Gerenciar riscos de forma profissional é o caminho para a estabilidade financeira nas propriedades leiteiras. Suscetível às imprevisibilidades climáticas, de preços, e oscilações de custos de produção, produtores precisam de estratégias capazes de proteger suas margens. O tema estará em debate no Milk Summit, que será realizado nos dias 14 e 15 de outubro, em Ijuí.
A palestrante, a analista de mercado da Stone X, Marianne Tufani, destaca que a proposta não é tentar antecipar exatamente as imprevisibilidades do mercado, mas trabalhar com diferentes possibilidades e, principalmente, considerar os cenários que poderiam trazer maiores impactos financeiros. “Meu objetivo não é tentar adivinhar o mercado, mas pensar no pior cenário possível, porque é ele que acaba prejudicando a margem de pecuarista”, explica Marianne Tufani.
A analista explica que o primeiro passo é ter previsibilidade em relação à realidade do seu negócio. Isso significa conhecer custos e definir margens alvo para o projeto. A partir daí, recomenda, o produtor pode utilizar ferramentas de proteção de custos e preços. Um exemplo são os contratos futuros, instrumentos de hedge utilizados para travar valor de parte da produção quando as margens forem consideradas atrativas. “É importante lembrar que gerenciamento de risco não significa acertar o melhor preço do mercado, mas reduzir incertezas e garantir maior segurança para o planejamento, os investimentos e a sustentabilidade do negócio no longo prazo”, ponderou. Essa mudança de mentalidade, de parar de especular e começar a planejar, é o que normalmente diferencia os produtores mais resilientes dos demais e explica a diferença entre os que seguem na atividade dos que vêm deixando a atividade como o registrado em recente estudo divulgado pela Emater/RS.
Apesar das ferramentas de hedge serem já bem difundidas no agronegócio, ainda são pouco empregadas no mercado lácteo. “Uma das grandes evoluções do setor é justamente permitir que o produtor de leite passe a gerenciar risco de preço da mesma forma que já acontece com diversas outras commodities. Hoje, a proteção não precisa ficar restrita apenas aos insumos. Com os contratos futuros de leite ao produtor, já é possível realizar hedge e reduzir a exposição às oscilações do mercado”, completa, explicando que isso permite ao produtor construir uma margem mais previsível, especialmente em momentos de maior volatilidade.
Além da proteção da receita com a venda do leite, Marianne Tufani argumenta que as ferramentas também são essenciais para gerenciar os custos da atividade. “Muitos produtores já acompanham e, em alguns casos, protegem preços de milho, farelo de soja e outros insumos que compõem a alimentação animal. Quando olhamos receita e custos em conjunto, passamos a falar de proteção de margem, que é uma abordagem ainda mais completa de gestão de risco”.
Em relação ao futuro da gestão das propriedades leiteiras no Brasil, a analista projeta uma profissionalização cada vez maior. “As fazendas tendem a ser administradas com foco crescente em indicadores econômicos, planejamento financeiro, gestão de riscos e uso de dados para tomada de decisão”. Em uma analogia clara ao que ocorre em grandes indústrias e cooperativas, ela projeta que o produtor deverá incorporar gradualmente essas práticas ao seu dia a dia. “O produtor do futuro não será apenas um excelente técnico na produção de leite. Ele também precisará atuar como gestor, acompanhando custos, margens, produtividade e estratégias de comercialização. Nesse cenário, ferramentas de proteção de preços ganham cada vez mais relevância, contribuindo para a sustentabilidade e a competitividade da atividade no longo prazo.”
Realizado junto à Expofest, o Milk Summit Mercosul busca aproximar produtores, cooperativas, indústrias e desenvolvedores de tecnologia em um verdadeiro ambiente de conhecimento e networking da cadeia do leite da América do Sul. Depois de uma edição nacional em 2025, neste ano, o Milk Summit reúne lideranças do Brasil e do Mercosul. “A proposta é ampliar o diálogo sobre os caminhos para uma cadeia leiteira mais competitiva e preparada para os desafios do mercado nacional e internacional”, frisou o coordenador do Milk Summit Mercosul e secretário executivo do Sindicato das Indústrias de Laticínios do RS (Sindilat), Darlan Palharini.
Uma das novidades em 2026 fica por conta da inauguração da Arena de Inovação, um espaço para startups apresentarem os projetos que devem ditar a tendência do setor lácteo nos próximos anos. As inscrições para o Milk Summit Mercosul são gratuitas e estão abertas por meio do link Inscrição do Milk Summit Mercosul. As vagas são limitadas.