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Racismo

- Publicada em 20h55min, 14/07/2020. Alterada em 20h55min, 14/07/2020.

Observatório Racial do Futebol luta para manter debate sobre o preconceito em alta

Marcelo Carvalho, diretor e criador do Observatório Racial do Futebol, diz que é preciso aproveitar as arquibancadas vazias para levar a mensagem contra o racismo

Marcelo Carvalho, diretor e criador do Observatório Racial do Futebol, diz que é preciso aproveitar as arquibancadas vazias para levar a mensagem contra o racismo


NÍCOLAS CHIDEM/JC
Deivison Ávila
O episódio envolvendo a morte de George Floyd, homem negro de 46 anos, que foi imobilizado no chão, dizendo não conseguir respirar, enquanto um policial branco mantinha o joelho sobre o seu pescoço, mobilizou também o mundo do esporte. A morte ocorrida em 25 de maio, em Minneapolis, nos EUA, repercute até hoje em vários países. O movimento "Vidas Negras Importam" e outras manifestações chegaram também ao mundo do esporte. Diversos esportistas trouxeram, mais uma vez, a reflexão sobre o combate ao racismo, entre ele o piloto inglês de Fórmula 1, Lewis Hamilton.
O episódio envolvendo a morte de George Floyd, homem negro de 46 anos, que foi imobilizado no chão, dizendo não conseguir respirar, enquanto um policial branco mantinha o joelho sobre o seu pescoço, mobilizou também o mundo do esporte. A morte ocorrida em 25 de maio, em Minneapolis, nos EUA, repercute até hoje em vários países. O movimento "Vidas Negras Importam" e outras manifestações chegaram também ao mundo do esporte. Diversos esportistas trouxeram, mais uma vez, a reflexão sobre o combate ao racismo, entre ele o piloto inglês de Fórmula 1, Lewis Hamilton.
Para Marcelo Carvalho, diretor e criador do Observatório Racial do Futebol, o momento vivido é ótimo para o debate sobre o preconceito racial, entretanto, ele questiona se realmente isso seguirá após passada a pandemia. Diante deste cenário, o Observatório pretende realizar algumas ações.
"Nos últimos meses, fizemos a campanha 'Poderia ser eu', a qual aborda o genocídio da população negra. A ideia é falar das mortes que acontecem no Brasil. A ação cresceu a partir da morte de Floyd, mas é algo que o Movimento Negro no Brasil vem alertando há anos", explica.
Assim, o Observatório decidiu utilizar a força das redes sociais dos clubes para abordar o tema junto ao torcedor. Para a retomada do futebol pelo País, Carvalho conta que o coletivo está conversando com clubes e entidades esportivas para não deixar o debate de lado. "Depois que a pandemia passar, e a bola voltar a rolar, a tendência é de que a gente esqueça um pouco de tudo que foi abordado. Só que o racismo não vai passar", aponta.
O Observatório está tentando, juntamente com os clubes e federações, aproveitar as arquibancadas vazias para levar a mensagem contra o racismo. "Meu sonho era que o futebol retornasse no Brasil, assim como foi com outros esportes nos EUA. Por lá, toda a estrutura foi engajada na luta contra o preconceito. Não apenas os atletas, mas os clubes se manifestaram. Algo que sabemos que é extremamente difícil no Brasil. Estamos batendo nas portas", conta Carvalho.
Outro ponto destacado pelo Observatório é a participação de grandes personalidades na luta contra o racismo. Carvalho cita, por exemplo, a participação de Hamilton e de outras figuras ligadas ao esportes, além de equipes de futebol em todo o mundo. Questionado se estas participações podem soar como marqueteiras, ele analisa de outra forma: "Em um primeiro momento, não costumo criticar, e entendo elas como peças de marketing que costumam dar a visibilidade que o movimento precisa. No caso do Hamilton, ele é um cara que está no topo, conhece o sistema e sabe que, se posicionar neste momento, pode ter algum prejuízo à sua carreira, mas, mesmo assim, está fazendo com que o circo da Fórmula 1 se posicione também", exemplifica.
Além do Observatório, o criador do coletivo destaca ainda o surgimento de outros movimentos que estão levantando a bandeira contra o preconceito. Um é o "Nação X", formado por lutadores, e o outro é o "Coalizão Negra", organizado por jogadores de futebol americano no Brasil para cobrar ações de diversos segmentos. Para manter vivo o projeto, o Observatório tem alguns produtos disponíveis à venda no www.observatorioracialfutebol.com.br.
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