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Eleições 2020

- Publicada em 22h58min, 22/09/2020. Atualizada em 12h33min, 23/09/2020.

Primeiro debate com candidatos à prefeitura de Porto Alegre foca em educação e tecnologia

Os 13 nomes que disputam o paço municipal participaram do debate transmitido por diferentes plataformas digitais

Os 13 nomes que disputam o paço municipal participaram do debate transmitido por diferentes plataformas digitais


REPRODUÇÃO YOUTUBE/DIVULGAÇÃO/JC
Marcus Meneghetti
O primeiro debate das eleições municipais de Porto Alegre de 2020 discutiu educação e tecnologia. O evento reuniu os 13 candidatos à prefeitura da Capital nesta terça-feira (22), em uma transmissão através da plataforma digital Zoom, organizada pela Faculdade Meridional de Porto Alegre (IMED).
O primeiro debate das eleições municipais de Porto Alegre de 2020 discutiu educação e tecnologia. O evento reuniu os 13 candidatos à prefeitura da Capital nesta terça-feira (22), em uma transmissão através da plataforma digital Zoom, organizada pela Faculdade Meridional de Porto Alegre (IMED).
Cada candidato respondeu duas perguntas. A primeira questionava sobre o que poderia ser feito para melhorar o desempenho no IDEB dos alunos da rede municipal de ensino. A sigla IDEB significa Índice de Desenvolvimento da Educação Básica e é usado para medir a qualidade do ensino público. Atualmente, Porto Alegre é a penúltima colocada entre as capitais do Brasil.
A segunda pergunta indagava o que os postulantes ao paço municipal pretendiam fazer para impulsionar o setor de inovação e tecnologia na cidade. Cada participante falou durante sete minutos e 30 segundos: três minutos para cada pergunta, mais 1 minuto e 30 segundos para as considerações finais.
Uma das regras do debate impedia que os candidatos fizessem ataques aos adversários, o que não impediu que críticas fossem feitas.
Quanto à primeira pergunta, João Derly (Republicanos) disse que seu programa prevê uma atuação em três pilares: “primeiro, construir o plano da educação com diálogo com os professores, sociedade civil e instituições especializadas. Segundo, precisamos de capacitação dos professores e boas condições nas escolas, inclusive com segurança. Como deputado federal, destinei meio milhão de reais para equipar a Guarda Municipal. Terceiro, precisamos trabalhar com o contraturno escolar”.
Valter Nagelstein (PSD) aproveitou sua fala para alfinetar sutilmente o prefeito Nelson Marchezan Júnior (PSDB), ao mencionar o gasto com publicidade, o que motivou o pedido de impeachment que tramita na Câmara Municipal. “Precisamos equipar as crianças. Queremos dar tablets e uniforme. Em vez de usar os recursos em publicidade, poderíamos ter dado tablets para os alunos da rede municipal”.
Juliana Brizola (PDT) lembrou da importância da escola de turno integral, uma das bandeiras do seu avô, o ex-governador Leonel Brizola (PDT). “É importante retomarmos as escolas de tempo integral, que eram a menina dos olhos do meu avô. Também queremos garantir a todas as crianças de Porto Alegre uma vaga em creche, além de estender o horário delas. Queremos criar ainda creches noturnas”.
O atual vice-prefeito Gustavo Paim (PP) disse que “a rede pública patinou muito mais para se adequar à nova realidade, ao meio digital, o que é absolutamente necessário (depois da pandemia de coronavírus)”. E projetou: “é preciso ter foco no aluno, mas engajar toda a sociedade, professores, comunidades, famílias. Precisamos de aulas digitais roteirizadas”.
O ex-prefeito José Fortunati (PTB) comparou a atual situação da educação com a época em que foi prefeito da Capital (2010-2016), lembrando que sua gestão manteve o ensino municipal nos anos finais do ensino médio, por exemplo, na 17ª posição entre as capitais brasileiras (atualmente Porto alegre está na 25ª colocação). “Precisamos retomar o convênio com o Banco Mundial, que previa U$ 80 milhões para a modernização das escolas. Isso daria cerca de R$ 400 milhões para investir na educação. Esses recursos, infelizmente, foram perdidos, porque o projeto não foi levado adiante”, complementou, atacando indiretamente Marchezan.
Rodrigo Maroni (PROS) criticou todos os candidatos – inclusive ele mesmo - sustentando que nunca viu um governo ser bom para a educação. “A educação sempre foi usada como marketing na política”, afirmou. E concluiu: nós 13 não temos a solução, quem tem a solução é o professor. Aqui não tem ninguém mais importante que um professor”.
Fernanda Melchionna (PSOL) avaliou que “o problema do Brasil é o salários dos políticos, dos deputados, do presidente, dos ministros. Acreditamos que o salário dos professores deve ser comparável ao dos políticos”. Além disso, criticou Marchezan por “tentar privatizar a Procempa” (Companhia de Processamento de Dados de Porto Alegre), em vez de usá-la para a inclusão digital dos alunos da rede municipal de ensino. “Porto Alegre tem a Procempa e o prefeito não usa para modernizar a cidade”.
O ex-vice-prefeito Sebastião Melo (MDB) defendeu que “o turno inverso é muito importante na rede municipal”. E continuou: “ele deve servir para dar reforço aos alunos que não estão aprendendo no turno normal. Também deve ser usado para cultura, esporte etc, mas principalmente para reforço. Além disso, temos que ter tolerância zero com evasão escolar, porque o IDEB não é medido só pela qualidade do ensino, mas também pela evasão”. Ele também comemorou alterações na Lei do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb): “agora não dá para pagar aposentados com recursos do Fundeb. Isso significa que teremos recursos sobrando para qualificar os professores”.
Marchezan iniciou sua fala respondendo lateralmente aos ataques: “quero saudar aqueles candidatos que trouxeram propostas e aquela que trouxe só acusações infundadas (se referindo à Fernanda). “As mudanças na cidade precisam ser estruturais, como o aumento da carga horária, por exemplo”, citou o prefeito, fazendo menção a uma mudança implementada pela sua gestão. Ele lembrou também que “fomos pioneiros na contratualização do ensino fundamental”. E propôs que “a comunidade participe da escolha dos diretores, inclusive com uma avaliação anual dele”.
Manuela d’Ávila (PCdoB) lembrou que, se vencer a eleição, vai “assumir a prefeitura, diante de um ano letivo praticamente perdido”. Ela alertou para a grande evasão escolar que pode ocorrer no ano que vem. “A prefeitura precisa lutar contra a evasão escolar na rede municipal, sobretudo no próximo ano. Precisamos combater o trabalho infantil. Precisamos investir nas vagas das creches. Minha meta é garantir uma vaga para toda criança. Também é nossa meta aumentar o tempo na escola”.
Montserrat Martins (PV) acredita que “a inclusão digital é cada vez mais relevante”. Ele também disse que “a alimentação deve ser sadia, especialmente fornecida pela nossa zona rural, com produção orgânica. Também acreditamos nas hortas comunitárias e no ensino de técnicas agrícolas nas escolas”.
Júlio Flores (PSTU) declarou que “precisamos ligar os trabalhadores da educação e as comunidades, construindo os conselhos populares para organizar um governo novo, apostando na revolução que precisamos construir”. Luiz Delvair Martins Barros (PCO) defendeu a estatização do ensino.
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