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Publicada em 21 de Outubro de 2026 às 16:28
O consumo de ovos apresentou crescimento no Rio Grande do Sul no último ano. Segundo dados da Associação Gaúcha de Avicultura (Asgav), o volume passou de 302 unidades por habitante, em 2025, para 308 unidades em 2026. A alta, de aproximadamente 2%, representa um crescimento significativo para o setor. No cenário nacional, o consumo por habitante deve passar de 288 unidades por habitante em 2025 para 301 unidades em 2026, crescimento de até 4,5%, conforme estimativa da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA).
Segundo José Eduardo dos Santos, presidente executivo da Asgav, o aumento do consumo nos últimos anos, assim como o valor registrado em 2026, é favorecido por diferentes fatores, sendo o aumento da demanda por proteína e a popularidade do ovo os principais. “Hoje, temos uma série de produtos feitos à base de ovos, como barras de cereais, biscoitos e shakes proteicos. Essa crescente valorização da proteína na alimentação tem impulsionado de forma expressiva o crescimento do setor."
O aumento da procura também tem feito com que o mercado se reinvente em embalagens e campanhas. Para Santos, essa lógica é muito influenciada pelo mundo fitness. “Esse público tem buscado ainda mais produtos com ovos, o que reflete na cadeia. Atualmente, o ovo é visto como um todo, principalmente para quem vem buscando uma dieta cada vez mais saudável”.
O Programa Ovos RS, iniciativa criada em 2012 pela Asgav para promover a qualidade, a conformidade legal e o consumo de ovos no Rio Grande do Sul, também tem influência no aumento. “Por meio de ações nas redes sociais e campanhas de conscientização sobre a importância nutricional e funcional do ovo, o programa também orienta os produtores. O selo Ovos RS nas embalagens evidencia o cuidado com a produção. Além disso, o módulo técnico realiza vistorias nas granjas e orienta os produtores sobre como aprimorar a qualidade, a sanidade e a biosseguridade. Todo esse trabalho contribui para oferecer um produto de qualidade e ampliar a confiança dos consumidores”, afirma Santos.
Para Jairo Nienow, produtor de ovos há mais de 45 anos em Alto Feliz, o aumento também é multifatorial. “Nos últimos três anos, mais ou menos, estamos percebendo esse movimento. Hoje, o ovo está no conceito de qualidade, de consumo e de emagrecimento dos consumidores."
Também um dos idealizadores do Programa Ovos RS, Nienow afirma que a ideia surgiu da percepção de que o Estado tinha um produto promissor, mas que não recebia o olhar e o cuidado necessários. “Divulgar o produto, a marca dos Ovos RS e a qualidade do ovo gaúcho traz muita segurança, tanto para o consumidor quanto para o produtor."
Santos explica ainda que, em comparação com a média brasileira, o Estado tem se diferenciado principalmente pela popularidade do produto e pelo pioneirismo em programas como o Ovos RS. “Temos aqui no Rio Grande do Sul uma das maiores exportadoras de ovos do Brasil, a Naturovos, além da Master Eggs, indústria de ovos líquidos localizada em Feliz, que em breve também passará a produzir ovo em pó. Isso, junto do respaldo dos órgãos oficiais por meio de iniciativas, contribui para o desenvolvimento do setor gaúcho, reforçando a credibilidade que construímos junto aos consumidores do Estado e do restante do Brasil”.
Futuro da cadeia também promissor
Segundo as projeções da ABPA para 2027, a tendência é de continuidade do crescimento. A produção nacional poderá atingir 66,5 bilhões de ovos, alta de até 2,6% em relação a 2026. Já o consumo per capita deve chegar a 312 unidades por habitante, avanço de até 3,5% sobre a projeção para este ano. Se confirmada, a estimativa representará um aumento de 119,3% no consumo por habitante em relação a 2006, quando a média nacional era de 142,3 ovos por pessoa.
No RS, segundo Santos, a previsão também é de aumento. Para o executivo, o Estado tem espaço e potencial para ampliar ainda mais o consumo. “Para isso, nós temos que manter o estado sanitário. Sanidade, para nós, é o nosso passaporte. Sem isso, não conseguimos exportar para outros países”.