponibiliza um link para que empresas possam inscrever seus projetos, que passarão por análise técnica. Se o projeto for aceito pelos avaliadores, a empresa recebe uma parcela da quantia arrecadada pelo fundo.
A banca de avaliadores é composta por especialistas em diferentes assuntos. Para avaliar um projeto voltado para a construção de moradias, por exemplo, serão levados em consideração aspectos técnicos da construção.
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A Dínamo definiu uma estrutura de gestão para o Regenera RS, a fim de garantir maior agilidade aos processos. Além do corpo técnico, responsável pela avaliação dos projetos, existe um conselho deliberativo e outro, consultivo. De acordo com o diretor Boneff, a Gerdau organiza reuniões periódicas com os membros da gestão do fundo.
"Em um destes encontros, o valor de R$1 milhão foi encaminhado para o Sindicato das Indústrias de Construção Civil do Rio Grande do Sul (Sinduscon-RS), comprometido com a construção de 50 casas definitivas no bairro Hípica, na zona sul de Porto Alegre", explica Boneff. A seleção das famílias que irão receber as moradias é responsabilidade da prefeitura de Porto Alegre, por meio da Assistência Social.
As casas são produzidas dentro da fábrica da Gerdau em São Paulo e posteriormente transportadas de caminhão até o Rio Grande do Sul. De acordo com Boneff, a montagem ocorre em três ou quatro dias.
Mediante uma avaliação técnica, o Sinduscon-RS escolheu o modelo Steel Frame para construir as moradias. Entre os motivos para esta decisão estão a capacidade de adaptação e a resistência do aço aos diferentes tipos de clima do RS. No terreno demarcado para a construção das casas, também será necessário investir em obras de calçamento, rede elétrica e tubulação de água e esgoto.
O aço utilizado na construção da base de concreto das casas não é o mesmo que está na estrutura das paredes. Segundo Boneff, o Steel Frame das paredes é um tipo de aço que a Gerdau não produz. Apesar disso, a empresa gaúcha fornece telas de aço e vergalhões para a construção da base das casas.
A Gerdau também está envolvida na organização de outro fundo de arrecadação, neste caso em parceria com o projeto Gerando Falcões. Com a criação deste outro fundo, a Gerdau pretendia reunir recursos enquanto o fundo Regenera RS ainda estava sendo estruturado. No novo fundo, a Gerdau fez um aporte de R$5 milhões, e a Gerando Falcões conseguiu outros R$3 milhões com empresas parceiras.
"O Regenera RS pode ser visto como um fundo-mãe. O projeto realizado com a Gerando Falcões, por sua vez, cuida especificamente da vertente de habitação", explica Boneff. De acordo com ele, após entrar em contato com o governo estadual, a Gerdau direcionou seus esforços na construção de moradias temporárias. Isso porque a entrega das casas definitivas, que será feita pelos governos estadual e federal, ainda vai demorar alguns meses.
A operação das estruturas transitórias será feita pelo Acnur, a agência da ONU para refugiados, que recebeu o repasse de R$4,5 milhões do fundo criado pela Gerdau e pela Gerando Falcões. A situação dos desabrigados no RS se enquadra no plano de ação do Acnur porque a agência também protege deslocados por alterações climáticas.
A estrutura das casas temporárias está sendo trazida da Colômbia pela empresa aérea Latam. Por isso, de acordo com o diretor da Gerdau, é provável que o dinheiro recebido pelo Acnur seja utilizado no fornecimento de cestas básicas, material de higiene, colchões e cobertores para os acolhidos. Ainda segundo Boneff, a expectativa é de que as pessoas possam ir para suas novas moradias definitivas em até seis meses.
Escola Municipal Liberato Salzano será recuperada pela indústria
Muito atingida pela enchente de maio, a infraestrutura da Região Metropolitana de Porto Alegre foi outro foco de atuação da Gerdau. "Nós identificamos que várias estruturas públicas e privadas, incluindo escolas e hospitais, estavam comprometidas", explica o diretor da Gerdau, Paulo Boneff. Conforme lista lançada pela prefeitura de Porto Alegre, a Escola Municipal Liberato Salzano foi uma das estruturas públicas mais atingidas pelas chuvas, para o prejuízo dos mais de 1500 alunos da instituição.
O plano de recuperação da escola foi formulado pela Gerdau e pela Ambev. Para a execução das obras, as duas empresas entraram em contato com a Brasil ao Cubo, que prometeu entregar as reformas dentro do prazo de 60 dias.
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Boneff destaca a importância simbólica dos trabalhos de recuperação da escola que estão sendo realizados pela Gerdau. "O acesso à escola não é somente sobre o estudo, que também é muito importante. Para muitas crianças, ir à escola significa ter acesso a uma refeição no dia. Além disso, a escola é um lugar de segurança para os pais das crianças", comenta.
A Gerdau também está tendo papel importante na reconstrução de pontes no RS, como na cidade de Agudo. Segundo Boneff, além de demonstrar interesse em fornecer materiais para construção, é necessário apresentar um projeto que, entre outras coisas, garanta a estabilidade das pontes mesmo quando expostas a uma nova chuva. A Gerdau também doou aço para as reformas necessárias na estrutura de alguns pavilhões da Expointer.