Cid, do Não Salvo, no Gramado Summit Dono de um dos sites de humor mais bem sucedidos do Brasil esteve no Gramado Summit Foto: GUSTAVO MEROLLI/DIVULGAÇÃO/JC

'A zueira ends sim', acredita Cid, do Não Salvo

Dono de um dos sites de humor mais bem sucedidos, Cid acredita que a maneira de produzir conteúdo na internet mudou ao longo dos anos

Hoje, todo mundo sabe que é possível ganhar dinheiro produzindo conteúdo na internet. Em 2007, no entanto, isso não era tão comum. Quando Maurício Cid Fernandez, 34 anos, mais conhecido como Cid, começou a sua trajetória on-line era tudo mato. Durante a sua palestra no Gramado Summit, ele contou que começou a se destacar no finado Orkut, onde tinha mais de mil comunidades. Foi a partir daí que surgiu o Não Salvo, site de humor comandado por Cid. “Sou da última geração que teve que aprender a mexer na internet. Viralizei no Orkut. Depois surgiu o Não Salvo, o podcast Não Ouvo, então a gente sempre se atualiza para se manter vivo. Os players de internet mudam de dois em dois anos. Estamos há 12 anos na internet, então significa que estamos fazendo alguma coisa certa”, acredita.
No início, a internet ocupava um lugar de lazer para Cid. O blog era feito no tempo de deslocamento até o trabalho em uma operadora de televisão por assinatura, onde atuava como web designer. “Fomos os primeiros a fazer publicidade. Cheguei a fazer publicidade por R$ 50,00 para uma empresa de telefonia. E achei que estava ganhando muito. Pensei ‘caraca, vou poder tomar cerveja no final de semana sem pagar’.” Para ele, o perfil dos produtores de conteúdo hoje é muito diferente da primeira geração da internet. “Comecei a ganhar dinheiro tarde com a internet. Já tinha tido um trabalho, sabia como era ter um chefe. Diferente de hoje que um moleque de 12 anos sustenta a família. Tive que correr atrás”, conta.
Na época, segundo Cid, as pessoas não produziam conteúdo pensando na rentabilidade do negócio. “Ainda enxergo a internet assim. Tem que fazer por achar legal e se vier dinheiro é consequência. Hoje tem cara fabricado, igual televisão, para ganhar dinheiro. Tem produtoras que criam a ideia, fazem seleção de quem fala bem para contratar e fazer um canal. Tem moleque de seis anos com milhões de inscritos no YouTube.”
Uma das pegadinhas mais famosas organizadas pelo Não Salvo junto com seus seguidores foi a hashtag 'Cala Boca, Galvão'. O site produziu um vídeo em inglês dizendo que a expressão tinha como objetivo ajudar um instituto de defesa de pássaros em extinção. Segundo Cid, a hashtag é, até hoje, a que passou mais tempo nos trending topics mundiais do Twitter. Ele acredita que o diferencial para fazer sucesso é ter engajamento, mais que número de likes ou seguidores. As brincadeiras publicadas no Não Salvo impulsionaram muitos memes ao longo dos anos. “Deixamos muita gente famosa meio que sem querer, às vezes zoando, mas o cara que consegue abraçar a oportunidade se deu bem. Saiu do Não Salvo o Felipe Netto, Mc Brinquedo, Mc Bin Laden, Mc Maiara. O vídeo do 'para nossa alegria', quando postamos, tinha oito visualizações, hoje são mais de 46 milhões. O cara fez comercial para escola de inglês com a Jéssica Alba. Fizemos muita coisa épica, então acho que nosso legado está feito.”
Hoje, Cid conta com uma equipe de quatro pessoas na produção de conteúdo e acredita que a forma de fazer humor mudou muito ao longo dos anos. “O Não Salvo começou muito hardcore. A gente postava coisas que ninguém postava e era por isso que a galera gostava. Era um período de internet de anarquia. Na época era ok, todo mundo dava risada de tudo. Hoje você tem que pensar 10 vezes antes de postar qualquer coisa porque vai ter alguém para dar um RT problematizador e achar alguma coisinha para inverter e ganhar uns likes. Acho que hoje o Não Salvo dificilmente teria o crescimento que teve em 2012, quando chegamos a ter 1 milhão de visitas por dia”, analisa Cid. 
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