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Publicada em 17 de Setembro de 2026 às 17:46

Arroz recupera preço, mas produtor ainda não cobre custo de produção

Exportações, menor produção nos Estados Unidos e expectativas climáticas ajudam a sustentar os preços

Exportações, menor produção nos Estados Unidos e expectativas climáticas ajudam a sustentar os preços

Paulo Lanzetta/Embrapa/JC
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Depois de um ano de prejuízos na atividade, o produtor de arroz começa a ter um respiro. Segundo indicador do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP, a saca de 50 quilos de arroz em casca, com referência de 58% de grãos inteiros, atingiu R$ 81,39 na quarta-feira (16). A cotação representa alta de 1,29% no dia e de 3,85% no mês e não era registrada desde março de 2025.
Ainda assim, o cenário ainda exige cautela, uma vez que, mesmo com a recuperação, o preço segue abaixo do valor gasto na produção. Segundo dados do Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga), o custo para implantação da lavoura no Rio Grande do Sul chegou a R$ 90,22 por saca na última safra.
Segundo Juandres Antunes, diretor comercial do Irga, a recuperação das cotações é resultado de uma combinação de fatores. Entre eles, a manutenção das exportações brasileiras, que permitiu que os produtores reduzissem os estoques que vinham pressionando os preços.
Outro fator apontado por Antunes é a redução da produção nos Estados Unidos, principal concorrente do Brasil no mercado internacional. A diminuição da área plantada no país e a confirmação de uma colheita menor, estimada em cerca de 30% abaixo da registrada no ano anterior, contribuíram para a elevação dos preços norte-americanos de exportação.
O diretor destaca ainda a influência do fenômeno climático El Niño sobre as expectativas do mercado. Segundo ele, a possibilidade de impactos sobre a produtividade faz com que os países importadores antecipem as compras, aumentando a concorrência pelo produto disponível.
“Os compradores têm se preocupado com a possibilidade de o clima afetar as produtividades e, nesse sentido, adiantam as importações e acabam concorrendo entre eles e pagando mais caro por esse produto. E o produtor acaba saindo favorecido nessa lógica”, explica.
Apesar da recuperação, Antunes afirma que a alta recente ainda não representa uma mudança estrutural na situação como um todo. Segundo ele, o preço começa apenas agora a se aproximar de um patamar de equilíbrio, capaz de cobrir os custos da atividade.
O cenário também se reflete nas expectativas para a próxima safra. A estimativa apresentada pelo Irga no início de setembro, com base na intenção de plantio dos produtores gaúchos, aponta para uma redução de 3,4% na área cultivada em relação à safra passada. Para Antunes, a retração pode se manter ou até ser maior, principalmente diante das dificuldades de acesso ao crédito e da baixa atratividade da atividade, que se prolongou por mais de um ano.
O presidente da Federação das Associações de Arrozeiros do Rio Grande do Sul (Federarroz), Denis Dias Nunes, também avalia que ainda é cedo para considerar que o setor recuperou a rentabilidade. Para ele, a tendência é de estabilização dos preços, influenciada principalmente pelo comportamento do mercado externo.
“Mercado é mercado, ainda mais o de commodities. Mas acreditamos que o preço deve se estabilizar, sim. Até porque há uma sinalização do mercado externo. Como o Brasil hoje é um grande exportador de arroz no continente americano, isso faz com que a gente também balize o preço interno”, afirma.

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