Com alta de casos de dengue no Rio Grande do Sul e
em Porto Alegre - onde o surto da doença já atinge o nível 2 de uma escala de 3, com aumento de registros, de infecções e notificação de um caso grave-, já são 435 cidades com infestação confirmada do mosquito Aedes aegypti, totalizando 87,5% dos municípios gaúchos, o maior número registrado desde o início da série histórica de monitoramento, em 2000. Segundo dados da Secretaria Estadual da Saúde (SES), já foram informados 4.952 casos da doença e cinco óbitos em todo o território gaúcho, entre janeiro e abril.
A atualização do número de pacientes que não resistiram a complicações da dengue foi divulgada pela SES nesta sexta-feira (8), com quatro mortes registradas entre idosos nos municípios de Cristal do Sul (mulher de 85 anos), Horizontina (mulher de 70 anos), Jaboticaba (mulher de 73 anos) e Igrejinha (homem de 79 anos). Os óbitos ocorreram entre os dias 19 de março e 3 de abril, e se somam ao
primeiro notificado no Estado, em 9 de março, caso de uma senhora de 76 anos, moradora da cidade de Chapada.
Segundo dados divulgados pela Secretaria por meio do painel de monitoramento de arboviroses (doenças causadas por vírus transmitidos por artrópodes, principalmente mosquitos), ao longo de 2021 foram 11 óbitos pela doença, o que acende o alerta dentre as coordenadorias de saúde e prefeituras para a necessidade de adoção de planos de contingência e ações voltadas a combater os focos do mosquito e reforçar a prevenção à doença. Nesse mesmo perído do ano passado, por exemplo, foram confirmados cerca de 3,9 mil casos de dengue no Estado, mil a menos do que o registro atualmente.
A orientação da Secretaria é para que os municípios foquem em ações preventivas, priorizando a eliminação de locais que concentrem água parada - como pratos de vasos, garrafas, pneus descartados, etc.-, ambientes propícios para a reprodução e desenvolvimento das larvas do mosquito Aedes aegypti, especialmente nesse período com maior incidência de chuva. A tendência é de que os casos de dengue possam seguir em nível crescente até meados de junho, quando ocorre o período sazonal da doença.
"Os dados epidemiológicos apontam para um aumento de casos de dengue este ano em relação ao ano passado, tanto de notificações quanto de confirmações. A tendência é seguir até mais ou menos junho, que é o período sazonal da doença”, destacou o biólogo do Centro Estadual de Vigilância em Saúde (Cevs), Jáder Cardoso, durante reunião do Centro de Operações de Emergências em Saúde Pública Arboviroses, ocorrida em 25 de março, data na qual a SES emitiu alerta epidemiológico para situação crítica de dengue no Estado, após a confirmação do primeiro óbito.
No informe, entre outros pontos, a SES orientou que as prefeituras não devem aguardar a confirmação de casos para tomarem medidas sanitárias e preventivas, e informou que profissionais da saúde e população em geral tirem suas dúvidas através do telefone 150, do Disque Vigilância. "A SES mantém a vigilância ativa da circulação dos arbovírus, entre eles, do vírus da dengue, através do monitoramento constante da situação epidemiológica, gerando boletins e notas técnicas para orientação dos serviços de saúde, dos demais setores e da população. Em caso de dúvidas ou outros tipos de solicitação, recomendamos, primeiramente, o contato com as VEs Municipais", diz o documento.
Em Porto Alegre, segundo atualização do painel da prefeitura, já haviam sido notificados 1.462 casos de dengue até este domingo (10). Desses, 885 foram confirmados, sendo 864 autóctones, ou seja, contraídos na cidade. Com isso, desde o início do ano, o surto de dengue na Capital já atingiu sua alta histórica.
O Aedes aegypti
- O Aedes aegypti, transmissor da dengue, tem tamanho médio de menos de 1 centímetro, é escuro e com riscos brancos nas patas, cabeça e corpo.
- Para se reproduzir, ele precisa de locais com água parada, por isso a necessidade de eliminar possíveis focos e criadouros
- Os depósitos preferencias para os ovos do Aedes são recipientes com água parada como pneus, latas, vidros, garrafa, pratos de vasos, caixas d'água ou outros reservatórios mal tampados
Como eliminar o mosquito
- Manter caixas d’água, tonéis ou latões expostos à chuva bem tapados
- Não guardar pneus velhos ao ar livre
- Não acumular água em vasos de plantas ou em seus pratos, que devem ser cobertos com areia
- Manter desentupidos ralos, canos, calhas, toldos e marquises
Fonte: Secretaria Estadual da Saúde (SES)