Claudio Matone acredita que o debate 
ambiental deve fazer parte das empresas Claudio Matone acredita que o debate ambiental deve fazer parte das empresas Foto: /FELIPE FRAGA/DIVULGAÇÃO/JC

Aproveitar resíduos não significa economizar

Claudio Matone administra o Canal Café e o Eco Coffee

Ainda na faculdade, o empreendedor Claudio Matone, 28 anos, começou a planejar o modelo de negócio do qual se tornaria o Canal Café, point dentro do campus da Pucrs, em Porto Alegre, aberto em 2016. A marca acaba de inaugurar o Eco Coffee, espaço em meio às árvores com cinco mesas e 10 bancos (desses de piquenique) feitos a partir de 490 kg de resíduos sólidos do próprio estabelecimento, como copos de plástico. Com R$ 6 mil de investimento, o projeto foi possível através da parceria com a startup Bio 8, de São Leopoldo. Nesta entrevista, Claudio fala porquê empresas devem tomar decisões levando em conta a sustentabilidade e o diferencial de chamar startups para pensar soluções. Confira: 
GeraçãoE - De onde veio a ideia de reaproveitar os resíduos sólidos?
Claudio Matone - Entre as duas lojas, a da saída do TecnoPuc e a da ATL House, atendemos mil pessoas por dia. É muito copo que se desperdiça, tive vontade de dar uma destinação para eles. Uma solução seria colocar materiais de louça, o que geraria desperdício de água. Então fechei parceria com a startup Bio 8, que desenvolveu a tecnologia de transformar os resíduos em madeira plástica.
GE - Dar um destino para o seu lixo faz você economizar?
Claudio - Esses móveis que fiz do lixo, às vezes, são o mesmo preço de um móvel feito de madeira nova. O custo do processo é alto. Mas, não tendo desgaste ambiental, acaba sendo um ganho. Não quer dizer que se eu conseguir utilizar todos os meus resíduos eu vou economizar. Às vezes sim, mas no que isso reflete mesmo é no impacto ambiental. Não digo que somos sustentáveis, mas temos valores ambientais fortes.
GE - Por que as empresas devem se preocupar com os resíduos que produzem?
Claudio - O ser humano está causando mal para o planeta. Em algum momento da nossa história a gente tinha recursos infinitos e não fazia diferença utilizá-los, porque eles se renovavam. Mas desmatar se tornou uma indústria e um comércio tão grandes que chegamos num ponto que temos que mudar a economia como ela funciona hoje. Os negócios têm que entender que daqui 20 anos não vai mais ter árvores e as empresas vão ter que se reinventar. A minha consciência social prefere fazer isso antes. No ritmo que está, literalmente acaba.
GE - Como trazer soluções ambientais e manter-se economicamente viável?
Claudio - Estou sempre estudando formas de melhorar. Por exemplo, essa parceria com a Bio 8 surgiu porque eu estava insatisfeito e fui atrás de uma solução para o meu problema, e achei. Às vezes, não se acha. Mas a gente não pode parar de procurar, se for para melhorar ou reduzir os problemas.
GE - Você acha que as empresas deveriam se aproximar mais de startups?
Claudio - Por startups serem novas e menores, elas são disponíveis para atender pequenos negócios e suas necessidades especiais. Conhecer uma rede de startups abre um leque de soluções muito legais. Essa aproximação acho que é o futuro das relações empresariais. Essa flexibilidade torna uma personalização muito interessante e inovadora para cada empresa. É a cocriação efetiva.
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