CEO da Sankhya fala sobre a atuação do negócio e 
os planos de criar uma plataforma integrada Felipe Calixto é um dos fundadores, e hoje CEO da Sankhya Foto: LUIZA PRADO/JC

Gestão empresarial otimiza processos

Felipe Calixto fundou a Sankhya em 1989, há exatos 30 anos, em Uberlândia, Minas Gerais. No início, a empresa se chamava SOS Informática, mas, na hora de registrar o nome, viu que já haviam muitas companhias homônimas. Ele e o irmão mais novo e sócio, Fábio Túlio, então, decidiram pela nova marca, cuja tradução remete à soma, análise, multiplicidade ou raciocínio.
Hoje, a empresa é pioneira em Enterprise Resource Planning on-line (ERP) - que em português significa planejamento dos recursos da empresa. O negócio possui mais de 10 mil clientes espalhados por todo o Brasil, e um quadro com mais de 1 mil funcionários. Entre as companhias já atendidas, estão Kia, Globo Aviação e Philip Morris. A expectativa é fechar o ano com um faturamento de R$ 220 milhões.
No Rio Grande do Sul, a companhia opera com uma unidade de negócio própria, responsável por comercializar e prestar atendimento aos clientes do Estado. Durante visita à operação gaúcha, Felipe falou sobre o empreendimento.
GeraçãoE - O que faz uma gestão de solução de empresas?
Felipe Calixto - Pegamos os processos de todas as áreas de uma empresa, automatizamos e deixamos integrados. Antes, alguém lançava uma venda, um funcionário do estoque tinha que dar a baixa, aí passava para o setor financeiro, onde outro colaborador tinha que finalizar o processo. Existia retrabalho. Uma única venda não pode ter cinco ou seis lançamentos de sistema em cinco ou seis setores.
GE - Quais os diferenciais da Sankhya?
Felipe - Criamos uma marca chamada Jiva. Foi pensada para o pequeno empresário. O microempresário encontra soluções mais adequadas a ele não só em termos de preço, mas em termos de simplicidade. A Sankhya atende necessidades mais complexas por englobar áreas estratégicas, de verdadeira gestão. Desenvolvemos uma ferramenta para facilitar o diagnóstico. Nosso setor comercial faz como uma ressonância magnética da empresa. Nesta análise identificamos todas as necessidades e virtudes. Com isso, entregamos um benchmark do mercado, dizendo, por exemplo: "olha, você está com uma nota sete na gestão financeira, enquanto seus concorrentes estão, em média, com uma nota nove e os líderes do seu mercado com quase 10".
GE - Como a tecnologia é tratada por vocês?
Felipe - Temos uma cultura de que quando há uma transformação muito grande na tecnologia não aproveitamos nada do que já temos. Reconstruímos. Isso deixa tudo muito mais agradável para o cliente, inclusive. Quando se começou a pensar em Windows, passamos três ou quatro anos desenvolvendo a solução. Fomos a uma feira em Las Vegas e lá se falava que a web mandaria a partir dali. Nem tínhamos terminado e já estava obsoleto. Foi uma dor. Só que quando chegamos, percebemos que a web demoraria para evoluir. Não tinha como fazer gestão empresarial com internet discada. Então, já começamos a pensar à frente do tempo. Tem concorrente nosso que ainda está nas soluções do Windows.
GE - E o que a marca planeja para o futuro?
Felipe - Estamos criando um novo conceito para o nosso mercado. A nossa proposta é como o Uber com o táxi, o Spotify com o iTunes. Criamos uma plataforma em que vários fornecedores podem oferecer soluções para os nossos clientes. Não acreditamos na centralização desse trabalho. O mundo da plataforma te aproxima dos concorrentes, não afasta. Quando elaboramos, nos acusaram de loucura, que perderíamos receita. Mas não podemos pensar que só vamos dividir a pizza em mais fatias, e sim que ela vai se tornar maior porque vai ter mais massa. O cliente que paga menos vai me fazer ter mais clientes e, possivelmente, ofertar um melhor preço ainda. Sem falar que, quanto mais gente assessorando o ecossistema de inovação, melhor o cliente é atendido. Precisamos pensar mais como Uber e menos como táxi.
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