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Publicada em 16 de Setembro de 2026 às 17:17

Irrigação tem avanço incipiente frente ao potencial de uso no RS

Expansão dos sistemas de irrigação registrou alta de 89,3% entre 2020 e 2026 no Estado

Expansão dos sistemas de irrigação registrou alta de 89,3% entre 2020 e 2026 no Estado

CNA Agro/Divulgação/JC
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Nos últimos anos, o uso da irrigação avançou nas culturas tradicionalmente conduzidas em sequeiro, como o milho e a soja, que representam apenas 4% dos 15% de área irrigada do Rio Grande do Sul. Ainda assim, essa expansão é tímida diante do total de área, da necessidade e do potencial de expansão da condição hídrica do território gaúcho, que é listado como o Estado brasileiro que mais faz uso da irrigação para a agricultura. 

Na prática, segundo dados da Radiografia da Agropecuária Gaúcha 2026,  divulgada pela Secretaria Estadual da Agricultura, entre 2020 e 2026, a área irrigada de soja e milho passou de 210.619 hectares para 398.893 hectares, crescimento de 89,3% em seis anos.

Nesse sentido, segundo o subsecretário de Irrigação do Estado, Davi Teixeira, a Secretaria da Agricultura tem pensado em alternativas para potencializar ainda mais a expansão da tecnologia no Estado. Uma dessas soluções, e que tem grande responsabilidade por essa melhora, é o Irriga+RS, programa do governo do Estado que paga uma subvenção econômica de 20% do valor do projeto de irrigação, limitada a R$ 150 mil por produtor.

“Nos últimos quatro anos, por meio do programa, a área de milho irrigada evoluiu e passou de 11% (79.945 hectares) para 18% (144.831 hectares), evidenciando o impacto da expansão da irrigação sobre uma das culturas mais sensíveis ao déficit hídrico.”

Entre 2023 e 2026, nas três fases do programa, foram aprovados 1.920 projetos, que resultaram em R$ 661,5 milhões em investimentos privados, R$ 84,4 milhões em subvenções estaduais e na incorporação de 33 mil novos hectares à área irrigada.

Nesse sentido, a subvenção também tem contribuído para estimular investimentos privados. Para cada R$ 1,00 aplicado pelo Estado, foram mobilizados aproximadamente R$ 7,84 em recursos privados. Além de ampliar os investimentos no setor, a movimentação gera arrecadação tributária direta e indireta e contribui para o fortalecimento da economia estadual.

Ainda assim, Teixeira destaca que, no último ano, o impacto do programa não foi tão grande em razão do cenário de endividamento, das altas taxas de juros e da vulnerabilidade econômica do País. “A questão dos produtores no alto grau de endividamento em função das catástrofes climáticas que assolaram a agricultura gaúcha e a baixa nos preços finais pagos ao produtor das commodities de soja, milho e arroz no último ano formam um cenário muito desestimulante a qualquer tipo de aplicação, especialmente a de um equipamento de irrigação, como um pivô central”.

Além do Irriga+RS, o Estado também tem investido em parcerias internacionais para potencializar a atual política de irrigação do Rio Grande do Sul. “Estamos trazendo uma cooperação internacional com a Universidade de Nebraska, nos Estados Unidos. Já recebemos uma missão aqui no Rio Grande do Sul no ano passado, e este ano trouxemos à Expointer um pesquisador e especialista na gestão hídrica de territórios para nos auxiliar nesse processo de gestão e expansão do potencial de irrigação do território gaúcho”. 

A ideia, explica Teixeira, é trabalhar com uma progressão para mudar o cenário gaúcho. Saindo de 4% de área irrigada nas culturas de sequeiro para 10%, 15% e 20% de área irrigada nessas culturas no médio ou longo prazo.

De acordo com o subsecretário, essa evolução é fundamental para garantir uma maior segurança econômica, visto que o PIB gaúcho tem uma estreita relação com a produtividade do milho e da soja ao longo dos anos. 

“Toda a economia gaúcha é extremamente dependente dessas culturas. Se colocarmos sistemas de irrigação nas regiões de maior déficit hídrico consolidado, estaríamos dando um passo muito importante para evitar os gaps de arrecadação estadual e de enfraquecimento da economia gaúcha nos últimos anos de fortes estiagens", explica.

Outro fator que dificulta a expansão é a complexidade da pauta. Segundo Teixeira, o tema é extenso e envolve uma série de fatores, como recursos financeiros, planejamento e gestão de projetos, além das adversidades climáticas do território gaúcho.

“Historicamente, a cada 10 anos, o Estado passa por pelo menos três anos com fortes estiagens e mais uns dois ou três anos com excesso de chuvas. O território gaúcho, nas latitudes em que se encontra no globo terrestre, vai estar sempre oscilando entre excesso e falta de chuva e anos normais. Precisamos aprender a reservar água nos anos ou épocas de boa chuva, para poder utilizá-la nos períodos de estiagem. Por isso, é tão necessário falarmos sobre irrigação e evoluirmos em uma série de iniciativas sobre o tema”, finaliza. 

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