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Publicada em 02 de Outubro de 2026 às 17:15

Cartilha orienta agricultura familiar diante dos riscos do El Niño

Material reúne medidas de prevenção para proteger produção, animais, famílias e propriedades durante períodos de chuvas intensas e alagamentos

Material reúne medidas de prevenção para proteger produção, animais, famílias e propriedades durante períodos de chuvas intensas e alagamentos

D’Avila, Raquel Brunelli/Embrapa/Divulgação/JC
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O Rio Grande do Sul tem enfrentado cada vez mais eventos climáticos extremos. Segundo o boletim de setembro do Painel El Niño, co-elaborado pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) e outras seis instituições federais, o fenômeno deve alcançar forte intensidade no próximo trimestre, com previsão de chuvas acima da média e risco de cheias no Estado. Se confirmado, será o El Niño mais intenso desde 1950.

Um dos setores que mais sofrem com esses eventos são aqueles que vivem do campo, especialmente agricultores e agricultoras familiares. Diante disso, a Superintendência do Ministério do Desenvolvimento Agrário do Estado (MDA/RS) lançou uma cartilha de orientações técnicas sobre medidas básicas de mitigação de riscos frente a períodos de chuva intensa, alagamentos, encharcamento do solo, ventos fortes e outros eventos associados ao El Niño.

Segundo o superintendente do MDA, Milton Bernardes, a ideia do material é prevenir riscos. “A partir da lógica de que informação também é prevenção, construímos essa cartilha, que reúne informações diversas sobre prevenção, preparação, monitoramento, proteção da produção agropecuária, segurança das famílias, cuidados com animais, registro de prejuízos e encaminhamento de demandas”, explica.

Estruturada com base em fontes técnicas como a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Inmet e Defesa Civil, a cartilha não substitui a assistência técnica, os alertas oficiais, os boletins meteorológicos e as orientações dos órgãos municipais, mas reúne medidas de atenção, como a proteção de documentos, máquinas, equipamentos, estruturas, sementes, rações e insumos, além de cuidados com o solo e as lavouras, como drenagem e escoamento da água, conservação e cobertura do solo, prevenção de erosão e compactação e planejamento de plantio, manejo e colheita. 

Além disso, o material também aborda cuidados com os animais, como a retirada de áreas sujeitas a alagamentos, a proteção de água e alimentos e a observação da saúde dos animais, além da segurança das famílias no campo durante temporais e alagamentos. 

Após os eventos, a cartilha orienta sobre o registro de danos e perdas e o encaminhamento das demandas a órgãos públicos, assistência técnica e instituições financeiras, além de reunir informações sobre crédito, seguro e renegociação e orientar o trabalho dos agentes territoriais. Ao final, ainda apresenta checklists com medidas a serem adotadas antes, durante e depois de eventos climáticos.

Segundo Bernardes, o material foi elaborado de forma clara e objetiva, para chegar rapidamente às mãos dos agricultores e agricultoras e facilitar o acesso às orientações. Inicialmente estruturada em formato digital, a iniciativa também prevê a produção de versões impressas, que serão distribuídas em locais estratégicos, como unidades da Embrapa, prefeituras e inspetorias veterinárias. A proposta inclui, ainda, a transformação do conteúdo em um e-book.

Resiliência na agricultura familiar

No calendário agrícola, o período entre setembro e outubro é marcado pelo preparo do solo para a safra de verão. Com isso, a atenção deve ser redobrada às condições climáticas e a possíveis adversidades. Segundo Bernardes, a cartilha também busca orientar agricultores e agricultoras sobre a adoção de práticas e sistemas produtivos mais resilientes aos efeitos do clima. Entre as recomendações estão a redução do revolvimento do solo e a manutenção da cobertura vegetal, medidas que contribuem para a conservação do solo e da água. 

“O Rio Grande do Sul tem mais de 30 cadeias produtivas da agropecuária de base familiar. Somos o Estado que tem, seguramente, a agricultura familiar mais diversa. Nossos agricultores, por excelência, sabem o que produzir. Não somos nós que vamos dizer o que eles têm que produzir ou não. Mas a gente pode, sim, enquanto governo federal, sugerir modelos produtivos que causem menos impacto no solo, na água e na biodiversidade”, salienta.

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